A Nascar tem sido criticada pelas corridas fracas em 2012

A temporada 2012 da Nascar tem deixado alguns fãs frustrados com relação à competitividade. Durante muitos anos, a categoria americana ficou conhecida por ser um dos poucos certames no mundo em que praticamente todos os pilotos tinham chances de vitória. Mas neste ano não está sendo bem assim.

O principal problema é com as bandeiras amarelas. Não é novidade que as várias entradas do safety-car sempre foram um ingrediente para aumentar a disputa pela liderança. Afinal, além de reagrupar o pelotão, as intervenções do carro de segurança permitiam que os times apostassem em estratégias diferentes nos boxes.

Em 2012, isso não acontece. Para se ter uma ideia, no Texas e em Sonoma, a bandeira amarela só foi acionada em duas oportunidades. No Kansas, em três. Mas a pior de todas as corridas aconteceu na já chatíssima Califórnia, com apenas uma intervenção do safety-car.

Dessa forma, as provas ficam previsíveis, já que dois ou três carros mais rápidos se destacam nas primeiras posições e dominam toda a disputa, terminando com aquela coisa de que na Nascar qualquer piloto tem chances de vitória.

Bruton Smith tem sido alvo dos pilotos desde que estragou a pista e Bristol com uma reforma anos atrás

Quem resolveu entrar nesse debate e propor soluções foi o magnata Bruton Smith, dono da SMI, empresa que controla cerca de metade dos ovais da categoria. Nesta semana, o dirigente afirmou que a Nascar deveria fazer algumas mudanças para aumentar a competitividade. Em primeiro lugar, ele sugeriu que a direção de prova acionasse a bandeira amarela de tempos em tempos para reagrupar o pelotão. Depois, sugeriu pneus que se degradassem mais rápido, algo semelhante à F1.

Só que as sugestões de Smith repercutiram muito mal entre os pilotos. De uma forma quase unânime, os atletas criticaram a criação de uma corrida artificial a partir dessas bandeiras amarelas extras. Na verdade, os competidores têm certa razão. A própria definição de esporte implica uma disputa em que o melhor vença, então não deixa de ser injusto a criação de medidas extras para se ter uma competitividade artificial.

Por outro lado, me parece uma hipocrisia muito grande dos pilotos em criticar as bandeiras amarelas fantasmas, como se fosse algo que não existisse na Nascar. Afinal, quantas e quantas vezes a gente não viu o safety-car ser acionado durante um intervalo comercial sem maiores explicações do que aconteceu na pista, com a direção da prova se limitando apenas a dizer que havia detritos?

Talvez Bruton Smith tenha exagerado em sua solução, mas a Nascar também não é o que podemos chamar de uma categoria justa. Por exemplo, será que existe algo mais artificial que o Lucky Dog? Como um piloto que já perdeu a volta do líder ganha a chance de recuperá-la sem nenhum esforço, ainda mais por causa de uma batida em que ele sequer esteve envolvido?

Quanto à segunda solução, a dos pneus, talvez seja uma boa ideia, mas que precisa ser bem estudada. Em pistas como Bristol, parece um exagero os compostos durarem 250 das 400 voltas, mas em outros circuitos – principalmente nos ovais de 1,5 milha – o desgaste é um pouco mais elevado. E vale lembrar que quanto mais trocas de pneus maior é o custo para participar do campeonato. O que afeta, também, as equipes menores.

O que me agrada seria um composto parecido com o supermacio da F1. Que durasse apenas cerca de dez voltas – ou um Green-White-Checkered –, mas tivesse um desempenho muito melhor que o outro pneu da Goodyear. Aí, assim como na F1, esse composto seria restrito a apenas alguns jogos por final de semana de corrida.

Só que mesmo assim a Nascar continuaria artificial. No final, talvez as recentes mudanças na categoria – como o recape de algumas pistas e carros mais fáceis de se dirigir – tenham matado aquela lendária competitividade de todo o pelotão.