Cesar Ramos
Cesar Ramos vai substituir Richie Stanaway na World Series by Renault e precisará mostrar bons resultados

Cesar Ramos recebeu uma rara segunda chance na carreira. Depois de ficar a pé no início de 2012, por falta de patrocínio, o brasileiro acertou com a Lotus para substituir Richie Stanaway na World Series by Renault.

Nesse momento, alguém pode dizer que o gaúcho não tem nada a perder, afinal, como ele não tinha nenhum plano de correr na WS, em 2012, o que conquistar na categoria a partir de agora será lucro.

Não concordo com esse tipo de raciocínio. Pensar assim não deixa de ser uma forma de desperdiçar a oportunidade recebida. A verdade é que Ramos entra mais pressionado que nunca para conseguir bons resultados. Para que essa nova chance o deixe próximo de uma categoria maior, ele realmente precisa corresponder na pista, brigando tanto por pole-position quanto por vitórias.

E Cesar tem equipamento para isso. O carro da Lotus já se mostrou um foguete, com Stanaway terminando nas primeiras posições durante boa parte da pré-temporada, enquanto Marco Sorensen, o outro piloto da equipe, venceu a primeira corrida da última etapa, em Spa-Francorchamps.

Além disso, na comparação direta, não dá para dizer que o brasileiro é pior piloto que Stanaway. Ambos tiveram carreiras parecidas antes de chegar à World Series by Renault. É verdade que o neozelandês ficou famoso ao conquistar resultados meteóricos, mas também é fato que ele disputou campeonatos mais fáceis.

Depois de sair da Nova Zelândia, Stanaway foi campeão da ADAC Masters, em 2010, e da F3 Alemã, no ano passado. No primeiro torneio, venceu 12 das 18 etapas que disputou (e terminou em segundo em outras cinco oportunidades). Os números, obviamente, foram excelentes, mas o restante do grid era de uma qualidade questionável, com Patrick Schranner, Mario Farnbacher e William Vermont terminando em seguida. Na F3, foram 13 vitórias em 18 corridas, mas correndo contra Sorensen, Klaus Bachler e Alon Day.

Ramos, por sua vez, disputou a F-Renault em 2008, tanto o campeonato italiano quanto o europeu. Foi sexto no primeiro e sétimo no segundo, mas enfrentou gente como Valtteri Bottas, Daniel Ricciardo, Roberto Merhi e Jean-Éric Vergne. Dois anos depois, em 2010, o brasileiro foi campeão da única vez na história que a F3 Italiana teve um grid decente, ao deixar Stéphane Richelmi, Andrea Caldarelli, Jesse Krohn, Gabby Chaves, Cristopher Zanella e Alex Fontana para trás.

No entanto, a partir de agora, Cesar não vai ser avaliado pelo que fizer em relação a Stanaway, mas, sim, contra o restante do grid da World Series. Até porque o neozelandês tinha disputado somente cinco corridas e somado apenas oito pontos (um sexto lugar) antes de sofrer o forte acidente em Spa. O brasileiro, por sua vez, terá ao menos o dobro de oportunidades – cinco rodadas duplas – para mostrar resultado.

Nesse momento, o mínimo que se espera de Ramos é que ele mostre uma evolução com relação à temporada passada. Em 2011, correndo pela Fortec, o brasileiro obteve duas pole-position e terminou duas vezes na quarta colocação como melhor resultado. Sendo assim, a partir de agora, ele pelo menos deve mostrar uma maior consistência tanto na posição de largada quanto na briga pelo pódio.

Do contrário, o piloto talvez seja obrigado a assistir ao próximo campeonato pela televisão. Enquanto isso, dos demais integrantes da geração de 2011, dois já estão na F1 (Jean-Éric Vergne e Daniel Ricciardo) e um chegou ao DTM (Robert Wickens). Portanto, inspiração não falta.