O belo campeonato de inverno da F3 Espanhola

F3 Espanhola Paul Ricard European Open
O pódio do torneio de inverno da F3 Espanhola em Paul Ricard, com Alex Lynn, Noel Jammal e Tatiana Calderón

Continuando a série campeonatos de inverno disputados em um ou dois finais de semana, por um bando de garotos desconhecidos e que não vale absolutamente nada, chegou a vez da F3 Espanhola.

Por algum motivo, em 2012, a organização do certame espanhol resolveu criar um torneio em cima da hora, que teria uma etapa no Algarve e outra, neste final de semana, em Paul Ricard.

Como essas coisas feitas em cima da hora nunca dão certo, a rodada portuguesa foi cancelada devido à falta de fiscais na pista. Então, tudo se tornou um grande treino coletivo como preparação para o final de semana francês.

Com um pouco mais de tempo, neste primeiro final de semana de março deu tudo certo, e o campeonato – que curiosamente não teve campeão – foi disputado em duas corridas neste sábado, dia 4, no tradicional circuito de Le Castellet. Nas provas, as vitórias ficaram com o libanês Noel Jammal, que já está no certame faz alguns bons anos, e com o sueco Mans Grehagen, vindo da F-Abarth.

Em termos competitivos, a grande expectativa para esse campeonato era ver a estreia de Alex Lynn em um carro de F3. Em 2011, o britânico dominou a F-Renault UK e conseguiu fechar com a Fortec para a disputa da F3 Inglesa neste ano. No entanto, devido à falta de pilotos no grid do campeonato da Renault, havia algumas dúvidas quando ao talento do garoto.

Afinal, teria ele vencido a F-Renault porque era o único piloto experiente em um campeonato cheio de novatos ou ele é realmente a mais nova promessa do automobilismo do Reino Unido? Na tentativa de começar a responder essa questão, Lynn competiu em Paul Ricard pela equipe West-Tec – a mesma que teve Victor Corrêa e Fabio Gamberini ano passado – e não impressionou.

O garoto conquistou um segundo e um terceiro lugar e teria sido o vencedor caso houvesse uma taça em disputa. Mas a falta de vitórias foi um pouco decepcionante para quem esperava um domínio do garoto.

Pessoalmente, eu acredito que o desempenho de Alex Lynn seja interessante e se o garoto vingar este post até pode se tornar histórico. Mas vamos falar a verdade. O único motivo para comentar sobre um campeonato de inverno da F3 Espanhola é por causa da maior concentração de mulheres por m² que esse torneio teve.

Tatiana Calderón Michela Cerutti e Valeria Carballo
O trio de representates femininas na F3 Espanhola: Tatiana Calderón Michela Cerutti e Valeria Carballo. Devemos concordar que é um campeonato deveras agradável

Foram três pilotas em um grid de 15 participantes: a colombiana Tatiana Calderón, a venezuelana Valeria Carballo e a italiana Michela Cerutti. Acho que em termos de proporção, é um dos grids mais femininos da história do automobilismo.

De qualquer forma, na pista, a melhor das três foi Tatiana. A colombiana conquistou a terceira colocação na primeira corrida, depois de largar em sétimo, mas abandonou a outra, quando foi tocada disputando a quinta colocação ainda na segunda volta.

E ela até que é boa. Em 2011, disputou a Star Mazda e terminou na sexta posição na classificação geral, conseguindo dois pódios. Mesmo tendo experiência na categoria, não são resultados ruins.

Ainda é cedo para falar qualquer coisa, mas essa ida para o automobilismo europeu nesta temporada é bastante interessante. Como ela tem apenas 19 anos, ainda tem tempo para se desenvolver como pilota. Mesmo que a F1 esteja muito distante, não seria absurdo pensar que ela pode entrar no grupo formado por Danica Patrick, Bia Figueiredo e Simona De Silvestro como musa do esporte a motor nos Estados Unidos. Ou seja, ela não precisa ter pressa para chegar logo às categorias principais e acabar queimando a carreira.

A outra preocupação é que ele não tenha problemas com patrocínio, algo que assolou a grande maioria dos pilotos colombianos que surgiram nos últimos anos. Gente como Carlos Muñoz, Sebastian Saavedra e Gustavo Yacaman tiveram um desempenho razoável no início da carreira, mas até agora não conseguiram se firmar. O futuro do trio em 2012 ainda é um mistério.

Enquanto Muñoz, Saavedra e Yacaman não decidem onde vão competir, a presença de Tatiana, Valéria e Michela ao longo de toda a temporada da F3 Espanhola em 2012 já está confirmada. Esse, certamente, não é o campeonato mais competitivo do automobilismo de base, no entanto, é o mais agradável de todos. Se é que você me entende.

