Ao contrário dos companheiros de equipe na Nascar, Joey Logano não compete na Nationwide apenas para engordar as próprias estatísticas

Não é de hoje que a participação dos pilotos da Sprint Cup na Nationwide vem sendo criticada. Essa questão polêmica ganhou mais um capítulo neste sábado, dia 2, quando Joey Logano venceu em Dover. O piloto da equipe de Joe Gibbs assumiu a liderança da prova faltando apenas seis voltas para o final, quando ultrapassou Ryan Truex, que sequer compete de forma integral na categoria.

Durante toda a prova, Logano foi o piloto dominante, mas ele acabou perdendo tempo nas voltas finais atrás de retardatários e carros mais lentos quando optou por ir aos boxes e colocar pneus novos. Truex, por sua vez, aproveitou o infortúnio do companheiro de equipe para abrir na liderança, mas com os compostos mais gastos acabou sendo presa fácil no fim da corrida.

Assim, mais uma vez a presença de um piloto da Sprint Cup tirou a vitória de algum garoto da Nationwide, que tenta se firmar no esporte. Não é absurdo pensar que Truex vai sofrer da mesma síndrome que atacou Sergio Pérez, Takuma Sato e J.R. Hildebrand. Esses pilotos tiveram grandes atuações nos últimos anos em uma determinada corrida, mas acabaram com o segundo lugar – exceto o japonês, que bateu na última volta da Indy 500.

Ou seja, quem assistiu às provas, sabe que eles foram os nomes de destaque, mas para a história das respectivas categorias, eles não serão mais lembrados. Por outro lado, daqui a muitos e muitos anos, as estatísticas vão contar que Pastor Maldonado venceu uma corrida em 2012 ou que Logano triunfou em Dover.

Por outro lado, é injusto colocar a participação de Logano na Nationwide no mesmo grupo que Carl Edwards, Kyle Busch e Clint Bowyer, por exemplo. Nos últimos anos, esses pilotos desceram ao campeonato de acesso para buscar vitórias e títulos fáceis para engordar suas estatísticas, mesmo que isso significasse enfrentar pilotos teoricamente mais fracos.

Logano, por sua vez, enfrenta uma má-fase na Sprint Cup. Em 12 corridas neste ano pela divisão principal, o piloto conquistou apenas três top-10 e terminou na volta do líder em apenas quatro oportunidades, ocupando a 16ª colocação na tabela. Em 2011, haviam sido apenas quatro top-5 e seis top-10. O resultado é muito inferior se comparado ao desempenho de 2010, por exemplo, quando foram sete top-5 e 16 top-10.

Assim, a equipe de Joe Gibbs pode justificar a participação do piloto no campeonato de acesso como uma forma de ele ganhar quilometragem para tentar melhorar os resultados na divisão principal.

Da mesma forma, é possível alegar que Logano está tão focado em ir bem na Nationwide – onde já venceu quatro vezes neste ano – que o desempenho na Sprint Cup está sendo afetado. Afinal, os carros das duas divisões da Nascar são diferentes.

No final, é a verdade é que a equipe de Joe Gibbs acaba pagando pelos próprios erros. Foram eles que não deram tempo para que Logano se desenvolvesse como piloto, ao colocar o garoto para correr na Sprint Cup, em 2009, quando tinha apenas 19 anos. É verdade que o mercado de pilotos havia sido fraco naquela época e não havia um nome melhor, mas o piloto acabou sendo queimado. Mas pelo caminho natural de um competidor, era melhor que Joey tivesse ficado mais tempo nos campeonatos de acesso.

Gibbs, por sua vez, também tem uma parcela de culpa nessa falta de pilotos. Se não havia algum outro jovem para substituir Tony Stewart, e o time foi obrigado a promover Logano, muito se dá pela presença extensiva dos titulares – Kyle Busch, Denny Hamlin (além de Stewart e J.J Yeley em suas épocas) – no campeonato de acesso.

Ou seja, assim a Gibbs jamais conseguiu revelar outro piloto e quando Stewart deixou a equipe, não teve quem substituir.