A internacionalização da V8 Supercars

Jacques Villeneuve vai competir na V8 Supercars com o carro da Pepsi

A V8 Supercars está vivendo um momento curioso em 2012. Com a popularização da categoria internacionalmente, nunca tantos pilotos fora do eixo Austrália- Nova Zelândia estiveram presentes no campeonato.

Tudo começou há alguns anos, quando a organização da categoria passou a obrigar as equipes a escolherem um competidor famoso internacionalmente para disputar a etapa de Surfers Paradise, ao lado dos participantes regulares. Pouco a pouco, essa medida não só fez com que o campeonato passasse a ser acompanhado em outras partes do mundo como também gerou interesse pelo certame nos próprios atletas.

O processo continuou no início de 2012, quando a equipe de Garry Rogers precisava de um substituo após perder Lee Holdsworth para a Ford. Conhecido por revelar alguns dos principais pilotos do campeonato (como o megacampeão Jamie Whincup, por exemplo), o time surpreendeu ao ignorar as categorias de base e acabou escolhendo pelo francês Alexander Prémat, que havia deixado a Audi no DTM.

Depois, essa internacionalização deu uma acalmada. Praticamente as únicas notícias vindas sobre os pilotos europeus diziam respeito à etapa de Gold Coast, além da confirmação de que Christian Klien vai também correr em Bathurst, mas nada demais até aí.

Só que uma nova reviravolta aconteceu nesta quinta-feira (21). A equipe Kelly anunciou que o andarilho Jacques Villeneuve vai substituir o neozelandês Greg Murphy na rodada de Townsville, no próximo final de semana. O piloto titular sofreu um grave acidente no início do ano, em Adelaide, e vinha tendo David Russell, que compete em um dos campeonatos de acesso, como substituto.

A participação de Villeneuve deve ser apenas para essa etapa, mas mesmo assim já levantou alguma discussão. Afinal, do que adianta montadoras e equipes investirem nos campeonatos de acesso se quando abre uma vaga no certame principal os times recorrem aos pilotos internacionais?

Apesar das reclamações, essa é uma discussão que não deve evoluir. É óbvio que uma das consequencias da internacionalização de um campeonato é o aumento da qualidade do grid. Assim, aos poucos os pilotos mais fracos vão ficando de fora para a chegada de gente que tem um currículo um pouco mais recheado.

Quanto aos jovens pilotos das divisões de acesso, eles não precisam ficar preocupados. Aqueles que forem realmente talentosos devem continuar a avançar sem problemas para o campeonato principal, afinal há uma demanda de patrocinadores e até mesmo de audiência para ter australianos – e neozelandeses – brigando pela primeira posição.

A V8 Supercars só precisa evitar que a situação saia do controle, como aconteceu na Indy, que durante muito tempo praticamente não teve pilotos americanos. Fora isso, pensando também do lado dos torcedores, deve ser muito mais legal ver dois pilotos com experiência de F1 se juntando à categoria, mesmo que para uma única etapa, no lugar de uma eterna promessa das categorias de base, por exemplo.

3 comentários sobre “A internacionalização da V8 Supercars

  1. Fazendo um paralelo com a situação vivida pela V8 Supercars, existe o fenômeno ocorrido na DTM nos anos 90 e a situação atual da categoria alemã. Houve uma internacionalização da categoria a partir de 1994 (culminando no ITC entre 1995 e 1996), onde levaram várias etapas para fora da Alemanha e os pilotos locais sumiram do grid. Isso, além da elevação de custos, afugentou o público. Hoje, a DTM, apesar de contar com um bom número de estrangeiros, mantém raízes alemãs, com marcas, provas e patrocinadores locais, mantendo a atenção dos fãs locais, mas atraindo audiência fora do país. Tarzer uns 4 ou 5 “gringos” só aumenta o brilho da categoria e faz com que os “nativos” busquem superar os pilotos famosos.

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    1. Diogo, você tem razão. O DTM atual não é o mesmo daquela época, sendo só a sigla a mesma. Eles precisaram refazer o campeonato para tentar recuperar o prestígio e tambem a participação das montadoras

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