O carro que ninguém vai usar – parte 2

Dodge na Nascar? Agora só em foto…

E a Nascar volta a ser três. Na terça-feira, dia 8, a Dodge anunciou que deixa a categoria americana ao final da temporada de 2012, já que basicamente nenhuma equipe se interessou em competir com os seus carros.

De uma forma resumida, a Dodge voltou à Nascar em 2011, apoiada por um tripé formada por Evernham, Ganassi e Penske, além de contar com um equipamento com um bom custo-benefício, que a ajudou a abocanhar algumas equipes pequenas.

Só que aos poucos esses times foram mudando de montadora. Primeiro, as escuderias menores acabaram seduzidas por uma oferta mais vantajosa da Chevrolet. Outras equipes se juntaram à Toyota, quando a montadora nipônica chegou à categoria, graças ao caminhão de dinheiro trazido por eles.

Enquanto isso, a Evernham se mudou para a Ford quando Ray Evernham – um dos responsáveis por articular a volta da Dodge à Nascar – vendeu a equipe para o grupo de investimento de George Gillett. A Ganassi passou a usar carros da Chevrolet quando se fundiu com a Dale Earnhardt Inc. Por fim, a Penske já havia anunciado no início do ano que vai usar carros da Ford em 2013 por uma questão de competitividade.

Sem opções, para permanecer na Nascar, a Dodge resolveu puxar o carro, literalmente. É verdade que houve negociações com equipes menores, mas para levar esses times a um patamar rentável em termos de resultados seria necessário um investimento muito maior que a montadora pudesse fazer. Lembrando que a Dodge foi uma das fabricantes mais afetadas pela crise econômica, passando a ser controlada pela Fiat.

Dito isso, a saída da empresa pode ser vista de duas maneiras. A primeira é quanto ao fator histórico e a outra, ao prejuízo competitivo.

Fãs da Penske agora vão precisar se reacostumar com a Ford

De todas as montadoras da Nascar, a Dodge certamente era a que tinha a torcida mais apaixonada. Não estou dizendo que Chevrolet ou Ford não tinham fãs, mas havia uma diferença. Por exemplo, quem tem um Fiesta ou um Celta no máximo tem alguma identificação com os carros do turismo americano. Agora, aquele pessoal que viveu a época do Dojão é fanático pela fabricante. A Penske poderia estar brigando pela 25ª posição, mas os caras torciam e acreditavam em uma volta por cima.

E essa torcida ainda ganhou o reforço, nas últimas décadas, da garotada que passou a ver o Viper como um dos carros dominantes em competições de GT. E isso gerou uma identificação muito forte entre marca e torcida. Mas é só. Hoje, ninguém compra carros da Dodge. Se você quer um sedan, acho que a fabricante não está entre as primeiras opções. No restante, a administração da Fiat também serviu para destruir uma bela fatia da marca.

Portanto, é claro que perder uma montadora diminui o valor da Nascar. No entanto, estamos falando de uma torcida apaixonada que se vai e de uma montadora que está profundamente ligada à história do automóvel nos Estados Unidos. Em termos competitivos, eram dois carros na Sprint Cup e outros três ou quatro na Nationwide. Nada que vá fazer muita falta.

Se a Penske acha que poderá ser mais competitiva com outra montadora, consequentemente dá para entender que a Dodge estava atrapalhando nesses últimos anos. Assim, justamente por toda essa história envolvendo a marca, talvez fosse melhor deixar a categoria a ficar fazendo figuração com uma equipe pequena nas últimas posições.

P.S.: em 2010 eu fiz um post falando sobre a possibilidade de não ter carros da Dodge em 2011, quando a montadora havia reformulado o carro da Sprint Cup. Na época, errei feio. Pelo menos pude reaproveitar o título dessa vez. O post original está aqui

8 comentários sobre “O carro que ninguém vai usar – parte 2

  1. quanta besteira dizer que os carros da dodge andam mal na nascar! vc assiste as provas? esta certo que tem poucos carros mas são competitivos tanto na sprint quanto na nationwide. estude mais antes de escrever besteiras!!!

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  2. Faz pouco tempo que acompanho a Nascar e gosto muito dos carros da Dodge tanto na Nationwide quanto na Sprint. Sou fã do Keselowski e adoro ver ele representando os carros da Dodge. Ele se superou, deu a volta por cima depois daquele acidente no ano passado em que fraturou o tornozelo , venceu varias corridas e espero que isso possa acontecer com a Dodge futuramente.

