E se a Nascar usasse a pontuação da F1?

O que aconteceria se a Nascar premiasse os pilotos da mesma maneira que a F1?

Corrida de carro é corrida de carro em qualquer lugar do mundo. Mas, historicamente, há algumas diferenças entre o esporte a motor disputado na Europa e nos Estados Unidos. A principal, claro, é a presença dos circuitos ovais, muito populares entre os americanos, mas que jamais pegaram entre os fãs europeus.

Outra diferença no esporte está no sistema de pontuação. Na Europa, o sistema adotado pela FIA reina de forma absoluto. Durante muito tempo se restringiu premiar apenas os seis melhores classificados de uma corrida. Agora pontuam dez, mas mesmo assim é pouco perto dos grid que chegam a ter 26 carros.

Nos EUA, por outro lado, qualquer piloto que larga em uma corrida termina pontuando. Exceção feita apenas ao endurance, mas aí por uma questão da própria essência da modalidade, onde é necessário completar a última volta/uma distância mínima para ser recompensado.

Essa diferença nos sistemas de pontuação está ligada à origem do automobilismo nesses locais. Na Europa, a FIA – e suas predecessoras – sempre valorizou os pilotos que terminassem uma corrida. Só que essa resistência dos carros, que praticamente não quebram, é algo recente. Durante muito tempo, largavam algumas dezenas de competidores, mas poucos chegavam ao fim das provas.

Nos EUA, o esporte sempre teve uma cultura de inclusão, desde que o competidor fosse branco e rico, obviamente. Todo mundo podia se inscrever, todo mundo corria, todo mundo marcava ponto, todo mundo dividia o prêmio, todo mundo ia beber a noite toda em algum bar localizado no meio da Costa Leste.

Mas e se a gente misturasse um pouco as coisas? E se pegássemos a principal categoria do automobilismo norte-americano, a Nascar, e aplicássemos a pontuação da FIA. Será que mudaria muito a classificação do campeonato? Bom, fiz o teste, e o resultado não chega a surpreender.

Até a etapa de Talladega, realizada no último domingo, a Nascar já havia disputado dez etapas. Greg Biffle é o líder do campeonato com 378 pontos, seguido por Matt Kenseth (371), Dale Jr (369), Denny Hamlin (351) e Kevin Harvick (333). Martin Truex Jr, Tony Stewart, Jimmie Johnson, Kyle Busch, Clint Bowyer, Carl Edwards e Brad Keselowski completam os 12 primeiros. A classificação toda você pode ver clicando aqui.

A primeira coisa foi recalcular os pontos com base no atual sistema da FIA. Assim, o vencedor de uma corrida recebeu 25 pontos, o segundo colocado ganhou 18, depois 15, 12, 10, 8, 6, 4, 2 e 1. Para fazer essa soma, obviamente não premiei os pilotos que terminaram corridas entre a 11ª e a 43ª posição.

O resultado final não é tão diferente da classificação verdadeira. Biffle seguiria na ponta, mas dessa vez com 98 pontos. Matt Kenseth, com 92, apareceria em segundo, seguido por Hamlin (82), que tomaria o terceiro lugar de Dale Jr (76). Jimmie Johnson saltaria para quinto (74), seguido por Tony Stewart (71) e Kyle Busch (70). Depois, os 12 primeiros ainda teriam Brad Keselowski, Martin Truex Jr, Kevin Harvick, Ryan Newman e Clint Bowyer.

Você também pode clicar aqui para ver como ficaria a classificação completa de acordo com o sistema da FIA.

Greg Biffle seguiria líder mesmo com a atual pontuação da FIA

Aí é possível chegar a algumas conclusões. A primeira delas é que a regularidade segue importante. Como na Nascar é fundamental terminar as provas entre os dez primeiros para ter chances de Chase e de título, os ponteiros com a pontuação da FIA são praticamente os mesmos nomes.

No entanto, há duas diferenças básicas. A primeira é que a vitória é mais valorizada com a pontuação europeia. Por isso gente como Hamlin, Stewart, Johnson e Keselowski ganharam posições em relação à classificação real. A outra é que quem costuma chegar próximo da décima posição parou de pontuar. Casos como Kevin Harvick (que tem dois 11º em 2012), Clint Bowyer e Carl Edwards acabaram ficando para trás justamente porque pela FIA tanto faz terminar fora do top-10 ou abandonar uma corrida.

Com esse resultado em mãos, resolvi fazer um segundo teste e aplicar a pontuação clássica da FIA 10-6-4-3-2-1, que foi usada durante boa parte da década de 1990. Aí o resultado final já foi bastante diferente.

Na nova classificação, Kenseth destronaria Biffle como ponteiro. O vencedor da Daytona 500 apareceria na frente com 28 pontos contra 27 do companheiro de equipe. Aliás, Denny Hamlin seria o novo segundo colocado. O piloto de Joe Gibbs teria os mesmos 27 pontos do adversário, mas ganharia nos critérios de desempate por ter vencido duas vezes em 2012 contra um triunfo do rival. Tony Stewart (24) seria o quinto colocado, seguido por Kyle Busch (23), Brad Keselowski (22), Dale Jr e Jimmie Johnson (20). Aí haveria um buraco até Martin Truex Jr e Ryan Newman, ambos com 13.

Clicando aqui, você pode ver a classficação completa com o sistema clássico.

