O fracasso da rodada de abertura do automobilismo italiano

F3 Italiana
Esse foi o incrível grid de largada da F3 Italiana em Valência. São 11 carros apenas..

Ao que tudo indica, Felipe Massa deve ter uma semana de folga dos constantes ataques da imprensa italiana, que pede por uma substituição do companheiro de Fernando Alonso. Digo isso por dois bons motivos. O primeiro é a crise no Bahrein, que deve rechear o noticiário da F1, já que a instabilidade no país asiático continua sendo ignorada por Bernie Ecclestone. O segundo é o fracasso da primeira rodada do automobilismo italiano em 2012.

Neste final de semana, a F-Abarth e a F3 Italiana deram os pontapés iniciais dos novos campeonatos no circuito de Valência, na Espanha. Em ambos os certames, apenas 11 pilotos estiveram presentes no grid de largada.  E isso não é tudo. Dos 22 atletas, apenas cinco eram italianos.

Ou seja, enquanto Felipe Massa se diverte no Twitter e visita Maranello para continuar a estudar os fracos desempenhos do ano, os italianos vão ter uma semana para perceberem que o automobilismo acabou por lá. A saída de Jarno Trulli e Vitantonio Liuzzi foram a ponta do iceberg de uma crise que afetou até mesmo as categorias de base de uma forma que ninguém esperava.

A efeito de comparação, a rodada de abertura da F3, em 2010, atraiu 30 pilotos, dos quais 18 tinham nascido por lá. No ano passado, no início da crise, o número caiu para 16 participantes, sendo nove locais. Neste ano, três em 11.

Analisando a curta carreira desses 11 competidores é curioso perceber que nove foram revelados justamente na F-Abarth. Apenas o líder, Henrique Martins, e o canadense Nicholas Latifi, que estreia nos monopostos nesta temporada, não saíram do campeonato criado pela Fiat. Isto é, a Itália não consegue atrair os pilotos de fora.

Quer dizer, a F-Renault Eurocup teve 38 pilotos dos mais variados tipos na etapa final da temporada de 2011, . Havia novatos, mas também tinha gente que já passou por todas as categorias de base possíveis na carreira. De todos eles, somente um decidiu seguir a carreira na Itália: justamente o brasileiro Henrique Martins.

Henrique Martins
Henrique Martins é um dos dois pilotos da F3 Italiana em 2012 que não foi revelado no automobilismo interno da Itália

Só que também não podemos dizer que essa tenha sido uma mudança brusca para o piloto. Martins competia pela equipe italiana Cram Competition, então a possibilidade de mudar para a F3 não é algo surpreendente.

Mas veja que curioso. O único piloto que não foi revelado pela F-Abarth é justamente o líder do campeonato. E essa não é a primeira vez que acontece algo do tipo. Ano passado, Michael Lewis (revelado na F-BMW) chegou à ultima corrida do ano com chances de ser campeão. O americano, no entanto, cometeu um erro nas últimas voltas da prova decisiva e ficou com o vice-campeonato.

Tanto Lewis quanto Martins, antes de chegarem à Itália, eram vistos com desconfiança em suas carreiras. Os dois já tinham certa rodagem nos campeonatos de base, mas sempre acumulando resultados apenas razoáveis. Ou seja, além de o automobilismo italiano não atrair ninguém de fora, também parece não conseguir desenvolver os garotos  – principalmente na F-Abarth – da melhor maneira possível.

Para piorar a situação, talvez não satisfeita com o número cada vez menor de pilotos inscritos, a organização da F3 Italiana também criou suas medidas polêmicas. Como eu disse antes, a rodada de abertura do torneio aconteceu em Valência, na Espanha.

Eddie Cheever
Eddie Cheever III é um dos três pilotos italianos do certame. Mas ele poderá optar por correr com a licença americana no futuro, dependendo de como seguir com a carreira

Não é novidade que corridas fora do país de origem representam custos maiores para as equipes. Aí eu pergunto, qual a necessidade de levar os jovens pilotos para competir em um circuito como Valência? O que essa viagem agregou na formação de cada um deles? Acredito que nada.

Se for para aumentar os custos, talvez levar os pilotos para lugares como Spa-Francorchamps, Silverstone, Barcelona e até mesmo Paul Ricard me parece mais lógico que um circuito que sequer foi usado na pré-temporada da F1.

Para encerrar, isso não é o mais absurdo da história. A etapa de Valência contou para o que está sendo chamado de “Campeonato Europeu de F3 Italiana”, que faz parte dessa ideia da categoria de expandir o calendário. Talvez para poupar os custos de algumas equipes, eles separaram as etapas que são realizadas na Velha Bota das demais. Assim, alguns times podem escolher correr somente na Itália e, consequentemente, pontuar apenas no italiano, enquanto quem participa dessas provas europeias toma parte também desse novo sistema de pontuação.

Parece uma boa ideia não é mesmo? Claro que não! Por que razão um piloto que tem interesse em disputar um campeonato em toda a Europa iria escolher disputar esse tal Europeu de F3 Italiana ao invés da F3 Euro Series, da F3 Espanhola, da F3 Europeia ou da GP3, que há anos já fazem provas nesses locais?

Assim, ao invés de expandir o mercado, a F3 Italiana acabou entrando em um nicho em que já há uma concorrência muito grande. Vendo por esse aspecto, não é por acaso que o grid da categoria está cada vez menor, não é mesmo?

Um comentário sobre “O fracasso da rodada de abertura do automobilismo italiano

  1. TETESTO esse negócio de “Campeonato Europeu de Fórmula 3” na Itália, na Inglaterra ou no Tadjiquistão.

    Corrida na Itália tem de ser em Monza, Mugello, Imola, Binetto, Magione, Adria e ENNA-PERGUSA. Acabou.

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