Casey Stoner deixou todo mundo chocado ao anunciar a aposentadoria. Agora o problema é arrumar um substituto

Casey Stoner é o grande assunto desta quinta-feira, dia 17, no esporte a motor. O australiano pegou todo mundo de surpresa ao anunciar a aposentadoria da MotoGP aos 26 anos de idade apenas. O piloto é apenas o atual campeão da categoria e lidera a tabela de pontos da temporada 2012 de olho em um novo título.

A decisão, é verdade, foi uma surpresa para o resto do mundo. Mas a Honda já sabia há algum tempo o que se passava com seu principal piloto. No início do mês, a montadora japonesa fez uma consulta à Dorna, a promotora do Mundial de Motovelocidade, para saber sobre a possibilidade de promover Marc Márquez direto para a equipe de fábrica (a HRC) em 2013.

Carmelo Ezpeleta, presidente da Dorna, negou o pedido. O dirigente afirmou que a MotoGP tem uma espécie de ‘Regra do Novato’, que obriga um piloto a passar uma temporada correndo pelas equipes satélites antes de se aventurar nos times de fábrica. Como regra é regra, Ezpeleta bateu o pé e Márquez será obrigado a estrear na categoria por outra equipe.

Na época, ninguém deu muita bola para o noticiado. Afinal, a Honda poderia estar cogitando colocar o jovem catalão ao lado de Stoner e de Dani Pedrosa no próximo ano. Com o garoto sendo vetado, a atual dupla permaneceria firme e forte.

Com o anúncio de Stoner, hoje, descobriu-se que não foi uma simples consulta. Ligando os fatos, naquele momento a Honda já sabia da decisão de Stoner e começou a correr atrás de um substituto. A primeira opção, óbvio, era promover o piloto da casa. Mas o plano acabou não dando certo devido ao regulamento da MotoGP.

Marc Márquez já conta com apoio da Repsol, mas vai ser obrigado a passar um ano em uma satélite antes de sonhar com a HRC

É interessante perceber como a Honda chegou nesse buraco. Em determinado momento da temporada passada, além de Márquez, Stoner e Pedrosa, a fabricante ainda contava com Andrea Dovizioso (hoje na Yamaha Tech 3) e Marco Simoncelli, que tinha acordo com a fábrica, mas morreu durante a disputa do GP da Malásia de 2011.

Assim, caso a saída de Stoner tivesse sido anunciada no ano passado, ou Dovizioso teria permanecido na equipe ao lado de Pedrosa, ou Simoncelli teria sido promovido ao time principal, em situação bastante semelhante à de Greg Moore com a Penske, em 1999.

Agora, sem um substituto definido, a temporada de especulações está aberta. No momento, há duas possibilidades mais fortes. A primeira é Ben Spies. Caso o americano continue tendo um fraco desempenho, a Yamaha pode acabar mandando-o embora para promover Cal Crutchlow. Assim, a Honda assinaria com o americano enquanto Márquez vive seu calvário em uma satélite.

A outra opção é uma espécie de vestibular entre Stefan Bradl e Álvaro Bautista, que são os pilotos das satélites da Honda em 2012. Assim, quem terminar o ano na frente pode ser o favorito para assumir a segunda HRC. Aliás, seria curioso caso o alemão seja o escolhido. Na temporada passada, ele venceu a Moto2 competindo justamente contra Márquez e agora pode assumir a desejada vaga pelo jovem espanhol na equipe de fábrica.

Para encerrar, nessas primeiras horas, os boatos são tantos que até o retorno de Valentino Rossi à fabricante japonesa já foi especulado.

Caso eu fosse o responsável por tomar essa decisão, acabaria escolhendo algum piloto experiente para ter uma oportunidade de conquistar o título – ou ajudar Pedrosa a ganhar o dele – em 2013. Para isso, pegaria algum veterano da Superbike, como Max Biagi ou Marco Melandri, que estivesse disposto a retornar à MotoGP por apenas mais uma temporada.

Depois disso, em 2014, Márquez assumiria a função de titular e todos continuaríamos felizes para sempre. E, na sua opinião, quem seria o substituto ideal para Stoner na HRC?