O fracasso da Nascar em Talladega

A corrida em Talladega foi assim: a linha de dentro imabatível e uns gatos pingados tentando algo por fora. Competitividade zero

No início do ano, a Nascar fez uma série de mudanças nos carros para impedir que as corridas em duplas acontecessem nos super-ovais. Basicamente, limitando a entrada de ar do radiador, a ideia da categoria era fazer com que os motores superaquecessem para impedir que o pilotos trabalhassem em parceria por mais do que uma ou duas voltas.

Em Daytona, a medida relativamente deu certo, e a corrida aconteceu praticamente com aquelas longas filas de carros durante muito tempo.

Porém, em Talladega, as mudanças adotadas pela categoria foram um fracasso total. Em termos de qualidade, a prova foi péssima, e as alterações no equipamento causaram incidentes bizarros durante toda a etapa. Coisas que não deveriam fazer parte de uma competição de automobilismo.

Para começar, a diminuição da entrada de ar do radiador realmente funcionou, e os motores começaram a superaquecer. O problema é que eles esquentavam em qualquer situação, a menos que você fosse o líder da corrida e tivesse ar limpo pela frente. Para os demais competidores, pouco importava estar em uma parceria típica – com os carros colados –, ou no meio do pelotão, brigando pela 13ª colocação.

Assim, aguentar a corrida de Talladega foi uma espécie de roleta russa. Os pilotos sabiam que era questão de tempo para os motores estourarem. O primeiro a ter esse tipo de problema foi Regan Smith, que em momento algum esteve envolvido nas duplas. Depois, Ryan Newman e Jimmie Johnson também foram obrigados a retornar às garagens.

Para evitar essa falha mecânica, os pilotos podiam controlar a temperatura do motor de dentro do carro. Isto é, eram obrigados a olhar para o medidor do painel após cada curva para se certificarem de que estava tudo dando certo. Caso houvesse a menor possibilidade de um superaquecimento, o competidor era obrigado a deixar a disputa, pegar a linha de cima e ir para o fim do pelotão, refrigerando momentaneamente o equipamento.

Aqui, Trevor Bayne ilustra bem o momento em que um piloto é obrigado a deixar o pelotão para refrigerar o equipamento

O pior é que esse não foi o incidente mais bizarro da prova. Como a refrigeração dos carros foi comprometida pela Nascar desde o início da corrida, alguns pilotos sofreram com pane seca, sendo que o motivo, segundo as equipes, é que o combustível simplesmente evaporou. Aliás, o acidente de Dave Blaney com Aric Almirola – que também tirou Jeff Gordon, Carl Edwards e Martin Truex Jr da corrida – foi causado justamente pelo carro 43 que teria ficado sem combustível e não conseguiu sair da pista antes de perder velocidade.

Para a tristeza da Nascar, também não é possível dizer que esses contratempos fizeram a etapa de Talladega uma boa corrida. Não foi. Durante a esmagadora maioria das voltas, o que se viu foi uma mistura de single file com pelotão. O problema é que os competidores que optaram por correr na fila de cima ou no meio jamais tiveram velocidade suficiente para alcançar o líder na parte de baixo.

Dessa forma, as únicas mudanças de liderança aconteciam quando alguma dupla se desgarrava do pelotão, conseguia ultrapassar o primeiro colocado antes de o motor estourar e se colocava na linha de dentro. Esse processo foi repetido várias e várias vezes dando uma falsa impressão de competitividade.

Em termos esportivos, não me parece muito justo que o vencedor da corrida tenha que passar por obstáculos artificiais como uma roleta russa no superaquecimento do motor ou uma pane seca surpresa. Esse tipo de dificuldade me lembra das ideias de Bernie Ecclestone, que queria colocar atalhos nas pistas e áreas com chuva artificial. Afinal, premiar o melhor competidor em situações normais já parece algo ultrapassado, não é mesmo?

Jimmie Johnson ficou felizão quando foi obrigado a abandonar com problemas no motor

Para piorar ainda mais a corrida, os pilotos também não ajudaram. O acidente de Paul Menard e Denny Hamlin, que levou à corrida para a prorrogação é o tipo de batida que se esperar de novatos da Arca ou da Nationwide, mas não da Sprint Cup. Meu deus, um acidente antes da curva 1 em uma relargada, ainda mais em Talladega onde a linha de chegada não é no meio do tri-oval, mas no final dele. Isso só pode ser desleixo de alguns pilotos. Ou alguma falta de concentração, por exemplo, o atleta já estar pensando no que vai fazer quando chegar à reta oposta antes mesmo de completar a primeira curva.

De qualquer forma, acidente é acidente. Eles existem justamente pelo caráter imprevisível da situação. A grande crítica à corrida de Talladega é que as mudanças da Nascar provocaram um cenário que não corresponde a uma corrida de carros e sequer conseguiu melhorar a competitividade.

No final, não fui apenas eu que teve a impressão de ter assistido a uma das piores corridas de todos os tempos em Talladega. Tony Stewart, que esteve correndo, também não ficou nada satisfeito. O atual campeão da Nascar ironizou completamente a prova na entrevista coletiva após a disputa e mostrou que nem mesmo os pilotos ficaram satisfeitos com esse tipo de prova. A transcrição da entrevista de Stewart você pode ver clicando aqui.

4 comentários sobre “O fracasso da Nascar em Talladega

  1. Exatamente o que penso da prova. A única diferença é que acho que Daytona foi horripilantemente pior porque não aconteceu nada no final da corrida. Essa fora fake de competitividade impede os pilotos de procurar a vitória. Prefiro as duplas que isso aí.

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  2. é por por este motivo….que torço sempre para que ocorra os famosos “big’s ONE’S” (rsrsrsrsr)….nos super ovais…

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