Procuram-se pilotos

Agustin Canapino
A Hitech competiu em 2011 tanto na F3 Inglesa quanto na F3 Sudam, onde revelou Pietro Fantin e Guilherme Silva

Não tenho o hábito de ler revistas internacionais sobre o automobilismo. Por trabalhar em uma aqui do Brasil – a Warm Up –, acabo apenas folheando as concorrentes, digamos assim, para saber o que eles estão fazendo. Não só em termos de conteúdo, mas também em abordagem e técnica.

Nesses quesitos, a Autosport realmente se destaca. Levando em conta que eles têm uma semana para fazer cada edição, é realmente interessante o trabalho desenvolvido. Caso você tenha interesse, eu procurar na internet um link para baixar algum exemplar, que realmente vale à pena. (Ou então comprar em alguma banca na Inglaterra, caso você more fora do país).

Mas, bom, por que eu estou dizendo tudo isso? É que na verdade acho que tão legal quanto folhear a revista inglesa é ler a parte de classificados. No meio de anúncios de macacões para pilotos e de vagas para engenheiros em equipes de F1, sempre há algum quadrinho que chama a atenção. De vez em quando, por esses destaques, é possível entender um pouco mais do mundo do automobilismo com aquilo que não é dito nem publicado.

Um dos anúncios da última edição da Autosport é da equipe Hitech. A mesma que não apareceu para a disputa da temporada 2012 da F3 Inglesa. De acordo com a chamada, o time tem vaga subsidiadas para pilotos competirem neste ano, basta alguém entrar em contato com eles.

Mas qual a minha surpresa ao descobrir que não se trata de uma vaga para correr na Inglaterra, mas, sim, na F3 Sudamericana. A Hitech, que estreou por aqui há três anos, resolveu anunciar na Autosport ver se atrai algum interessado para a nova temporada.

São duas vagas oferecidas. Uma na divisão principal, pelo preço de 300 mil euros, e outra na Light, ao custo de 150 mil euros.

Em um primeiro momento é uma pechincha. O orçamento que eles estão pedindo para a categoria principal é pouco mais do que o necessário para disputar a temporada da F-Renault Eurocup. E olha que estamos falando de um desenvolvimento feito em um carro de F3.

Mas voltando à realidade, algo que custa R$ 600 mil jamais pode ser considerado barato. Eu adoraria ter esse dinheiro, mas não tenho e imagino que a maior parte dos pilotos interessados na vaga está nessa mesma situação. Sabem que é um produto decente, só que precisam de algum patrocinador para conseguir todo o orçamento.

Outro problema que joga contra a Hitech nesse momento é a total falta de informação sobre a F3. O anúncio diz que são 18 corridas em nove finais de semana, em três países da América do Sul. Até onde sei, a organização da F3 ainda não soltou um calendário oficial, ou seja, como um piloto pode ir atrás de investidor assim às escuras sobre onde vai correr?

E outra, se são 18 corridas em nove finais de semana, quer dizer que o campeonato desistiu da rodada tripla implantada nos últimos anos? Outra coisa que também ainda não foi anunciada.

De qualquer forma, acho que é uma vaga interessante. Minha torcida pessoal é para que algum piloto de fora – que está com problemas para fechar orçamento em um campeonato internacional de F3 ou até mesmo na GP3 – venha correr aqui na América do Sul. Obviamente, nada contra os brasileiros, mas seria interessante ver essa inversão no automobilismo. Ao invés de mandar os garotos correrem na Europa cada vez mais cedo, um atleta de outro país viria se desenvolver por aqui.

Entretanto, para os pilotos estrangeiros pesa o fato de que além de pagar pela vaga ainda precisam se mudar para o Brasil, o que representa custos extras, fora toda a questão de adaptação.

Assim, sem maiores informações sobre o campeonato, é difícil gerar interesse. É verdade que a organização da F3 tem se movimentado nos bastidores para uma reestruturação em 2012, mas faltando um mês para começar a disputa – segundo o anúncio, a temporada vai de maio até dezembro – será difícil arrumar pilotos interessados de uma hora para outra.

Enquanto isso, o jeito é pagar anúncio numa revista para ver se, por milagre, alguém vê.

Abaixo você pode ver o anúncio publicado pela Hitech na Autosport:

Hitech F3 Sudam anúncio

2 comentários sobre “Procuram-se pilotos

  1. A situação da fórmual 3 sul americana e preucupante , caso seja nalisando com o pricipio fundamental de formação de novos pilotos de monopostos e preucupante. Mas isso não ocorre só aqui os grid estão muito pequena na F3 Euros series ou nas otras semelhantes . Mas no caso sa Sul Americana a situação e calamante com base no último campeonato com grid muito pequenos . Oúltimo talento de peso revelado na minha opnião foi o Nelsinho Piquet , espero dias melhores para a categoria . 600 mil e muito dinheiro , mas olhando bem são 18 corridas , fora os treinos tem la os pontos positivos , mas olhando para um piloto brasileiro hoje , com esses 600 mil ele pode aproveitar melhor la fora do Brasil , ou arriscar em outros rumos como focar logo no turismo , acho que uma temporada num campeonato de marcas da vicar , e o mesmo preço ou algo semelhante .

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  2. Na verdade não é raro receber emails de pilotos Europeus perguntando sobre a F3 Sudam, com a crise eles têm procurado outras opções para continuar competindo, o problema é que mesmo que aqui seja mais barato que as outras categorias principais de F3 na Europa e até da F-Renault Eurocup como você disse existem outras categorias que nós nem ouvimos falar que chegam a ser até mais baratas que a F3 Sudam, como a F3 da Austria que é uma mistura de Dallaras F301,302,305 entre outros modelos além de juntar os Fórmulas Renault no mesmo grid com os F3 como se fosse a nossa F3 Light daqui, o que significa que se em 2007 tivéssemos juntado o Grid da F3 Sudam com os Fórmulas Renault que estavam por ai após o fim da categoria talvez hoje teríamos uma categoria de base em melhor estado, tanto a F3 quanto a Fórmula Renault (que teria que ter outro nome). E a diferença não seria tão grande porque quando os Fórmulas Renault estavam em atividade aqui a diferença para o Dallara F301 era na média de 5 segundos em Interlagos com o mesmos pneus.

    Mas voltando ao assunto, como na Europa existem outras opções mais baratas a possibilidade dos pilotos de lá virem correr aqui é menor,especialmente com os campeonatos Europeus em andamento.Acho que não é a melhor opção termos um campeonato começando no meio do ano e terminando pouco depois do fim da temporada Européia. O F3 Brazil Open por ser disputado em Janeiro atrai a atenção dos pilotos que irão correr na Europa já que eles usam a competição como forma de preparação para a próxima temporada, então não seria o caso de fazer a F3 Sudam um campeonato entre um ano e outro assim como era a A1GP?(2012/2013 por exemplo) Aproveitando o Inverno Europeu para atrair os pilotos de lá para competirem aqui tornando o nível do campeonato da F3 Sudam muito mais forte, possibilitando a comparação direta com quem está começando a correr aqui com os pilotos vindos da Europa? Sem contar que é muito melhor trazer pilotos Europeus que têm condições de competirem e estão procurando formas de continuar treinando do que trazer um piloto que só veio porque era a unica opção viável de competir em algum carro de F3.

    Bem, isso é apenas uma ideia que queria expor e que também têm algumas falhas, como a diferença de um Campeonato de uma Etapa como o Open contra um Campeonato de 9 etapas como é a F3 Sudam entre outros problemas. Agora é continuar esperando pelos anúncios oficiais da F3 Sudam sobre a próxima temporada.

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