Bump Day às avessas

Normalmente, o 33º colocado é o héroi em Indianápolis, por todo o drama que envolve o Bump Day. No entanto, dessa vez Sébastien Bourdais roubou a cena

Neste domingo, dia 20, aconteceu o temido Bump Day para as 500 Milhas de Indianápolis. No entanto, ao contrário dos últimos anos, dessa vez não houve emoção. Como 33 pilotos estiveram em busca das 33 vagas para a Indy 500, ninguém ficou de fora, então os competidores puderam dar uma aliviada na hora de buscar uma vaga.

Assim, a grande história do final de semana acabou sendo o bom desempenho de Sébastien Bourdais. O francês, que só recebeu o motor Chevrolet na quinta-feira, conseguiu um tempo de volta tão bom que lhe daria a 15ª colocação no grid – na frente dos carros da Ganassi – caso tivesse sido conquistado no sábado. Como o tempo só veio no Bump Day, o tetracampeão da Champ Car será obrigado a largar da 25ª posição.

O curioso disso tudo é que a partir de Bourdais houve uma inversão de valores no Bump Day. Geralmente, o piloto que sai consagrado do domingo em Indianápolis é aquele que larga em 32º ou 33º após conseguir a vaga de forma de forma dramática nos últimos momentos de atividade. Em 2010, por exemplo, foi assim com Sebastian Saavedra. Na ocasião, o colombiano ficou sabendo que havia se classificado, quando já estava no hospital após ter sofrido um forte acidente na tentativa de melhorar a marca.

Por outro lado, o piloto que fica com a 25ª posição normalmente não é lembrado. Como ele tem um desempenho muito superior aos adversários, rapidamente se garante no grid da Indy 500 e apenas à briga pelo 33º lugar.

Dessa vez foi o contrário. Como não houve um duelo pelas vagas finais do grid, quem se destacou foi justamente o 25º colocado. Talvez na história da Indy haja um monte de Bourdais. Isto é, gente que conseguiu a classificação nos primeiros instantes do Bump Day, mas que teria desempenho para brigar pelos primeiros lugares da tabela. No entanto, esse pessoal não é lembrado, por causa da concorrência desleal com o drama do duelo pela 33ª posição.

Atual pole-position em Indianápolis, Ryan Briscoe correu pela Dragon na Indy 500 de 2007 e aproveitou a chance de mudar a carreira

De qualquer forma, o sucesso de Bourdais não é tão surpreendente. Com um currículo tão ganhador, não há muitas dúvidas da capacidade do francês. E o equipamento da Dragon é bom. Apesar de a equipe de Jay Penske ter enfrentado dificuldades nos últimos anos, o dirigente tem se esforçado para mostrar que pode ser um dono de equipe tão bom quanto o pai – Roger Penske –, mas sem precisar herdar o império da família.

Em um dia em que a equipe Dragon terminou tão em alta, é curioso lembrar que foi por esse time que Ryan Briscoe teve a grande chance da carreira na Indy.

Em 2007, Jay Penske montou a equipe ao lado do sócio Steve Luczo, um empresário do ramo de HDs, para participar da Indy 500.  Como o time estava debaixo da asa da Penske, Jay acabou contratando um dos pilotos de Roger na ALMS para participar da prova, o escolhido foi Briscoe, o pole-position da edição de 2012 das 500 Milhas.

Até aquele momento, a carreira de Briscoe estava em baixa. O australiano havia estreado na Indy pela Ganassi, em 2005, mas ficou conhecido por destruir o carro em acidentes sérios. No ano seguinte, sem emprego, o piloto acabou assinando com a Penske na ALMS. O passo atrás na carreira deu certo, Briscoe venceu três corridas naquele ano e foi chamado por Jay para correr em Indianápolis. Assim, quando Sam Hornish deixou a Indy para correr na Nascar, a promoção do australiano foi algo natural.

Por fim, é interessante perceber como a Indy 500 tem a capacidade de mudar a vida dos pilotos, mesmo daqueles que não vencem a prova. Acho que é por isso que se trata de uma prova tão especial do calendário. E talvez por isso ele não merecesse um Bump Day tão desvirtuado quanto foi o de 2012.

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Um comentário sobre “Bump Day às avessas

  1. Vale lembrar que se dependesse do interesse de equipes novas e existentes, na pior das hipóteses seriam mas 3 carros disputando a classificação. Acredio que seriam até mais. Panther colocaria mais um, O Shank alinharia um carro provavelmente para o Tracy, a DRR sempre coloca um carro a mais, a KV também.

    O problema foi a disponibilidade de motores. Chevy e Honda ainda fizeram milagre pra suprir as equipes que deixaram a Lotus. Ano que vem com certeza será diferente.

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