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  3. A Nascar perde muito com a saida da Dodge, na minha opinião vai seguir com tres montadores sem graça e sem paixão….. vamos aguardar o retorno da Dodge….

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  4. Olá Felipe, é mesmo uma pena ver a Dodge deixando a Nascar, pois independente de qualquer outra coisa, o carisma do “Charger” na Cup e, nem se fala, o do “Challenger” na Nationwide, certamente farão muita falta. Os concorrentes são competentes tecnicamente, mas suas bolhas são completamente sem personalidade, exceto o Mustang da Nation, dando a impressão de torneio monomarca, como a Stock nacional.
    A equipe Penske, logicamente teve seus motivos para optar pela Ford, pois são do ramo há décadas e conhecem o caminho das pedras, mas a Ganassi também é equipe grande e, pelo que me consta, a mudança para a Chevrolet, não trouxe o time para a frente do grid. Se a troca não der certo, aí é que a equipe vai ficar mesmo sumida no meio do pelotão. Bem, sempre se poderá dar uma panca no “turbine truck” e chamar a atenção, contudo será uma alternativa bem mais radical, que as atropeladas do
    Dodge do Keselowsky nos finais das provas.

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  5. Felipe, me desculpe a sinceridade, mas você errou feio ao dizer que a Dodge não tem sedãs a serem considerados e que a marca teve parte dela destruída pela administração Fiat.
    Vejamos: o Grupo Chrysler (que além da Dodge inclui as marcas Chrysler, Jeep, Ram, SRT e Mopar) como um todo foi reerguido pela Fiat, que assumiu o controle acionário em meados de 2009 (hoje é dona de mais de 60% do conglomerado americano).
    Os produtos existentes foram melhorados, conforme a imprensa especializada mundial vem relatando, e novidades estão chegando, como o sedã médio Dodge Dart, que acaba de ser lançado na América do Norte, pra concorrer com Corolla, Civic e quetais. O carro é o primeiro projeto conjunto das engenharias americana e italiana (plataforma esticada e alargada do Alfa Romeo Giulietta).
    A Chrysler pagou no ano passado, anos antes do prazo, o gigantesco empréstimo que havia contraído com o governo dos EUA. São os lucros da Chrysler (e em parte menor, os da Fiat Brasil) que estão salvando as contas do Grupo Fiat, que está sofrendo demais com a crise europeia.
    O superesportivo Dodge Viper, que havia “morrido” em 2010, foi relançado neste ano, completamente reformulado, rebatizado de SRT Viper.
    “Irmão” do Chrysler 300C, o próprio Dodge Charger cuja imagem foi usada na Nascar (por iniciativa da administração Fiat) é, segundo a imprensa especializada, uma das melhores opções de sedã grande com personalidade esportiva nos EUA, sendo equipado com motores V6 e V8. Há inclusive a versão SRT8, com 475 cv.
    E ainda há muito mais pra ser dito sobre o renascimento da Chrysler, inclusive aqui no Brasil (neste ano, o grupo cresceu 60% nas vendas até agora, enquanto o mercado geral de importados caiu 20%).
    Portanto, Felipe, como jornalista que sou, faço aquela recomendação de sempre, e que você conhece bem: apure e cheque tudo o que for escrever, pois publicar uma opinião baseada em “achismo” pode resultar em algo muito diferente dos fatos reais.
    Um abraço!

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    1. Caro, obrgado pelas correções!

      Só que o fato de a empresa ter lançado o Dodge Dart e ter o Dodge Charger no mercado não a coloca como uma das primeiras opções no mercado de sedãs. E se voce for ver, foi isso o que eu disse. A grande maioria das pessoas que querem comprar um sedã não pensa na Dodge como uma opção.

      Quanto o Dart ser uma associação entre americanos e italianos, realmente eu não sabia. Obrigado por avisar! A imagem que eu tinha da Dodge/Fiat era a empresa italiana ter pegado os carros americanos – como a Journey – e transformado em seus próprios modelos.

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      1. OK, Felipe. Mas só pra concluir, você disse que “Hoje, ninguém compra carros da Dodge”. As marcas do Grupo Chrysler são as que mais estão crescendo nas vendas de 2010 pra cá, nos EUA…

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  6. Quanto a Fiat destruir a Dodge, eu não concordo com a afirmação, pois a Dodge se acabou muito antes da Fiat assumir, e o que a nova controladora fez, foi ir por um caminho diferente, já que no antigo esta provado que não deu certo, então, não há motivos para continuar como estava

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