Alguém achou que o desempenho de Bruno Senna em 2011 foi digno de prêmio. Vai entender…

Os fãs de Bruno Senna tiveram uma boa notícia nesta terça-feira, dia 12. O brasileiro foi o vencedor do Trofeu Lorenzo Bandini, que é dado ao jovem atleta de destaque da temporada anterior da F1.

No entanto, a escolha de Senna surpreendeu, afinal o brasileiro só disputou oito etapas com a Lotus (então Renault), chegando ao Q3 em Spa-Francorchamps e obtendo o nono lugar no GP da Itália apenas. Ou seja, ele não teve muitas exibições que pudessem justificar a conquista. Por isso, a eleição de Bruno chegou a ser contestada.

Mas a verdade é que não havia muitas opções para o título. O trofeu é dado para um piloto promissor, mas o vencedor nunca é repetido. Assim, em 2011, tivemos uma F1 previsível, dominada por um único piloto – Sebastian Vettel – que já havia sido o ganhador do Lorenzo Bandini há três edições.

Mark Webber, Jenson Button, Lewis Hamilton, Fernando Alonso, Felipe Massa e até mesmo Nico Rosberg já haviam vencido a premiação, então os organizadores não tinham grandes opções. Pela ordem da tabela de pontos de 2011, o primeiro competidor que jamais levou o trofeu foi Adrian Sutil, que terminou em nono lugar.

Porém, seria um anticlímax muito grande premiar um cara que sequer está na F1 e se viu envolvido no noticiário devido a uma luta em um bar contra um dirigente que saiu ensanguentado. Depois de Sutil, o próximo na classificação havia sido Vitaly Petrov. Em termos de desempenho, o russo merecia a condecoração: ele foi o primeiro piloto do país da vodka e da Lada a subir ao pódio da F1 e também não teve muitas dificuldades para acompanhar o ritmo de Nick Heidfeld.

Só que pelo conjunto da obra, a verdade é que Bruno Senna é um nome melhor. É verdade que o brasileiro ainda não teve muito tempo para mostrar na F1 do que é capaz, mas ele é inegavelmente um bom piloto. Não é um gênio, mas tanto nas categorias de acesso quanto no campeonato principal – especialmente em 2012 – ele já mostrou que está no mesmo nível dos pilotos que compõem a metade do pelotão.

E Bruno ainda tem uma história respeitável. Ele viu o tio – um dos maiores ídolos do esporte brasileiro – morrer justamente em uma corrida de F1, desistiu do esporte, voltou, chegou à categoria principal pela fraca Hispania, aceitou a vaga da reserva da Lotus e soube esperar o momento certo de voltar à titularidade e, por fim, vem fazendo boas corridas.

Alguém ainda poderia argumentar que Kamui Kobayashi e Paul Di Resta tiveram boas campanhas em 2011 e por isso mereciam o trofeu. É verdade, mas acho que os organizadores resolveram evitar uma nova encruzilhada. Como o grid da F1 não deve se renovar muito nos próximos anos, talvez eles tenham optado por deixar esses pilotos de fora nesse momento, sabendo que eles podem alcançar voos mais altos.

Assim, Di Resta e Kobayashi podem ser condecorados quando estiverem na briga por vitórias e, quem sabe, até mesmo pelo título Mundial. Os organizadores, por sua vez, também evitaram queimar a chance de premiar esses atletas e apenas empurrar a falta de opção para os próximos anos.

No fim, fica claro que Bruno Senna não era o melhor nome com relação ao que produziu na temporada passada, mas em um contexto geral e analisando também a carreira do brasileiro como um todo talvez não houvesse opção tão boa.