Roy Nissany abriu uma garrafa de champagne para comemorar com o pai

Quem se lembra de Chanoch Nissany, o israelense de mais de 40 anos que participou de um dos treinos livres do GP da Hungria de 2005 pela Minardi?

Caso você não se recorde, Nissany marcou época na F1 ao ser considerado um dos piores pilotos de todos os tempos. Só que o israelense não caiu de paraquedas naquele final de semana húngaro. Ele já tinha uma pequena história no esporte a motor, construída principalmente na própria Hungria.

Sendo um dos homens mais ricos de Israel, Chanoch estreou no automobilismo tarde, em 2003, aos 39 anos de idade. Começou pelas categorias de base, na F2000 da Hungria. Como o nível do campeonato não era lá dos melhores, o israelense se sagrou bicampeão nas duas primeiras temporadas e rapidamente se tornou uma espécie de ídolo local. Afinal, quem poderia esperar que o ricaço de 40 anos seria o piloto dominante?

Só que o bom desempenho talvez tenha subido à cabeça. No ano seguinte, Nissany disputou três etapas da F3000, sem nenhum destaque, e se sentiu preparado para subir à F1.

Depois de uma série de treinos privados por Jordan e Minardi, o israelense conseguiu a superlicença e foi negociar com a própria Minardi a participação no GP da Hungria daquele ano. Aos 42 anos e após desembolsar milhares e milhares de dólares, Nissany entrou no carro da equipe australiana e bom… o resultado você pode ver no vídeo a seguir.

Talvez você esteja se perguntando por que eu estou resgatando a história de Chanoch Nissany, sete anos depois. É que nosso amigo israelense teve bons motivos para comemorar nesse final de semana. Não faço ideia, mas acho que o Dia dos Pais não é comemorado neste domingo em Israel, mas, se fosse, o ex-piloto teria feito uma celebração em tanto.

Nissany agora é um papai orgulhoso. Uma das poucas categorias a ir à pista neste final de semana foi a Adac Masters, campeonato de acesso da F3 Alemã. E quem estava no grid? Roy Nissany, o filhão do israelense.

Aos 17 anos, Roy nunca foi um piloto de ponta, mas sempre foi bastante badalado nos campeonatos menores justamente por ser filho do folclórico Chanoch, além de israelense, uma nacionalidade deveras incomum no automobilismo. Até sexta-feira, em dois anos e meio de carreira, o garoto só tinha conquistado uma pole-position e dois pódios.

Mas, neste sábado, ele estava com sangue nos olhos. Mesmo largando apenas na nona posição na etapa do Red Bull Ring, Roy completou a primeira volta já em terceiro. Depois, superou o pole-position, Florian Herzog, e Alessio Picariello. Em primeiro, Nissany precisou segurar a pressão de Gustav Malja, líder do campeonato, para ficar com a vitória, a primeira da carreira no automobilismo.

Enquanto Roy deu entrevistas dizendo que está pensando na segunda metade da temporada e planeja vencer mais vezes, Chanoch, por sua vez, não devia nem estar prestando a atenção, apenas sorrindo felizão com a vitória do filho.

Não tenho a menor esperança de ver Roy Nissany brigando por títulos em breve, mas eu não duvido que ele consiga chegar à F1. Quer dizer, se o pai chegou, por que ele não conseguiria?

P.S.: Chanoch Nissany não foi o único piloto famoso (ou algo assim) a ver seus descendentes vencerem neste final de semana. Quem também pôde comemorar foi Gerhard Berger. O antigo companheiro de equipe de Aytron Senna celebrou a vitória do sobrinho Lucas Auer na etapa da F3 Alemã, também realizada no Red Bull Ring. Essa foi a primeira vitória do austríaco na categoria.