Bruno Bonifácio superou a inconsistência de resultados para assumir a liderança da F-Abarth

A temporada 2012 da F-Abarth está sendo bastante emocionante. Ao menos para nós, brasileiros, já que os pilotos do país estão dominando a categoria. Ok, tirando certo exagero, o panorama é bastante diferente dos últimos anos. Até o início da temporada, o Brasil havia vencido apenas duas vezes no campeonato, ambas em 2010, no ano de estreia da categoria. Victor Guerin conquistara a vitória na corrida curta da etapa da Umbria, enquanto André Negrão terminara com a primeira colocação no evento de exibição, em Spa-Francorchamps.

Em 2012, a situação mudou. Já são cinco conquistas. No segundo ano na categoria, Nicolas Costa venceu duas vezes – em Valência e em Hungaroring –, enquanto Bruno Bonifácio já tem três triunfos. Além de ter terminado na primeira colocação por duas vezes na Hungria, o brasileiro também ganhou uma das corridas da etapa de Mugello, no último final de semana.

Aliás, o desempenho do piloto paulista tem sido bastante curioso. Em nove corridas disputadas até aqui, ele abandonou duas vezes. No entanto, subiu ao pódio em todas as demais. Além das três vitórias, Bruno já conquistou dois segundos lugares e dois terceiros, além de duas pole-position.

Como resultado, o brasileiro assumiu a liderança do campeonato com uma vantagem de cinco pontos para o companheiro de equipe Luca Ghiotto. Nicolas Costa, por sua vez, também está na briga, ao ocupar a terceira colocação, com dez pontos a menos que o compatriota.

Considerado um dos favoritos ao título desde a pré-temporada, não havia muitas dúvidas de que Bonifácio se mostraria um piloto rápido. Desde o início do ano, quando disputou a Toyota Racing Series, na Nova Zelândia, o brasileiro já havia liderado treinos competindo com alguns dos pilotos mais badalados das categorias de base, como Raffaele Marciello – da Academia da Ferrari –, Felix Serralles, Hannes Van Asseldonk e Lucas Auer (sobrinho de Gerhard Berger).

O uruguaio Santiago Urrutia é o outro grande destaque da F-Abarth em 2012

A questão era ver ser o brasileiro poderia acumular resultados consistentes. Na Nova Zelândia, uma série de erros – principalmente em largadas e relargadas – acabou custando chances reais de pódios. Na Itália, parece que essa fase ficou para trás. Assim, a partir de agora, o principal desafio de Bruno será manter os bons resultados para começar a pensar em título. Ainda restam cinco rodadas para o final da F-Abarth, e nada está definido.

Apesar de o campeonato ainda estar completamente indefinido, algumas coisas já são possíveis apontar. Por exemplo, no ano passado, Bonifácio se tornou o primeiro piloto da classe Light a marcar uma pole-position na classificação geral da F3 Sudamericana desde João Paulo de Oliveira, em 1999. Se em um primeiro momento era possível questionar o feito, já que a F3 vem sofrendo com a falta de pilotos, agora já começa a ficar mais claro que o paulista não saiu na primeira colocação por acaso.

Para encerrar, Bonifácio é o principal nome desse início de temporada 2012 da F-Abarth, mas não é o único destaque. Quem também vem chamando a atenção é Santiago Urrutia, um raro representante do Uruguai no automobilismo europeu. Com apenas 15 anos de idade, o sul-americano conquistou a primeira vitória da carreira na última semana, em Mugello, ao se aproveitar do grid invertido na corrida curta. Só que o triunfo não veio por acaso. Esse foi o quarto pódio do garoto na temporada.

Por causa dos resultados, Urrutia já vem sendo comparado ao também uruguaio Gonzalo Rodriguez, que morreu em 1999 em uma etapa da Indy em Laguna Seca, correndo pela Penske.

É um certo exagero a comparação Urrutia/Rodrigues, mas a verdade é que não há muitos pilotos do Uruguai para servir de parâmetro. Da mesma fora, também não é certo comparar Bonifácio com João Paulo de Oliveira.  Por outro lado, quem ganha com tudo isso é a F-Abarth. Mesmo em uma temporada com um grid tão esvaziado, a categoria mostra que pode atrair alguns dos principais talentos do automobilismo mundial, algo que os garotos que pretendem sair do kart em 2013 certamente já estão de olho.

Agora resta ver se, primeiro, esses pilotos terão condições de manter o alto nível de desempenho no restante de 2012 e, depois, se eles serão páreo para os rivais vindos de outros campeonatos quando derem prosseguimento às carreiras.