O fim da F-Renault UK

Kimi Raikkonen F-Renault UK
A F-Renault UK não vai mais poder fazer a alegria de pilotos como do jovem Kimi Raikkonen

Depois de 22 anos, a F-Renault UK está cancelada. O campeonato que revelou Lewis Hamilton e Kimi Raikkonen agora não existe mais. A SRO, empresa que passou a promover a competição há dois anos, anunciou que a temporada da categoria – marcada para começar em duas semanas – não vai mais acontecer por falta de interesse dos pilotos.

Apenas seis garotos se inscreveram para participar da disputa: Josh Webster, Josh Hill, Shahaan Engineer, Dan de Zille, Jake Dennis e o brasileiro Gabriel Casagrande.

Na realidade, o campeonato já vinha capenga desde 2011, quando apenas 11 pilotos disputaram a temporada completa. O grande problema foi a introdução do novo chassi da F-Renault que aumentou o custo de forma brutal. Ou seja, era pouco interessante para os garotos competirem apenas na Inglaterra se com o mesmo dinheiro poderiam participar da F-Renault Eurocup, com grids chegando a 40 carros.

Aliás, para 2012, duas equipes já tinham feito essa migração. A Manor, dona de 15 títulos na categoria inglesa, se mandou para o outro campeonato ao se fundir com a equipe holandesa MP. Como as vagas da Eurocup já estavam lotadas, essa foi a forma que o time encontrou de poder se juntar ao certame. A outra equipe foi a Atech Reid, que descolou uma vaga por já ter inscrito carros no último ano.

Além do problema do custo elevado para correr na Inglaterra, também começou a ficar muito caro correr para perder da Fortec. Com os organizadores mais preocupados em manter um número mínimo de participantes, a equipe de Richard Dutton pulou de quatro carros inscritos em 2009 para sete na última temporada (em um grid de 13 pilotos, é um número considerável).

Outro aspecto que certamente influenciou nessa decisão é a concorrência que a F-Renault UK tinha no próprio Reino Unido. Com a divisão das federações locais em BRDC e BARC, havia uma F-Renault BARC, embora esta nunca tenha fugido das suas características de campeonato amador, onde apenas os pilotos mais pobrezinhos corriam por lá. Quem queria seguir rumo à F1 participava da UK, e os organizadores aceitavam numa boa.

Assim, o grid da BARC jamais chegou perto da UK. Normalmente eram 12 carros na primeira contra cerca de 20 na segunda. O momento da virada aconteceu no ano passado, quando a organização da F-Renault BARC anunciou que a categoria não iria adotar os novos chassis, como uma tentativa de manter os custos baixos do campeonato. Uma série de equipes migrou de um certame para o outro e a BARC teve seus 20 carros contras os 13 da ‘concorrente’.

Kimi Raikkonen F-Renault UK
Detalhe curioso é que a F-Renault UK foi a outra categoria em que Kimi Raikkonen participou nos monopostos sem ser a F1

No final, o fim da F-Renault UK é o primeiro sinal da morte do automobilismo no Reino Unido, ao menos nesse nível top. O BRDC, presidido por Damon Hill, enquanto reformava Silverstone, não conseguiu salvar o campeonato, e a F-Renault não é um caso isolado. A F-Ford Inglesa tem sofrido para encontrar novos pilotos para 2012 (mas essa deve continuar) e a F3 Inglesa deve ter um grid de 15 a 17 carros, sendo dez deles entre Carlin e Fortec.

A grande diferença desses dois campeonatos, talvez seja a falta de concorrência que enfrentem. Como a versão britânica da F-Ford é a principal no mundo, os pilotos que querem competir nessa modalidade só tem o Reino Unido como opção, já a F3 Inglesa encontrou uma forma de se manter interessante ao disputar 40% de suas etapas no continente europeu, fora da ilha da Grã Bretanha. Até agora deu certo, mesmo com o fraco grid deste ano.

Quanto aos seis garotos lá de cima, que planejavam disputar o campeonato, a Fortec (onde estavam Dan de Zille, Jake Dennis, Shahaan Engineer e Josh Hill) já anunciou que vai competir na F-Renault NEC (Norte-Europeia). A Mark Burdett, de Josh Webster e Gabriel Casagrande, ainda não se manifestou. A tendência é que sigam o mesmo caminho, talvez até mesmo recebendo uma ajuda do BRDC para ter o budget para correr no certame norte-europeu, mas seria uma pena para o brasileiro ficar a pé nesse momento do ano.

Pensando bem, coitado do Gabriel Casagrande, quis evitar a bagunça que é o automobilismo brasileiro, mas saiu do fogo e caiu na frigideira. Vai entender.

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