Com essa pontuação, fica claro que as vitórias falam mais alto que a regularidade. Como poucos pilotos somariam pontos por etapa – 6 de 43 – chegar na frente virou quase obrigação. É por isso que quem tem dois triunfos em 2012 ganhou tantas posições contra quem ainda não venceu. A exceção é Dale Jr, que tem sido regular o ano todo, embora tenha despencado da terceira posição (real) para a sétima com este sistema.

Vendo essa classificação, com três pilotos separados por apenas um ponto, talvez a Nascar pudesse cogitar um sistema mais restritivo. Afinal, além de um campeonato mais emocionante na tabela de pontos, a competitividade na pista deveria aumentar, pois os pilotos saberiam que terminar na sétima colocação ou bater valeriam a mesma coisa: nada.

AJ Allmendinger seria um dos maiores beneficiados pelas novas pontuações

Por fim, fiz um último teste para checar se restringir a pontuação seria a melhor escolha. Adaptei o sistema atual da Nascar ao da FIA. Assim, o vencedor de uma corrida somaria seis pontos, o segundo ganharia quatro, depois três, dois e um. Ou seja, apenas o top-5 seria recompensado.

Dessa forma, Kenseth seguiria na ponta, mas agora com 18 pontos apenas. Depois apareceria Biffle, com 17, e Hamlin, com 16. Tony Stewart seria o quarto (15), seguido por Dale Jr e Kyle Busch (14) e Jimmie Johnson e Brad Keselowski (13). Truex Jr e Newman seguiriam empatados, mas com oito pontos cada.

A classificação desse último sistema, bolado por mim, está aqui, basta clicar.

Esse último sistema acabou tirando o peso das vitórias. Obviamente, quem já venceu duas vezes em 2012 apareceu no topo da tabela, mas gente como Greg Biffle e Dale Earnhardt Jr teve o prejuízo minimizado, pois a presença constante entre os cinco primeiros também foi recompensada. Mais uma vez, o equilíbrio seguiria existindo. Em um sistema que pontua com seis pontos o vencedor, os oito primeiros do campeonato apareceriam separados por apenas oito.

No final, acho que os sistemas de pontuação da FIA poderiam deixar a Nascar um pouco mais divertida. Porém, é preciso ressaltar que talvez isso possa ser um tiro no pé da própria categoria. Quer dizer, por que uma equipe inscreveria um carro se soubesse não ter condições de disputar além da 20ª posição? Imagino que isso pudesse minar o grid da categoria assim como acontece com a F1 e com outros campeonatos.

Por outro lado, uma vitória ou um bom resultado seria o suficiente para deixar um piloto mais perto do Chase. Nas duas últimas classificações, um nome que se destaca é o de AJ Allmendinger. Na pontuação real da Nascar, o piloto aparece apenas na 20ª posição. Porém, graças ao segundo lugar em Martinsville, ele avançaria para o 12º posto, já que seus acidentes e problemas mecânicos seriam ignorados.

Aliás, algo semelhante aconteceu com Rubens Barrichello, em 1997. O brasileiro só conquistou um segundo lugar em toda temporada – debaixo de chuva em Mônaco –, mas mesmo assim conseguiu ser o 13º na classificação final. A exemplo de comparação, Ralf Schumacher terminou em 11º, mas precisou visitar a zona de pontos em seis oportunidades, incluindo um pódio.

7 comentários sobre “E se a Nascar usasse a pontuação da F1?

  1. Eu sou fan da Indy, mas se tem algo que não gosto no automobilismo norte americano (que gosto muito, Indy, Nascar, etc) é essa pontuação que NINGUEM consegue entender….. isso dificulta muita a vida do fan, porque só acessando o site oficial pra conseguir entender como ficou o campeonato apos cada corrida, por exemplo na indy, porque dar 12 pontos para todos que terminam a prova? ai alguem vai me responder, porque isso força todos os carros a voltarem pra pista, e a corrida termina sempre com varios carros, disputando ou atrapalhando, mas dando mais emoção a prova, ok, mas então, porque não dar só UM ponto? e dar 20 sei lá algo assim para o vencedor, hoje a pontuação da F1, é a mesma da Indy em 1990……e porque a indy quer ser nascar, se a f1 é indy e é um sucesso? a pontuação da indy, precisa mudar e logo..

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  2. Felipe, não sei se vc já viu esse vídeo, são as 500 Milhas de Daytona de 1979, na integra. Com os pesados carros americanos dos anos 70! Perto disso, a Nascar de hoje em dia parece uma laboratório de ficção cientifica!

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    1. Ah, a clássica corrida de Daytona de 1979! Essa é uma das provas que mudou a história da Nascar. Você pode dividir a categoria entre tudo que aconteceu antes dessa corrida e tudo depois

      Mas são 3h de vídeo, para quem tiver todo esse tempo livre vale à pena

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    1. ia dar a mesma sugestão! mas eu simularia a pontuação da NASCAR aplicada às últimas temporadas da F1, principalmente a equilibrada temporada atual.

      interessante, o post. estamos esperando o post da situação inversa, não se esqueça.

      =]

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      1. Eu acho que não deve mudar muito a classificação, teoricamente a F1 já premia os mais regulares e é muito dificil algum piloto de ponta não terminar entre os líderes. Só esse ano que foi mesmo uma exceção.

        Em uma futura oportunidade coloco aqui

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        1. Na verdade, só se notaria de diferença a presença das HRT (e outros do gênero) nos pontos, não?

          Mas o título continuaria a ser conquistado pelo mais regular.

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