As garagens da Seat ficaram vazias no primeiro dia de treinos

A Seat não vai esquecer tão cedo a etapa de Curitiba do WTCC. A montadora espanhola passou por apertos na chegada ao Brasil, neste final de semana, por um problema na imigração. A confusão começou na chegada ao país, quando alguns funcionários da equipe foram barrados pela Polícia Federal. O motivo? São espanhóis.

Nos últimos anos, Brasil e Espanha travaram uma guerra diplomática na questão da entrada de estrangeiros. Com o país ibérico vivendo um falso milagre econômico nos últimos anos, ele endureceu os requisitos para entradas de estrangeiros – imigrantes – principalmente vindos de países em desenvolvimento. Em 2010, por exemplo, cerca de 1600 brasileiros foram barrados na chegada à Espanha.

O problema é que a bolha espanhola estourou e a crise econômica atingiu o país em cheio. Daí o fluxo mudou. Em busca de melhores condições, foram os espanhóis que passaram a vir ao Brasil. Como resposta, em abril, o governo brasileiro anunciou uma série de restrições para a chegada dos ibéricos no país.

Para entrar no Brasil, os espanhóis agora precisam apresentar passagem de ida e volta, comprovante de hospedagem e quantia em dinheiro equivalente a R$ 170 para cada dia que for passar aqui no país. Esses são os mesmos requisitos que a Espanha cobrava dos brasileiros. Esse tipo de cópia, digamos, chama-se princípio de reciprocidade.

Como as medidas entraram em vigor em 2012, a Seat até poderia se justificar dizendo que se preparou para vir ao Brasil da mesma forma que fez nas últimas temporadas. Mas, falando a verdade, não deixa de ser um amadorismo da escuderia em não conferir os requisitos do país.

Apesar dos problemas, os carros da Seat foram à pista

Quem acabou prejudicado com tudo isso foram os pilotos da montadora: Gabriele Tarquini e Aleksei Dudukalo. O russo, por exemplo, revelou que só teve dois engenheiros na pista na sexta-feira, dia 20, além de apenas alguns mecânicos.

Para contornar a situação, a Seat mandou os funcionários barrados de volta para Barcelona, onde pegaram um voo para Frankfurt. Depois, rumaram para Buenos Aires e atravessaram a fronteira brasileira de carro. Por fim, pegaram um avião para Curitiba e só puderam chegar ao autódromo para os treinos deste sábado.

Na minha opinião, a legislação no que diz respeito à imigração de cada país é, evidentemente, protecionista. Embora eu não entenda nada de relações internacionais, não vejo qualquer tipo de flexibilização para o futuro, até porque é um direito de cada país no que diz respeito à soberania nacional e até mesmo ao bem estar da população.

Assim, nesse caso não tem muito como pensar ‘ah, mas deveriam ter aberto uma exceção para os mecânicos do WTCC’. Não, e isso nem seria a coisa certa a se fazer. Acho que o problema foi a equipe ter se acomodado. É difícil pensar que alguém trabalha em um campeonato mundial e não confira os requisitos de entrada em cada país.

Para encerrar, seria engraçado ver o Alonso barrado na F1. Já imaginou ele precisando atravessar a fronteira de carro porque a Ferrari esqueceu um ou outro documento para liberar a entrada do espanhol na imigração?