As previsíveis 24 Horas de Le Mans de 2012

A Audi não teve dificuldades para vencer as 24 Horas de Le Mans. E isso foi chato. Antes de anoitecer, já sabíamos quem ia ganhar

A edição de 2012 das 24 Horas de Le Mans finalmente chegou ao fim. Ao contrário dos últimos anos, dessa vez não houve uma batalha real pela vitória. Sem a Peugeot, que decidiu pular fora dos campeonatos de endurance no início do ano, a Audi não encontrou adversários para dominar em Le Sarthe.

É verdade que a Toyota surgiu e até não fez feio durante a competição. Mas a batalha entre as duas montadoras durou pouco mais que 5h no tradicional circuito francês. Depois disso, a briga pela vitória ficou entre os próprios carros da Audi. Ainda que Allan McNish e Marcel Fässler tenham se esforçado para perder a corrida, a vantagem da montadora germânica para o restante do grid é tão grande que mesmo assim não tinha como sair derrotada. Quem saiu perdendo com tudo isso, claro, foi o fã do automobilismo, que se preparou para assistir à corrida e acabou tendo uma apresentação abaixo do esperado.

Pessoalmente, eu não gosto das 24 Horas de Le Mans. Não tenho nada contra o endurance ou contra corridas de longa duração, mas acho que, na França, o formato como a corrida é mostrada para o restante do mundo – ou seja, para quem não está lá – está desgastado.

Digo isso com alguma base. Acho que até já falei por aqui, mas uma das ideias que eu tinha para minha monografia era analisar a cobertura das 24 Horas de Le Mans, principalmente durante a noite. Para quem não sabe, por questões de segurança, as câmeras do circuito são desligadas nesse momento, e a corrida só pode ser acompanhada pelo helicóptero, por câmeras on-board ou por vídeos de segurança. É por isso, por exemplo, que não havia uma câmera filmando o grave acidente de Mike Rockenfeller em 2011.

A alternativa encontrada pelas emissoras é filmar os boxes. Ou seja, são praticamente seis horas seguidas de carros sendo puxado para as garagens, trocas de pneus, pilotos e reabastecimento. Para tentar prender o público nesse momento, a uma das soluções é bolar factoides. Isto é, é aquela tentativa de criar drama e suspense em cenas comuns, como um carro sendo recolhido para uma rápida revisão, ou alguém que rodou.

Enquanto isso, fica um repórter nas garagens, tentando entrevistar um piloto cansado após um longo stint para fazer aquela tradicional pergunta repetida à exaustão: “o que muda agora que anoiteceu?”. Além disso, também há aquela tentativa de empurrar que de noite é mais perigoso por causa da falta de visibilidade. O que não é bem verdade, já que os graves acidentes acontecem em qualquer momento.

Satoshi Motoyama consertando sozinho o Delta Wing foi a grande imagem de Le Mans em 2012

Outra coisa que atrapalha um pouco as disputas é a própria extensão da pista. Nem mesmo a entrada de um safety-car consegue dar maior emoção, já que são três carros de segurança, o que acaba separando ainda mais os competidores.

Assim, a conclusão que eu chego é que as 24 Horas de Le Mans são uma prova muito específica, em que as histórias dentro e – principalmente – fora da pista valem mais que as disputas em si. Só que sem Peugeot e com a Toyota ainda engatinhando, dessa vez não teve essas histórias.

Sem dúvida nenhuma, o grande momento da corrida foi o esforço de Satoshi Motoyama para consertar sozinho o Delta Wing após um acidente com Kazuki Nakajima. Essa foi a imagem mais marcante, mas foi algo que aconteceu com pouco mais de 6h ou 7h de prova. Depois disso ainda houve um duelo entre os dois Audi e-tron quattro, mas que não fez tanta diferença, já que o vencedor certamente seria um carro da montadora germânica.

Dito isso, para encerrar, o balanço que faço é que as 24 Horas de Le Mans vivem um momento de transição. Acabou uma geração que foi marcada pela disputa da Audi com a Peugeot – e a Aston Martin um pouco mais atrás – e começa uma fase de em que os germânicos vão ter que lidar com a Toyota e com a Porsche, que já anunciou o retorno a partir de 2014. Além disso, seria muito bom caso o Delta Wing retorne fortalecido nos próximos anos.

Afinal, por sua peculiaridade, a corrida de Le Mans precisa de histórias para ocupar as 24h de disputa. E não tem história mais chata que já saber que é o vencedor – ainda que faltando definir qual carro – antes mesmo de escurecer.

P.S.: no início do ano, eu tinha escrito um post falando que um dos segredos do sucesso da Audi em Le Mans era a montadora olhar com atenção para o automobilismo japonês. Mais uma vez deu certo para eles. Para relembrar o texto, basta clicar aqui.

5 comentários sobre “As previsíveis 24 Horas de Le Mans de 2012

    1. Acho que não daria muito certo. Já imaginou apostar na Mega Sena em, por exemplo, 12 44 49 51 Audi e Starworks? Acho que eles não acietam esse tipo de coisa.

      Entretanto, ao contrário da Mega Sena, onde voce jamais vai ganhar alguma coisa, aqui você terá uma premiação especial: poderá refazer seu comentário e explicar o que não concorda com o meu texto! Isso tudo de graça! Afinal, eu tenho minha opinião sobre a corrida, mas ficaria muito feliz em ouvir que tem uma ideia contrária, igual o nosso amigo Hellcat fez em um comentário abaixo.

      Obrigado!

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  1. Discordo completamente, Felipe, completamente.Simplesmente não tem como uma corrida de 24 Horas ser emocionante o tempo inteiro, ainda mais em um circuito grande (e lindo, diga-se) e onde vemos uma diferença tão grande entre as equipes.
    O que poderia ajudar é se houvesse mais continuidade no endurance, já que de temporada pra temporada mudam 70% das equipes, carros e pilotos, a Audi que não tem nada a ver com isso, segue estruturada, rica e vencedora, se víssemos mais tenacidade de Aston Martin, Peugeot e Honda/HPD/Acura, com certeza teríamos outro panorama.
    Em se tratando de domínio, nem a Nascar, que é uma categoria inteiramente pensada para ser competitiva, escapa disso, vide as intermináveis corridas da Truck e Nationwide com algum figurão da Cup passeando na frente da molecada. “Ah, mas a Sprint..” também não escapa, as 600 milhas de Charlotte desse ano, por exemplo, foram broxantes, e longas.
    Acho que e transição que se dá no endurance hoje é a da entrada de muito mais times e pilotos profissionais, o que tem sido excelente para a P2.
    Sempre falo isso para os meus amigos que reclamam da F1, automobilismo pode ser show, mas não é sempre, e isso é normal, afinal qual o esporte que é emocionante o tempo inteiro?

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    1. Pelo Twitter ele disse que quer correr no ano que vem. Acho que com o WEC ficou mais difícil, já que as equipes querem maior disponibilidade dos pilotos. Fora isso, ele ficaria com a 3ª vaga em algum time da Nissan

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