É ruim a saída da Chevrolet do WTCC?

A Chevrolet dominou o WTCC nos últimos anos. Agora, ela está fora

Geralmente no automobilismo, quando uma montadora anuncia que está deixando uma categoria é motivo para lamentar. Afinal, não há nada pior para a saúde de um campeonato que ver a saída de seus principais investidores. Só que esse não foi exatamente o caso no WTCC. Nesta quarta-feira, dia 4, a Chevrolet comunicou que está se despedindo da categoria.

A história da fabricante americana no Mundial de Carros de Turismo é bastante longa. A empresa se juntou ao campeonato logo na sua criação, em 2005, mas com um investimento muito menor que BMW, Seat e Alfa Romeo. No entanto, aos poucos as outras montadoras foram deixando o certame, abrindo espaço para os americanos.

Hoje, com BMW e Seat apenas apoiando de longe algumas equipes clientes, a Chevrolet não tem adversários. A empresa não diminuiu o volume dos gastos com o campeonato e por isso rapidamente se tornou a montadora dominante. Nos últimos anos, as corridas em que um carro azul e branco não terminou na primeira colocação foram raras.

E o sucesso da Chevrolet não é explicado apenas pelos gastos. É verdade, sim, que o Cruze é um carro mais desenvolvido que o Seat e que a BMW, cujo progresso ficou estagnado desde a saída das montadoras. Mas a Chevy também conta com pilotos melhores que as rivais. Do atual grid, não é absurdo dizer que apenas Gabriele Tarquini consegue fazer frente ao trio da Chevrolet.

Foi dessa forma que a montadora americana transformou o WTCC no principal exemplo de campeonato chato e pouco competitivo nas últimas três temporadas. Com um péssimo regulamento – com rodadas duplas formadas por corridas de apenas 20 minutos –, o que se viu foram domínios da Chevrolet em pílulas ano após ano. Talvez cansada dessa situação, a montadora finalmente pulou fora.

Será a Honda a nova Chevrolet no WTCC?

Para o WTCC, perder uma de suas principais investidoras obviamente é péssimo. Só que hoje a situação do certame não é tão ruim. Enquanto a Chevrolet vai embora, a Lada, a Honda e a Ford retornaram em 2012. E a Seat aumentou o investimento, mas de uma maneira muito discreta perto do montante anterior. Ou seja, hoje sai uma montadora, mas não um pilar de sustentação da categoria.

Então, com a Chevrolet fora, o que podemos esperar do WTCC a partir de 2013? Será um campeonato mais equilibrado entre as fabricantes e pilotos? Em uma visão ideal, sim. Sem uma empresa despejando milhões de dólares, teoricamente o certame deveria ficar mais emocionante. Mas o próprio histórico dos campeonatos de turismo indica um futuro ainda melancólico para o WTCC.

Em 2010, o BTCC tinha a própria Chevrolet como montadora dominante, mas em uma situação um pouco diferente do Mundial, pois havia outras fabricantes com chances de título. No início deste ano, a Chevy deixou o torneio britânico e viu a Honda assumir o posto de líder absoluta. A fabricante nipônica ganhou o título de 2011 e segue despejando muito dinheiro para garantir a primeira colocação por lá também em 2012, tendo ameaça apenas da chinesa Mg.

Ou seja, caso a Honda adote uma estratégia parecida no WTCC, podemos voltar a uma situação em que apenas uma fabricante vença corridas. É claro que os nipônicos podem optar por uma estratégia um pouco diferente. Vendo que há um corte de gastos em todo o grid, talvez decidam por um investimento menor, possibilitando até mesmo disputas pela vitória.

Aí, quem sabe o grid do WTCC não volte a crescer. Afinal, além Ford, Honda, Lada, Seat e BMW, a Volvo poderia retornar ao campeonato. Os suecos disputaram o certame em 2011, mas decidiram abandonar o barco por causa justamente dos altos custos necessários para ser competitivo contra a Chevrolet. Agora, sem os americanos, talvez os nórdicos possam mudar de ideia e, levando em conta toda a crise recente no automobilismo sueco, o Mundial pode ser um novo caminho.

Por outro lado, a saída da Chevrolet também indica um enfraquecimento do grid do WTCC. Para que o campeonato volte a atrair bons pilotos, é necessário que haja interesse de grandes empresas. Se as montadoras pulam fora, os atletas contratados acabam sendo pagantes, gentleman drivers e até mesmo competidores de um terceiro escalão, já que os nomes mais promissores acabam escolhendo correr em Le Mans ou no GT.

Assim, a saída da Chevrolet não significa necessariamente crise para o WTCC. Na realidade, é um novo começo para a categoria, que pode evitar os vícios dos anos anteriores para promover a competitividade e atrair empresas dispostas a investir, mesmo em um período de recessão econômica global.

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