A subserviência da Nationwide

O momento polêmico da prova. Joey Logano mandou Elliott Sadler para o muro e seguiu rumo à vitória

Pegou mal para a Nascar a vitória de Joey Logano na etapa da Nationwide, disputada na noite desta sexta-feira, dia 11, em Darlington. Se você não viu a corrida e para relembrar como foi, o piloto de Joe Gibbs empurrou Elliott Sadler no muro, nas voltas finais, antes de ultrapassar o companheiro de equipe Denny Hamlin para receber a bandeira quadriculada.

O problema não foi o acidente em si. Logano tentou um bumpdraft com o piloto da RCR – algo comum nas relargadas em Darlington –, mas a manobra não deu certo. Sadler havia patinado na hora de tracionar o carro, e o empurrão mal dado acabou mandando-o para o muro. Foi um acidente de corrida e, obviamente, a Nascar não deveria punir o piloto do carro número 20 pelo acontecido.

A controvérsia na situação toda é que no momento em que assumiu a primeira posição da corrida, Sadler também pulava para a liderança provisória do campeonato, já que Ricky Stenhouse Jr estava com dificuldades para se manter no top-5. Se a corrida tivesse acabado com vitória do piloto de RCR, Sadler deixaria Darlington com uma vantagem de no mínimo dois pontos para o adversário. Com o acidente, o americano terminou creditado com a 24ª colocação e agora está 23 pontos atrás de Stenhouse.

É verdade que acidentes fazem parte do automobilismo e não há muito do que reclamar quando um resultado promissor é estragado por uma batida. Só que o que pegou mau nesse incidente foi o fato de Logano não disputar o campeonato da Nationwide. Obviamente, no início da temporada, o garoto escolheu pontuar apenas na Sprint Cup, já que a Nascar obriga os pilotos a escolherem apenas uma divisão.

Ou seja, Logano foi a Darlington, estragou a corrida de Sadler, venceu a prova e foi embora como se nada tivesse acontecido. Tudo bem que ele pediu desculpas e assumiu a culpa do acidente. Mas a questão aqui não é uma punição ao garoto. É que não adianta nada a Nascar criar um campeonato em que apenas os competidores da Nationwide pontuem se as ações – algumas vezes descabidas – dos pilotos da Sprint Cup vão afetar o resultado.

Nesse caso, tanto faz se Logano e Sadler estavam brigando pela liderança ou se, por exemplo, fosse uma batida entre Michael Annett e David Reutimann válida pela a 13ª colocação. A questão é algo de fora da Nationwide acaba influenciando o campeonato.

Na Nationwide é assim: manda quem pode e obedece quem tem juízo..

Outra coisa que é possível questionar é a prudência dos pilotos da Sprint Cup. Será que Logano teria empurrado Sadler da mesma forma se fosse em uma corrida da divisão principal? Ou o piloto aceitaria que a terceira colocação é um bom resultado e significa pontos importantes na briga pelo Chase? Como não pontuam na Nationwide, atletas como Logano podem ter seus momentos kamikazes que no máximo vão dar PT nos carros. O campeonato, ao menos, não é afetado.

Após as primeiras etapas da temporada de 2012, quando James Buescher, Eliott Sadler e Ricky Stenhouse haviam vencido as quatro corridas, a Nascar fez uma pesquisa entre os fãs para saber o que estavam achando da Nationwide. A ampla maioria dos entrevistados respondeu que não se incomodava em ver o campeonato de acesso sem os pilotos da Sprint Cup e até que estava mais empolgada em ver a categoria disputada apenas pelos jovens talentos.

Bom, enquanto Logano segurava os companheiros de Sprint Denny Hamlin e Brad Keselowski para vencer em Darlington, gente como Trevor Bayne, Kenny Wallace e Ryan Truex assistia à corrida pela televisão.

No final, a Nationwide não mudou nada. Mesmo com a chegada de nomes de peso como Austin Dillon, Danica Patrick e Travis Pastrana, o campeonato vai seguir dominado por pilotos da Sprint Cup. E pior. Os atletas da divisão principal parecem querer que os regulares da Nationwide se curvem perante a eles.

Logano muito bem poderia ter dito algo como: “eu bati e venci. O campeonato? Eu não marco pontos, problema dele”. Vai bem a Nascar.

P.S.: para quem gosta do argumento de que os pilotos da Sprint Cup trazem audiência e patrocínio à Nationwide, a corrida em Darlington só teve 43 carros presentes porque mais uma vez a equipe Key alinhou quatro participantes. Todos adeptos do start-and-park. Aliás, foram dez competidores que largaram e pararam na Carolina do Sul.

Talvez as equipes menores devessem passar na loja da Dollar General para conseguir um empréstimo e ter um desempenho menos ruim, não é mesmo?

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