Nunca vi um piloto com rejeição tão grande quando John Wes Townley. Ok, talvez Kurt Busch

Quem acompanha o World of Motorsport há algum tempo já notou que John Wes Townley é um personagem bastante recorrente. O americano, que divide as pistas da Nascar Truck Series com Nelsinho Piquet e Miguel Paludo, ganhou destaque quando competiu na Natonwide há alguns anos e praticamente não conseguia terminar uma corrida com o carro intacto.

Essa fama não mudou muito. Em 2012, ele continua provocando alguns acidentes e vez ou outra é alvo de alguns comentários mais maldosos. Além disso, correr com o patrocínio dos Barberitos – um restaurante mexicano – não ajuda muito.

Nesta terça-feira, dia 31, tudo mudou. Para pior. Townley foi anunciado pela equipe FAS Racing e vai disputar a etapa de Pocono da Sprint Cup, marcada para este final de semana. Essa será sua estreia na categoria.

Obviamente, a repercussão foi a pior possível. No Facebook da equipe, um fã logo se mostrou indignado: “John Wes Townley? Sério? Não tinha como encontrar um piloto melhor que ele? Putz, tomara que vocês não esperem o carro terminando inteiro”

Outro torcedor concordou com o anterior: “Exatamente. Eu ainda acho uma besteira contratar John Wrecks Weekly [algo como John “Bate-toda-semana” Townley em uma tradução livre]”.

Só que o mais impressionante veio em um artigo escrito pelo jornalista americano Jeff Gluck, do site SBNation, chamado “O Apocalipse se aproxima com John Wes Townley pronto para a estreia na Nascar Sprint Cup Series”. Você pode clicar aqui para lê-lo.

No texto, Gluck praticamente aponta Townley como responsável por todas as mazelas do mundo. Se há espaço para pilotos pagantes na Nascar, a culpa é de JWT. Se a Nascar não tem mais os melhores 43 pilotos do mundo, a culpa é de JWT. Se há queda na audiência da categoria americana, a culpa é de JWT.

Uma típica exibição de Townley

Evidentemente, isso é um exagero completo. Townley é/se tornou um piloto ruim, mas o maior prejudicado com tudo isso sempre foi ele. Em alguns textos aqui do blog, eu já afirmei que o grande problema do americano foi ter usado o patrocínio do restaurante do pai – Zaxby’s – para pular fases da carreira, o que destruiu o desenvolvimento dele como piloto. Só que JWT não é o primeiro piloto do mundo a fazer isso nem será o último.

Os grandes prejudicados com essa tática de pular de fase sempre são os próprios pilotos. Na F1, por exemplo, praticamente não há pilotos que jamais tenham disputado títulos na carreira. Quase todos foram campeões ou estiveram na briga pela taça até as rodadas finais em GP2, F3, F-Renault e etc. Quem apenas passou por essas categorias, não tem chances no campeonato principal.

Na Nascar, não é tão diferente. Por haver 43 vagas, obviamente o nível dos competidores não é tão grande em todo o grid, mas, no geral, os pilotos em equipes competitivas também fizeram história em todas as categorias em que disputaram antes de chegar à Nascar. E mesmo gente como David Gilliland e David Ragan, que estão em times mais fracos, também teve algum destaque nos campeonatos de base.

Entretanto, isso não quer dizer que não haja espaço para pagantes na Nascar. Sempre teve, como em qualquer outra categoria. Por que devemos criticar Townley por levar um caminhão de dinheiro à pequena FAS Racing e achar que está tudo bem ver Danica Patrick possivelmente tirando a vaga de Ryan Newman na equipe de Tony Stewart. Não acho que Danica seja uma pilota que tenha se destacado – ao menos nos últimos anos – pelo que tem feito na pista.

No final, Townley é um dos piores pilotos que eu já vi correr, mas é uma covardia muito grande colocá-lo como bode expiatório dos problemas da Nascar. É absurdo ouvir que um garoto é o responsável pela escalada de custos na categoria, pela previsibilidade das corridas, pela falta de investimentos em jovens promissores… JWT é no máximo o responsável pela próxima bandeira amarela da Nascar.