A virada da HRT

A HRT atual pouco lembra a Hispania que estreou em 2010

O equilíbrios nos treinos para o GP do Canadá entre as três maiores equipes da F1 – Red Bull, Ferrari e McLaren – ganhou todas as atenções em Montreal. No entanto, o verdadeiro destaque das atividades na Ilha de Notre Dame é a HRT.

Quem diria que o dia em que a menor equipe do grid deixaria a última colocação finalmente chegou? Neste final de semana, os espanhóis não tiveram a menor dificuldade em deixar a Marussia para trás desde os primeiros treinos. Na definição do grid de largada, Pedro de la Rosa foi quase 0s8 mais rápido que Charles Pic e 0s5, que timo Glock. O pioto também terminou ‘apenas’ 0s8 atrás de Jean-Éric Vergne em uma Toro Rosso.

O bom desempenho fez com que De La Rosa soltasse uma frase que instantaneamente já virou um clássico da F1: “Podemos brigar com qualquer um”.

Há certo exagero na reação do experiente, piloto, claro, mas a HRT de hoje em nada lembra o time que estreou na F1 há dois anos. Hoje, a equipe tem uma nova – na Caja Mágica – em Madrid, onde os engenheiros (por incrível que pareça) trabalham em atualizações para os carros. Algo completamente impensável nos tempos de Bruno Senna e Karun Chandhok.

Um exemplo dessa evolução está no Speed trap, o famoso radar de velocidade da F1. Geralmente, ao longo do ano, a HRT fica com as últimas posições entre as maiores velocidades, brigando apenas com Marussia pela último posto. No Canadá, De La Rosa ficou com a segunda marca, perdendo apenas para o carro da Sauber de Kamui Kobayashi. Isso em uma pista que quase metade dela é formada por retas.

Assim, não dá para dizer que a equipe esteja crescendo a passos largos, mas já é uma melhora para quem acabou de deixar a última posição do grid.

Mas a verdade é que a HRT sempre foi bem no Canadá. Como o carro é aerodinamicamente inferior aos concorrentes, em uma pista que precisa de menos downforce, como Montreal, a tendência é que o time espanhol não tivesse um prejuízo tão grande. Mesmo em 2010, com o carro sofrível, Senna conseguiu se classificar na frente de Lucas Di Grassi (então na Virgin) e ficou ‘somente’ 4s5 atrás do pole-position, Lewis Hamilton.

Naquela época, a diferença do time espanhol para a Caterham também era de menos de 1s, com as três equipes estreantes tendo um ritmo de classificação muito parecido.

Outro detalhe é que o desempenho da HRT pode ser subavaliado devido ao nível dos pilotos. Isto é, muita gente acredita que a equipe não é tão ruim quanto parece, mas acaba ficando atrás da Marussia – e tomando um temporal da Caterham – porque a dupla de pilotos é inferior que a dos adversários.

Em 2010, por exemplo, por mais promissores que Senna e Chandhok fossem, a Virgin tinha o experiente Timo Glock, que conseguia colocar o carro rubro-negro na frente da HRT. Ano passado, quando Daniel Ricciardo entrou na equipe, foi uma questão de tempo para ele começar a superar Jérôme D’Ambrosio. O problema agora, em 2012, é que De La Rosa não é nenhum gênio do esporte – embora tenha séculos de experiência como reserva da McLaren – e Narain Karthikeyan de fato está abaixo dos concorrentes.

Assim, talvez o carro da HRT não é tão fraco quanto parece, ao menos em comparação com as demais equipes nanicas. É por isso que nos treinos dos novatos, nivelado por baixo, o time de Luis Pérez-Sala raramente termina na última posição.

Voltando ao Canadá, em termos gerais, a situação da HRT não mudou. A equipe vai continuar largando no fim do grid, enquanto busca o almejado décimo lugar – e suas premiações inclusas – no Mundial de Construtores. Obviamente, falar em pontos é um exagero muito grande, mas o time espanhol começa a fazer tudo certo para que isso aconteça.

Afinal, no dia que houver uma zebra muito grande entre as equipe estabelecidas, a HRT precisa estar na frente de Caterham e Marussia se quiser contabilizar o sucesso.

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