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4 comentários sobre “O belo campeonato de inverno da F3 Espanhola

  1. Valeu pela resposta, essa questão é mais complexa do que eu imaginava.
    Eu acompanho a Indy mas ela não tem muita repercussão aqui no Brasil, eu não sei muito como as pilotos são vistas e avaliadas. Eu também não gosto dessa diferenciação, bom resultado para uma mulher, é a mesma categoria.
    E realmente a Simona merece a vaga que ocupa, eu acho ela bem competitiva, e que não se acomode, porque se nem a bela Danica conseguiu se “manter” na Indy devido a falta de resultados mais expressivos e foi tentar a sorte na nascar.

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  2. Algumas pilotos são rápidas e cometem poucos erros, mas raramente andam no mesmo nível dos homens.
    Acho que falta braço mesmo, e perna também, porque a cada freada é uma pancada no acelerador.
    O que falta pra uma mulher andar no mesmo nível dos homens hein daewlz?

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    1. Eu diria que as mulheres precisam ser vistas como pilotos e não como mulheres. A gente vê muitas e muitas vezes expressões como “para uma pilota ela foi bem” e eu acho que é esse tipo de coisa que destrói a carreira delas.

      Se a gante pega os resultados de Danica, Simona e Bia, por exemplo, são relativamente ruins. Há pilotos homens bastante promissores, que acabam perdendo vagas para elas. Aí o que acontece, essas garotas se acomodam e batem na tecla de que “são talentosas para uma garota”. E acaba que elas continuam correndo mais pela mídia que pelo talento.

      E a minhã opinião não é machismo, pelo contrário. Eu defendo que elas sejam avaliadas pelo talento e não pela beleza ou outra coisa. Se você pega a carreira da Simona, por exemplo, ela chegou na Indy depois de disputar o título da F-Atlantic com John Michael Edwards, que chegou a ser apoiado pela Red Bull, e com a eterna promessa Jonathan Summeton. Então ela mereceu a vaga que conseguiu.

      Aí a gente vê a Michela Cerutti do post acima. Ela ganhou uma corrida ano passado em um campeonato italiano de turismo. Depois disso, tiraram ela dessa categoria e jogaram para a F3 onde ela anda sempre no pelotão de trás. Ou seja, ela fez a carreira toda nos carros de turismo daí quando se destaca querem capitalizar em cima dela? Tá errado isso. Quantos outros pilotos não ganharam provas nesse mesmo campeonato? É claro que cabe defesa falando que a vitória em 2011 abriram portas para ela antes fechadas nos monopostos. Mas eu acho que é forçar um pouco falar isso. Ela poderia ter continuado no campeonato de turismo e seguir na luta por vitórias de igual para igual com os homens, para quê mudar para os monopostos e entrar nessa de “os resultados estão bons para uma mulher”.

      Então, respondendo a sua pergunta, eu acho que falta surgir uma garota que seja competitiva contra os homens e disposta a ser avaliada dessa forma, deixando para trás todas as coisas de auto-promoção.

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      1. “O que falta pra uma mulher andar no mesmo nível dos homens hein daewlz?”
        “Eu diria que as mulheres precisam ser vistas como pilotos e não como mulheres. A gente vê muitas e muitas vezes expressões como “para uma pilota ela foi bem” e eu acho que é esse tipo de coisa que destrói a carreira delas.”

        Deste ponto eu discordo , as mulheres que tiveram alguma carreira foi porque “para uma pilota ela foi bem” e não o motivo do fim das carreiras delas. A maioria das que começam não passam do 1º ou do 2º ano e as que continuaram foi as que tiveram algum resultado , nada expressivo mas compatível com o que elas podiam alcançar. Por exemplo , a Danica é uma piloto mediana , não era a pior do grid da Indy e tinha algumas qualidades (sofria poucos acidentes , conseguia resultados através da estratégia) e a 5ª colocação no campeonato era o limite dela.
        Respondendo a pergunta acho que falta e ter mais mulheres competindo ,a habilidade de um piloto é nata ou aprendida ? se for nata é da quantidade que podemos obter a qualidade se for for aprendida vai depender de aparecer uma mulher que tenha a dedicação e a obstinação dos grandes campeões para chegar ao topo da carreira , pode ser que isso nunca aconteça por haver alguma incompatibilidade física que limite a performance feminina.

        PS – Muito bom o seu blog , gosto muito de acompanhar as categorias de base de monopostos e encontrei aqui informações e analises muito boas e embasadas que não encontramos na grande imprensa ou em sites de mais renome . Parabéns pelo trabalho.

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