Adrian Quaife-Hobbs enfim pôde levantar a cobiçada taça de campeão da Auto GP

Não achei que este ano eu fosse fazer o primeiro post sobre um piloto campeão ainda no mês de julho. Geralmente as primeiras conquistas acontecem apenas no final de agosto, mas tudo bem.

Neste final de semana, Adrian Quaife-Hobbs finalmente conquistou a taça da Auto GP, em etapa realizada em Curitiba. O britânico dominou a temporada de uma forma inquestionável, mas teve péssimas exibições na capital paranaense. Ainda assim, toda aquela gordura acumulada pôde ser queimada, e o piloto garantiu a taça com uma rodada de antecipação.

É verdade que a precocidade da conquista aconteceu por causa do calendário bizarro da Auto GP, onde praticamente todas as etapas foram disputadas no primeiro semestre, tendo apenas os dois rounds da América – um no Brasil e outro em Sonoma, nos Estados Unidos – nos últimos meses de 2012. Mas esse é o preço que se paga para acompanhar o WTCC pelo mundo, então paciência.

De qualquer forma, o que eu mais gosto na Auto GP é a capacidade da categoria em premiar bons pilotos de forma significativa, mesmo com grids de qualidade questionável ou pistas distantes dos principais centros do esporte a motor.

Até agora, o campeão mais simbólico de todos foi Romain Grosjean. O título, conquistado em 2009, representou o início da reabilitação do francês, que havia sido defenestrado da F1 no ano anterior. Na ocasião, o atual titular da Lotus foi convidado a estrear no certame apenas na terceira rodada e mesmo assim garantiu a taça com uma etapa de antecipação. Ou seja, ele foi campeão tendo participado apenas de metade das corridas que os demais adversários.

No ano passado, foi a vez de Kevin Ceccon triunfar sobre Luca Filippi. Para o resto do mundo, a conquista não foi tão importante, mas para o automobilismo italiano representou uma renovação, afinal, um piloto de 19 anos (Ceccon) superou alguém que já estava na GP2 desde meados da década passada (Filippi).

Esse também foi o primeiro título da Super Nova desde… a era do gelo?

Mas o que tornaria a conquista de Quaife-Hobbs especial? Talvez ter sido a volta por cima da equipe Super Nova, que enfim pôde reviver os dias de glória na F3000 e voltar a ser campeã? Ou então o esquecido rival de Jean-Éric Vergne e Antonio Félix da Costa nas categorias de base finalmente ter seu talento reconhecido?

Na verdade, mais do que tudo isso, o título de Quaife é uma espécie de vitória do talento sobre o dinheiro. Desde o final da última temporada, o britânico negociou com algumas equipes da World Series by Renault – a Comtec e a Dams em especial – para se juntar à categoria em 2012. Aliás, mais do que isso, o piloto era quase considerado um nome certo no certame neste ano depois de dominar os treinos de pós-temporada em 2010.

Mas as negociações não evoluíram. A Dams e a Comtec acabaram escolhendo outros pilotos – e não digo que os atletas compararam a vaga –, mais atrativos que o inglês no pacote patrocínio + talento. Assim, longe do badalado grid da categoria, o piloto foi obrigado bater em outras portas para se manter em atividade.

Ele encontrou a tradicional equipe Super Nova e acabou decidindo participar de toda a temporada da Auto GP. No final, deu tudo certo. Nas primeiras cinco rodadas duplas, o inglês venceu cinco vezes, largou na pole-position em quatro oportunidades e só não terminou no pódio na segunda corrida do Marrocos, quando foi o quarto nas ruas de Marrakesh.

Aí veio a etapa brasileira, e Quaife mudou do vinho para a água. Ele errou na largada da primeira corrida e depois ainda foi prejudicado pela demora da equipe na parada dos boxes. Na segunda bateria, foi um desastre. O piloto liderava com uma vantagem de mais de 35s para Antonio Pizzonia, quando errou na entrada dos boxes, rodou, bateu e deu adeus à prova.

Como o domínio nas primeiras cinco etapas havia sido avassalador, esse erro patético acabou não sendo decisivo, e Quaife-Hobbes foi campeão da Auto GP em 2012.

No final, acho que o britânico fez um grande favor a si mesmo tendo vencido o campeonato. Como a GP2 tem procurado cada vez mais pilotos na Auto GP, acho que ele sai na frente por uma vaga em uma boa equipe em 2013. O problema é conseguir reunir o orçamento necessário, mas se conseguir é um nome fortíssimo para o próximo ano.