Como a FIA e Volkswagen salvaram a F3 Euro Series

F3 Euro Series Phillip Ellis
Phillip Ellis, da também estreante GU-Racing, é um dos novos recrutas da F3 Euro em 2012

A F3 Euro Series teve seus momentos de glória na segunda metade da década passada. Com mais de 20 carros por etapa, a categoria revelou gente como Nico Rosberg, Lewis Hamilton, Sebastian Vettel, Paul Di Resta, Lucas Di Grassi, Romain Grosjean, Kamui Kobayashi, Nico Hülkenberg e Jules Bianchi.

Entretanto, desde 2010, o campeonato estava esvaziado. Com a criação da GP3, uma série de equipes optou por mudar de certame. Primeiro, os times consideravam que o calendário dificultava atrair novos pilotos, afinal a série fazia as preliminares do DTM, correndo praticamente apenas na Alemanha. Depois, começava a ficar muito caro competir em um jogo de cartas marcadas para perder da ART no final do ano.

Surpreendentemente, a equipe francesa foi um dos times que também desistiu da F3 focando o desenvolvimento de pilotos apenas na GP3 desde a temporada passada. Enquanto isso, a F3 tinha grids cada vez menores. Foram 13 carros em 2010 e 12 no último ano.

Quando a situação parecia chegar ao fundo do poço para a atual temporada, a Signature, que servia como equipe oficial da Volkswagen anunciou que abandonaria o certame. Dessa maneira, era possível que em 2012 sequer dez carros alinhassem para a corrida de abertura, em Hockenheimring.

Para evitar esse cenário, aos poucos a direção da categoria começou a agir. Durante todo o final de 2011, os dirigentes bateram na porta de times interessados em participar do campeonato. Na realidade, muitas e muitas equipes afirmaram que desejam se juntar à F3 Euro, mas apenas em 2013, quando o novo regulamento de motores entra em vigor. Afinal, não faz muito sentido gastar rios de dinheiro nos propulsores agora e precisar trocá-los após uma única temporada.

Sandro Zeller F3 Euro
Sandro Zeller va correr no único F308 do grid

Mesmo assim, houve a chegada de três novas equipes: Jo Zeller Racing, URD Rennsport e GU-Racing. Apesar de parecem desconhecidos, são times bastante presentes no automobilismo de base na região da Alemanha, Suíça e Áustria. Com exceção da Jo Zeller (que vai alinhar um antigo F308), essas escuderias puderam entrar no certame com apenas um carro, para amenizar os custos. Depois, antes do final da pré-temporada, Luis Sá Silva, que foi vice-campeão da F-Pilota China em 2011, anunciou uma parceria com a Prema para a criação do Angola Racing Team.

A chegada dessas equipes, no entanto, serviram apenas para deixar o grid novamente com 11 participantes, já que além da Signature a Motorpark Academy também decidiu pular fora do certame. Depois de apanhar ao longo de duas temporadas, a esquadra alemã fechou uma parceria com a Lotus para correr na F3 Alemã. Assim, as 11 vagas só foram alcançadas com a Prema expandindo para quatro carros.

Nesse momento, havia um detalhe curioso: todas os carros eram equipados com motores Mercedes, já que a Signature – que tinha o apoio da Volkswagen – fechara as portas. Ao mesmo tempo, a FIA anunciou uma espécie de Campeonato Europeu de F3. O novo certame é composto por oito etapas, sendo seis em conjunto com a F3 Euro e três com a F3 Inglesa, sendo que a rodada de Norisring é comum aos dois torneios.

Como o custo de correr a F3 Euro e o Europeu de F3 é praticamente o mesmo, afinal, apenas duas etapas são disputadas de forma separada (e vale lembrar que os times da Euro sempre correram na etapa de Spa-Francorchamps da Inglesa), boa parte das equipes se inscreveu para a nova disputa da FIA.

De olho no novo certame, a Volkswagen também começou a negociar, para superar a debandada da Signature. A montadora acabou indo atrás do que havia de melhor no mercado: a Carlin, eterna parceira de triunfos na F3 Inglesa. O time britânico acabou aceitando participar do Europeu de F3 quase que de forma integral com Carlos Sainz Jr. (que continua normalmente na F3 Inglesa também), além de William Buller (confirmado para a GP3) e de Harry Tincknell, que só deve participar da primeira etapa.

Carlos Sainz Jr.
Um acordo no último momento trouxe Carlos Sainz Jr, a Red Bull e a Carlin para o novo certame

Aos 40 do segundo tempo, a montadora conseguiu puxar a ma-com Motorsport, que originalmente planejava correr na F3 Alemã. Com o apoio da Volkswagen, o time estreante vai disputar o Europeu, inscrevendo carros para os britânicos Emil Bernstorff – um dos destaques da ADAC Masters no último ano – e para o badalado Tom Blomqvist, que recentemente assinou com a McLaren para ser piloto em desenvolvimento da montadora.

Com os dois times da Volkswagen, a primeira etapa do Europeu de F3 já tem 16 carros confirmados. Se ainda não é um grid decente, ao menos é uma perspectiva muito melhor que os 11 iniciais. De quebra, em ao menos seis etapas de 2012, a F3 Euro vai contar com esse mesmo número de equipes, fora algum time que resolve entrar apenas para um round, como sempre acontece.

Quando Gerhard Berger – o novo homem forte da FIA para monopostos – anunciou a criação do Europeu de F3, a rejeição foi muito grande. Afinal, parecia que o dirigente não aprendera nada com o fracasso da F3 International no ano anterior. A grande sacada, aqui, foi fazer um torneio cujas equipes já disputariam boa parte das etapas, pois 75% das corridas já estão no calendário da F3 Euro.

Assim, e com alguma sorte, Berger conseguiu reunir um grid de 16 carros no Europeu de F3, ao mesmo tempo em que conseguiu fortalecer os números da F3 Euro e até mesmo da F3 Inglesa.

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