A minha triste torcida pelo Basel

Max Wissel Basel F-Superleague
Max Wissel foi a grande revelação da história da F-Superleague. Pena que o Basel não estava à sua altura

Quando eu comecei a trabalhar no Grande Prêmio – aliás, você viu que o site novo finalmente estreou, basta clicar aqui para vê-lo – fui escalado para cobrir uma série de categorias diferentes do esporte a motor. Uma delas era a F-Superleague que estava no auge, se é que podemos chamar assim.

Em 2010, a categoria contava com o apoio da petroleira angolana Sonangol e conseguia emplacar grids de 16 carros, no mínimo. Entre os pilotos, gente como Sébastien Bourdais, Robert Doornbos, Neel Jani, María de Villota, Earl Bamber e Esteban Guerrieri estiveram presentes.

Claro que não era um pelotão dos sonhos, mas a qualidade dos pilotos era razoavelmente boa, e a F-Superleague aparecia como uma alternativa a F1 e Indy, ainda que com menos glamour.

Apesar de contar com times como Milan, Roma, Liverpool, Porto, PSV, Flamengo e Corinthians, a F-Superleague jamais conseguiu corresponder nas pistas à realidade do futebol. Nas três temporadas realizadas, o Beijing Guoan e o Anderlecht foram campeões – curiosamente Davide Rigon foi o piloto em ambas as oportunidades –, enquanto Adrian Valles levou o Liverpool ao único título de importância conquistado pelo clube nos últimos anos.

Apesar da conquista inglesa, as equipes que mais se destacavam na categoria eram as desconhecidas do grande público, como o próprio Beijing Guoan, além de Anderlecht e Olympiacos. Mas em determinado momento da temporada 2010, quem o papel de protagonista cabia ao clube suíço do Basel, que contava com o alemão Max Wissel.

O garoto, então com 20 anos de idade, era a principal revelação do campeonato. É verdade que a F-Superleague serviu para impulsionar a carreira da Davide Rigon rumo à GP2 e à Ferrari, onde é piloto de testes, mas o italiano já era conhecido nas categorias de base do automobilismo antes de chegar ao certame. Max, por outro lado, era um completo desconhecido.

Com o garoto em boa fase, o Basel passou a ser figura certa na briga pela vitória em quase todas as provas. Coincidentemente, nessa época a equipe suíça estava disputando a Liga dos Campeões. Sabe-se lá por qual motivo, achei que eles eram um time forte, afinal, venciam Milan, Lyon e Porto todas as semanas nas pistas. Nos gramados, então, seria um passeio.

Max Wissel Basel FC
Um belo dia Max Wissel foi visitar o Basel em pleno jogo oficial da equipe. Tirou foto com a presidente, mas nada de o colocarem em campo..

Juro que gosto de futebol internacional. Acompanho, mas não torço. Como o nobre João Paulo Borgonove diria, não tem nada de ‘Meu Barcelona’ ou ‘Meu Manchester City’. Eu apenas simpatizo com duas equipes: o Benfica e o Birmigham, mas não posso dizer que sou torcedor. Apenas ligo a TV e, se estiver passando jogos de um desses times, assisto. Caso contrário, vejo outra partida ou mudo de canal.

Mas naquela Champions League, não raciocinei direito e fui torcer pelo Basel, lógico, inspirado na F-Superleague. Para quê? Na fase de grupos, a equipe caiu com Cluj, Roma e Bayern de Munique. Venceu o Cluj, jogando em casa, e a Roma, na capital italiana (bom, qualquer um vence a Roma né?), mas evidentemente não foi o suficiente para se classificar para a fase seguinte.

De qualquer forma, os suíços foram jogar a Europa League, onde teriam o Spartak Moscou pela frente. Qual chance os russos tinham? Eles nem estavam na F-Superleague! Mas o Basel deu vexame jogando em casa e perdeu por 3×2, dando adeus à classificação.

Agora, falando como torcedor, quem eu poderia xingar? Quem seriam os alvos das reclamações? Eu não fazia ideia de quem jogava no Basel. Então, cheguei à conclusão de que a culpa era do técnico, que não escalou Max Wissel para jogar. Certamente se ele estivesse em campo, o time poderia ter até avançado na Liga dos Campeões.

Talvez você esteja se perguntando por que estou contando este ‘causo’ sobre a minha torcida pelo Basel. É que nossos amigos suíços finalmente conseguiram passar de fase na Champions League em 2011/12. Nesta terça-feira, dia 13, era o jogo da morte, contra o Bayern de Munique, valendo vaga nas quartas de final.

No primeiro jogo, o Basel tinha vencido por 1×0, gol do Max Wissel. Ok, não foi ele quem marcou, mas não faço ideia de quem tenha sido. Então, para todos os efeitos, foi o piloto alemão e ponto final. Hoje bastava segurar o empate e talvez o time poderia até sonhar com o Mundial de Clubes no Japão.

Dessa vez, o técnico alemão escalou o que tinha de melhor na equipe. Claro que Max Wissel não jogou. Mas tinha Shaqiri, algo como um clone do piloto nos campos, craque da equipe, astro da seleção suíça e que já estava vendido para o Bayern (!!!). Mesmo assim, não deu. O Basel foi derrotado na Allianz Arena tomando uma incrível goleada de 7×0 e deu adeus à competição.

E, assim, novamente minha torcida pela equipe suíça acabou. No final das contas, acho que o técnico do Basel deveria, sim ter escalado o Max Wissel. Tanto no jogo contra o Spartak, há dois anos, quanto hoje. Afinal, seria difícil um resultado pior do que esse. Nessas horas, fico feliz que a F-Superleague tenha acabado.

5 comentários sobre “A minha triste torcida pelo Basel

  1. Minha duas paixões esportivas, o futebol e o automobilismo. Mas acho que essa Superleague era uma furada desde o começo. Principalmente pelo fato de só haver um carro de cada time (de futebol), o que fez com que o público não criasse empatia com as equipes (da categoria, e que corriam com um carro de cada time). Tá certo que assim era possível ter mais times, mas era muito fake, afinal, você não poderia torcer por uma equipe, mas sim por um piloto que talvez nem conhecesse nem simpatizasse. Eu por exemplo só lembro de um piloto conhecido (e brasileiro) que pilotou o carro do meu Flamengo (não torço por times europeus, embora simpatize com Barcelona, Manchester City, Paris Saint-Germain e AEK de Atenas, mas aqui no Brasil sou Flamenguista roxo desde pequeno). Sem dúvida, a F-Superleague foi pro vinagre porque era um campeonato muito obscuro.

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  2. legal, Felipe, sou fanático só por corridas, futebol só dou uma espiada de vez em quando – torrço procoríntia mas não morro pelo time, faz 30 anos a última vez q fui a um estádio ver jogo (tenho 50 de idade).

    mas tenho grande simpatia pela cidade de Basel, estive lá duas vezes, tem um excelente museu de arte, o Kunstmuseum, com um acervo de século XX pra ninguém botar defeito. e é acolhedora e charmosa.
    também é a cidade natal do escultor Jean Tinguely, que realizou obras fantásticas, a maioria com motores elétricos integrados – o cara tinha um talento excepcional para mecânicas em geral e, quando passou a ganhar dinheiro com seu trabalho, comprava Ferraris GT para uso pessoal (isso ainda nos sixties, então você imagina as carangas…).

    q pena q o time tomou essa lavada, até acompanharia o percurso de um underdog nas partidas seguintes.

    mas…e por onde anda o piloto alemão?

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