Victor Guerin GP2
Victor Guerin é o terceiro brasileiro na temporada 2012 da GP2. Agora o Brasil é um dos países com mais representantes na categoria

A delegação brasileira na GP2 voltou a crescer. De uma forma até mesmo surpreendente, Victor Guerin anunciou na quarta-feira, dia 9, que vai disputar as próximas duas etapas da categoria pela Ocean. Assim, em Barcelona e em Mônaco, o paulista se junta a Luiz Razia e Felipe Nasr.

Assim, essa é a primeira vez desde 2008 que dois pilotos brasileiros estreiam no certame no mesmo ano (além de Guerin, Nasr também é um novato). Naquela época, Lucas Di Grassi e Bruno Senna ganharam a companhia de Alberto Valério e de Diego Nunes – e de mais um piloto tempos depois – que vieram participar do certame.

Aliás, há uma coincidência bastante grande entre as duas épocas. Valério chegara à GP2 depois de correr na F3 Inglesa, enquanto Nunes havia participado da F3000 Europeia. Agora, Nasr se graduou na mesma F3 da Inglaterra, enquanto Guerin veio da AutoGP, categoria a qual a F3000 Europeia deu origem.

Em termos de desempenho, no entanto, a situação é um pouco diferente. Nunes e Valério, somados, disputaram 40 corridas na temporada 2008 da GP2, afinal foram dez rodadas duplas. Apenas Diego pontuou, ao terminar na quarta colocação a corrida curta de Valência. Por outro lado, a dupla Nasr/Guerin já chegou aos pontos em quatro oportunidades em 2012, obviamente todas com o brasiliense.

No entanto, vale lembrar que naquela época apenas os oito primeiros pontuavam na corrida principal e seis, na corrida curta. Caso valesse o sistema de pontuação atual – com dez na longa e oito na curta –, Valério teria somado pontos em duas oportunidades, enquanto Nunes ainda se beneficiaria do décimo lugar na corrida longa de Valência. Nada, porém, que fosse mudar o resultado final da GP2.

A chegada de Felipe Nasr e de Victor Guerin também faz com que o Brasil volte a ser dono da maior delegação da GP2. A Inglaterra havia começado 2012 com quatro representantes na categoria, mas a saída de Jon Lancaster deixou o país com três. Mesmo número de Itália, Venezuela e agora do Brasil. Naquele ano de 2008, o país reinou absoluto com cinco pilotos nas últimas sete etapas, enquanto a Itália teve quatro.

Por curiosidade, em 2007 aconteceu o contrário. O Brasil começou com cinco pilotos (Di Grassi, Senna, Xandinho Negrão, Sérgio Jimenez e Antonio Pizzonia), mas os dois últimos ficaram pelo caminho. Quem terminou o ano como maior delegação foi a Espanha, que teve seis pilotos na rodada final de Valência.

Durante muitos anos, o Brasil foi um dos países dominantes da GP2. Tanto em desempenho quanto em número de pilotos

Voltando à temporada de 2008, desde o final daquele ano até a estreia de Nasr, no último mês de março, o Brasil só teve um estreante na GP2: Luiz Razia. Ou seja, embora o piloto baiano esteja na categoria há algum tempo, foi ele quem segurou o país no campeonato até a chegada de novos representantes.

Para encerrar, um breve comentário sobre Guerin. Sinceramente, eu acho que se trata de um piloto com potencial, já que ele mostrou que pode ganhar corridas nas categorias em que passou. Mas penso que essa ansiedade de pular campeonatos antes de completar o desenvolvimento não é legal.

Dois anos atrás, Guerin estava disputando a F-Abarth e agora vai estrear na GP2. Não consigo pensar em algum outro caso de atleta que tenha avançado de forma tão meteórica. Talvez Jenson Button, que saiu da F3 Inglesa para a F1, mas não acho que o paulista esteja nesse nível.

Em duas temporadas, o brasileiro foi 13º na F-Abarth e oitavo na F3 Italiana. Pela evolução que ele mostrou nos campeonatos, acho que ele seria um candidato ao título caso optasse por fazer um segundo ano nessas categorias ao invés de saltar para a próxima. E vale dizer que repetir um campeonato não é algo que queima um piloto com as equipes da F1.

Por outro lado, entrar em um torneio como a GP2 no meio do ano e não conseguir mostrar resultado é algo que pode destruir a carreira de um piloto. Voltando mais uma vez a 2008, naquele ano Marko Asmer, que tinha sido o campeão da F3 Inglesa no ano anterior e era o piloto reserva da BMW na F1, assumiu a segunda vaga na FMSI. O melhor resultado do estoniano foi o 11º lugar obtido logo na estreia. Depois disso, Asmer sumiu. Voltou ano passado, fazendo algumas corridas de F3. Acho que dar tempo ao tempo não é uma má-ideia.