Benoit Treluyer Marcel Fassler André Lotterer Audi Le Mans 2011
A Audi conquistou o título das 24 Horas de Le Mans em 2011 com dois pilotos formados no Japão

Uma vez tive a oportunidade de entrevistar João Paulo de Oliveira para o Grande Prêmio e, obviamente, a primeira pergunta que fiz foi saber justamente como ele foi parar no Japão, onde havia conquistado o título da F-Nippon em 2010.

JP respondeu que recebeu uma proposta para seguir carreira por lá, onde ganharia salário para correr. Enfim, ele poderia se considerar um profissional do automobilismo. Um desejo compartilhado por tantos garotos no início de carreira, mas cada vez menos alcançável. Hoje, é bem mais comum os pilotos levarem dinheiro para poder competir do que viver do esporte a motor.

Essa é uma realidade bastante cruel, principalmente levando em conta todas as privações que os garotos passam ao longo da carreira, mas é interessante ver que no Japão, mesmo com a crise econômica e os últimos desastres naturais, é possível considerar o automobilismo como ‘ganha pão’.

Só que o esporte a motor nipônico não para por aí. No final da década de 1990 e início dos anos 2000, era bastante comum ver gente saindo daquele lado mundo para tentar a sorte na F1. Ralf Schumacher, Pedro de la Rosa e Adrian Sutil são alguns exemplos. Esse fluxo parou nos últimos anos, mas alguém ficou de olho no que o mercado asiático ainda podia oferecer.

Esse alguém é a Audi, atual bicampeã das 24 Horas de Le Mans. A montadora alemã anunciou nesta quarta-feira, dia 29, o plantel para a disputa da tradicional prova francesa, além das demais etapas do Mundial de Endurance.

Ao todo, quatro pilotos da fabricante fizeram carreira no Japão: Olivier Jarvis, André Lotterer, Benoit Treluyer e o recém-contratado Loïc Duval. Nenhum deles é novato no endurance, mas é curioso ver certo padrão da Audi na hora de formar os planteis.

Não dá para assegurar que haja alguma ligação, mas o segredo da montadora alemã pode ser confiar em como o automobilismo japonês se desenvolveu. Quem corre lá do outro lado do mundo costuma participar de dois campeonatos ao mesmo tempo: a F-Nippon (equivalente à GP2) e ao SuperGT (que terá equipamento equalizado ao DTM). Ou seja, um mesmo piloto é testado tanto nos monopostos quanto em provas de endurance, em dupla.

Loic Duval
Loic Duval ganhou tudo o que era possível no Japão antes de acertar com a Audi para Le Mans. Substitui Mike Rockenfeller na parceria com a eterna dupla Timo Bernhard e Romain Dumas

Claro que além de se abastecer do Japão, a Audi se assegurou de contar com os pilotos do mais alto garbo. Treluyer, que venceu a prova de Le Mans em 2011, foi campeão da F3 Japonesa em 2001, da F-Nippon em 2006 e do SuperGT em 2008.

Lotterer, que dividiu o carro com o francês, venceu duas vezes o SuperGT, em 2006 e em 2009 e é o atual campeão da F-Nippon. Jarvis, por sua vez, tem o currículo mais curto. Foi o terceiro colocado na F3 Japonesa e venceu uma etapa do SuperGT, mas é o único que já triunfou em Macau. Por fim, Loïc Duval foi o campeão da F-Nippon de 2009 e do SuperGT em 2010.

Além dos currículos recheados de títulos, os garotos têm outra coisa em comum. Todos já haviam participado das 24 Horas de Le Mans por outras equipes antes de serem puxados pela empresa alemã.

Talvez o segredo da Audi para o sucesso em Le Sarthe tenha sido este. Aproveitar de um mercado bastante competitivo e formado por verdadeiros pilotos – que ganham para exercer a profissão – e praticamente inexplorado pelas concorrentes. Assim, mesmo aplicando um filtro bastante rigoroso, os alemães têm uma fonte quase inesgotável de revelações para municiar seus carros.

Para encerrar, os carros da Audi em Le Mans serão os seguintes:

#1 Marcel Fassler/Andre Lotterer/Benoit Treluyer
#2 Dindo Capello/Tom Kristensen/Allan McNish
#3 Timo Bernhard/Romain Dumas/Loïc Duval
#4 Marco Bonanomi/Oliver Jarvis/Mike Rockenfeller