O que esperar dos brasileiros na GP2 2012

Luiz Razia GP2 Malásia
Ah, o pódio na Malásia. Essa cena pareceu ter durado para sempre..

A etapa da Malásia da GP2 teve sabor especial para Max Chilton. No terceiro ano na categoria, a eterna promessa inglesa conseguiu o primeiro pódio na carreira ao terminar a corrida longa no terceiro lugar, na prova que foi realizada na manhã do sábado em Sepang – madrugada de sexta por aqui.

Assim, nada mais justo que o inglês pudesse aproveitar cada segundo desse debute no pódio, não é mesmo? A sensação deveria ser tão boa que, para Chilton, a cerimônia na Malásia pareceu que não ia acabar nunca. Louco para abrir o merecido champagne, o britânico parecia em êxtase enquanto ouvia o hino brasileiro por eras.

Por que estou contando isso? Bom, caso você não tenha assistido, a corrida foi vencida por Luiz Razia. O baiano subiu ao pódio e o hino nacional começou a tocar. Sabe-se lá o motivo, ao invés de tocarem aquela versão curta da música – tradicional em competições –, a melodia tocada deu um loop eterno e ficou no ar durante incríveis três minutos e dez segundos. Um recorde mundial.

O vídeo dessa longa cerimônia está no fim desse post e é hilário. No início, os mecânicos estranham a música longa e ficam com aquela sensação de que não acaba. Depois de um tempo, constrangido com o mal estar, o cinegrafista para de filmar os funcionários e passa a mostrar apenas Luiz Razia. Sensacional.

Na verdade, a cerimônia toda foi um desastre para os brasileiros. Além da longa música, a bandeira também estava desproporcional. Se eu fosse patriota – com muito orgulho e com muito amor – ficaria chocado, como não ligo, acho fantástico essas coisas saírem erradas uma vez ou outra.

Luiz Razia GP2 Malásia
Verdade seja dita, Luiz Razia jamais teve um desempenho tão dominante na GP2 quanto na prova em Sepang

Talvez todos esses erros tenham acontecido pela falta de vitórias brasileiras na GP2. A última havia sido no dia 13 de setembro de 2009, quando o próprio Luiz Razia terminou na primeira colocação na corrida curta da etapa de Monza.

Falando no piloto baiano, o resultado foi importante para ele. Mesmo na quarta temporada na categoria, Razia não apareceu em nenhuma lista de favoritos ao campeonato. O principal nome, claro, sempre foi de Davide Valsecchi, mas o igualmente veterano Giedo Van Der Garde também estava bem cotado. Em um patamar menor, Fabio Leimer, Stefano Coletti e Esteban Gutiérrez eram bem elogiados.

Não é por acaso que Razia tenha uma cotação tão baixa. Em três temporadas, o brasileiro nunca teve um desempenho tão dominante quanto o de Sepang. É verdade que ele já havia triunfado em Monza, mas por se tratar da corrida curta, a dificuldade era muito menor.

Felipe Nasr GP2 Malásia
Felipe Nasr também descolou um pódio na Malásia

De qualquer forma, com esse triunfo, será possível mudarmos as chances de Razia e colocá-lo como um dos favoritos ao título? Acho que sim, mas ainda não seria tão otimista. O carro da Arden é bom, mas não é nada fora de série, tanto que todo ano eles beliscam algumas vitórias aqui e ali.

Ou seja, obviamente para que Razia tenha chances de brigar pelo título, ele precisa manter esse nível de desempenho ao longo de todo o ano. E é aí que mora o perigo. Se nas próximas etapas o brasileiro voltar a aquela maré de azar, com acidentes e fracos resultados a rodo, a pressão em cima do baiano pode ser maior do que ele possa aguentar.

E não falo isso no achismo. Estatisticamente, nas três temporadas anteriores, Razia marcou pontos nas corridas de abertura em duas: foi sétimo na Espanha, em 2010, e sexto na Turquia, no campeonato passado. Apesar disso, em 2010, o brasileiro enfrentou um jejum de 12 corridas sem pontuar. No ano passado, nas últimas dez provas, Razia só pontuou em uma: o terceiro lugar na Hungria, quando largou na pole-position.

Nesses dois anos, o brasileiro também contabilizou 12 abandonos, pelas mais variadas razões. Errou, foi tocado e teve problemas mecânicos. Assim, é essa inconsistência que joga contra o próprio piloto. Se Razia nunca esteve nas listas de favoritos, é justamente por não ter conseguido dar sequencia aos bons resultados. Agora, cabe ao próprio piloto mostrar reação se quiser levantar a taça no final do ano.

Para não deixar passar, que corrida fez Felipe Nasr hein? Largou mal, mas aproveitou-se dos problemas com os pilotos da Lotus para terminar na sexta colocação na estreia. O pódio na manhã deste domingo foi a cereja no bolo da grande atuação no final de semana para um novato.

Ocupando a quinta colocação no campeonato, se conseguir manter a consistência em somar pontos nessa temporada, o atual campeão da F3 Inglesa já pode imaginar um bom resultado no final do ano. Título não estaria descartado, mas é realmente algo muito difícil no momento. Apesar disso, acho que Nasr começa a justificar o porquê de ser considerado um dos pilotos mais promissores entre os que não estão na F1.

Por fim, confira o looooongo hino nacional na Malásia:

3 comentários sobre “O que esperar dos brasileiros na GP2 2012

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