Depois de irritar os estudantes canandeses, Jacques Villeneuve também não fez amigos na transmissão brasileira da F1

Quem acompanha a F1 já percebeu que a emissora oficial brasileira adotou uma nova postura na transmissão desde o GP de Mônaco. Agora, a cobertura começa algum tempo antes da corrida e se estende até a hora da largada, além da prova em si, obviamente.

Outra mudança, mas que também faz parte do novo pacote das transmissões, são as 625.312 novas câmeras que eles têm à disposição no final de semana. Assim, enquanto o mundo inteiro assiste a nada, nós continuamos vendo nada, mas a partir da câmera on-board de Felipe Massa.

Além disso, há câmeras acompanhando os repórteres também. Por acaso, em Montreal, uma dessas flagrou Jacques Villeneuve, que estava assistindo à corrida calmamente. O repórter global se aproximou e fez duas perguntas ao canadense – sobre Gilles e sobre a corrida. O piloto, por sua vez, educado como sempre é – e digo isso sem nenhum sarcasmo, juro – respondeu às questões. Falou que estava feliz em ver as homenagens ao pai, mas afirmou que a corrida não estava tão boa e disse que naquele momento estava entediado.

A verdade é que o canadense não mentiu. A corrida em Montreal realmente começou boa, mas deu uma esfriada no trecho intermediário. Em determinado momento, parecia que Sebastian Vettel, Lewis Hamilton e Fernando Alonso iam disparar e a briga pela liderança acabaria ali.

Claro que sempre pode acontecer alguma coisa para mudar esse cenário. Por exemplo, o safety-car poderia ter sido acionado ou então algum estrategista maluco ter achado que um carro de F1 pudesse completar mais de 50 voltas com o pneu macio na alta temperatura canadense sem perder desempenho. Mas essas são coisas improváveis, certo?

Errado! Por algum motivo desconhecido, os engenheiros de Ferrari e Red Bull acharam que não tinha problema fazer uma parada ainda antes da 20ª volta e ficar com o mesmo pneu por mais de 50 giros. Afinal, o que poderia dar errado? No final, tanto Vettel quanto Alonso perderam pódios garantidos e ficaram ali em uma desgostosa batalha pelo quarto lugar.

Ao final da prova, a transmissão oficial se lembrou de Villeneuve e, em uma espécie de revanchismo, disse algo como o canadense não ter assistido à mesma corrida. Para falar a verdade, achei desnecessário esse comentário.

É que são momentos distintos da prova. Villeneuve não estava contente com a corrida na metade e é óbvio que ele não sabia o que ainda iria acontecer até o final. Em nenhum momento ele criticou a F1 ou o evento como um todo, disse apenas que não estava gostando do que tinha visto até então. É a opinião de alguém que já deve ter disputado corridas em quase todos os países do mundo e, portanto, já viu muita coisa no esporte a motor.

No sábado à noite, a Indy realizou a etapa do Texas, e foi uma das provas mais emocionantes dos últimos tempos na categoria americana. Graham Rahal assumiu a liderança nas voltas finais, mas acabou tocando no muro no penúltimo giro, antes de entregar a vitória a Justin Wilson. Animado, não?

Pois é, mas antes disso, boa parte da corrida foi dominada por Scott Dixon. Ou seja, quem tivesse assistido à disputa até aquele momento poderia dizer que estava entediado, assim como Villeneuve no Canadá. Assim, tanto em Montreal quanto em Fort Worth, as voltas finais transformaram uma corrida boa, mas com momentos mornos em etapas que rapidamente se tornaram um clássico das respectivas categorias.

É por isso que a crítica a Villeneuve não foi legal. No entanto, vale lembrar que a F1 é um produto, vendido pela própria emissora a anunciantes e telespectadores. Aí,  justamente na transmissão desse produto, um dos entrevistados diz algo como “não está muito legal”. Então, comercialmente falando, dá para entender a revolta no final do prova, porém é estranho entrevistar um cara para tripudiar da opinião dele ainda mais um contexto diferente.