O retorno de Gabby Chaves ao automobilismo norte-americano

Gabby Chaves
Considerado uma das principais promessas do automobilismo há alguns anos, Gabby Chaves precisou dar um passo atrás na carreira para tentar se reerguer

Gabby Chaves está de volta ao automobilismo norte-americano. Campeão da F-BMW Americas, em 2009, o colombiano rodou Itália e Espanha em busca de conseguir alavancar a carreira no continente europeu. Não deu certo e agora o garoto retornou aos Estados Unidos para tentar recuperar o status de jovem promessa do esporte a motor.

Você pode até estranhar que esse nosso amigo colombiano seja a estrela deste post, afinal, o piloto não teve tanta fama deste lado da América como o xará “Chavo del Ocho”. Mas quando Gabby surgiu, entre o final de 2006 e início de 2007, o garoto era comparado pelos fãs mas afoitos como um novo Sebastian Vettel (e olha que o alemão tinha apenas o título da F-BMW no currículo) ou, ao menos, uma versão melhorada de Alexander Rossi.

Toda essa expectativa fez Chaves ter uma carreira precoce. Ele estreou aos 14 anos nos carros de fórmula, disputando corridas tanto na Colômbia quanto nas escolas de pilotagem dos Estados Unidos. Aí a fama começou de vez. Disputando o campeonato de 2007-2008 da Skip Barber, o colombiano venceu todas as dez etapas marcadas. Um prodígio certamente.

Para acelerar a adaptação aos carros de fórmula, Gabby foi levado para correr na Ásia, onde não conseguiu repetir o domínio da Skip Barber. Mas levando em conta a experiência dos adversários, não era um resultado tão ruim. No final das contas, o garoto voltou aos Estados Unidos para correr na F-BMW Americas, em 2009, como substituto de Alexander Rossi na equipe Eurointernational.

Gabby Chaves Skip Barber
Na Skip Barber, Gabby Chaves venceu as dez corridas da temporada 2007-08

Chaves não conseguiu repetir o domínio do americano. Foram apenas cinco vitórias em 14 corridas, mas o suficiente para garantir a taça contra o brasileiro Giancarlo Vilarinho e o canadense Gianmarco Raimondo. Com a América conquistada, Chaves decidiu seguir carreira na Europa.

Nesse momento da carreira, acredito que o garoto deus os passos errados. Não sei se foi por falta de patrocinador, mas ao invés de fechar com equipes de ponta dos diversos campeonatos da F3, Chaves renovou com a Eurointernational, que reestreava na F3 Italiana em 2010. Sendo praticamente a única equipe a usar o chassis Mygale, Chaves até conseguiu a pole-position na etapa de Hockenheim, mas passou longe da briga por vitórias e pelo título.

Ainda que a F3 Italiana estivesse valorizada em 2010 e a proximidade óbvia com a Ferrari, que inaugurava a Academia de Pilotos, correr na Velha Bota nunca pareceu um grande atrativo para os pilotos. Após esse primeiro desliza na carreira, Chaves resolveu focar na GP3 na temporada seguinte para se recuperar.

Entretanto, mais uma vez o garoto escolheu uma equipe errada. Foi competir pela Addax, que jamais conseguiu repetir o ritmo dominante que tem na GP2. Se a expectativa no início do ano era lutar por vitórias, aos poucos ficou claro que pontuar seria uma tarefa hercúlea. Foram apenas oito, em 2011, com a 19ª colocação no campeonato.

Talvez Gabby Chaves tivesse sido avaliado no início da carreira como um piloto fora de série, enquanto, na realidade, era apenas um bom competidor. Ou talvez a dificuldade de arrumar patrocínio prejudicou o desenvolvimento como atleta, obrigando-o a correr por essas equipes, digamos, alternativas.

De qualquer forma, Gabby não conseguiu – ou não quis – permanecer na Europa em 2012. O piloto resolveu voltar aos Estados Unidos para competir na Star Mazda pela poderosa equipe JDC, que conquistou o título de pilotos na temporada passada.

Gabby Chaves GP3
Talvez o problema na GP3 não tenha sido a falta de patrocínios. Ou pode ter sido, mesmo com tantos adesivos no carro

Ainda que o reposicionamento na carreira pareça aceitável, é curioso perceber como essa aventura na Europa não foi bem sucedida. A Star Mazda serviu como campeonato de acesso da F-BMW Americas enquanto esse certame ainda existia. Tendo Chaves vencido o tornio em 2009, então ele não deveria ter dificuldade para assinar contrato para pular de categoria com um time de ponta, caso quisesse prosseguir nos Estados Unidos.

Ou seja, agora ele volta para o mesmo ponto da carreira em que estava há dois anos. Mesmo cercado por essa evidente desconfiança, Chaves já conseguiu a terceira colocação no primeiro treino livre em São Petersburgo, mostrando que está afiado na briga pelo título.

Agora, com o foco na Indy, Chaves terá a chance de tentar recuperar o prestígio que tinha quando ainda era adolescente para tentar vingar como um dos principais pilotos latino-americanos. Depois desse tempo, ficou claro que não se tratava de um novo Vettel nem de um Alexander Rossi, mas anda assim o colombiano é bom piloto. Eu diria que é o mais habilidoso entre os que fazem parte desse programa Road to Indy.

Aliás, talvez essa tenha sido a vantagem da aventura europeia de Chaves. O garoto voltou aos Estados Unidos em um momento que o automobilismo de base no país está cada vez mais estruturado, com bolsas e cada vez mais chances de avançar categorias acima. O que não acontecia, em 2009, quando o popular “cada um por si” ainda imperava.

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