Guia da Nascar Nationwide Series 2012

Nascar Nationwide 2012
Nascar Nationwide Series, mas também pode chamar de Sprint Cup B

Para dar continuidade às celebrações pelo retorno da temporada 2012 da Nascar, hoje é a vez do guia da Nascar Nationwide Series aqui no World of Motorsport. Bom, para falar a verdade, você não precisa ler nada do que eu escrevi aqui. Só passar o mouse para ver umas fotos da Danica e está de bom tamanho. Isso porque a Nationwide virou uma mentira. A Nascar finge que a categoria é uma divisão de acesso e a gente finge que assiste. Então, não perca seu tempo, leia o guia da Sprint Cup que é a mesma coisa. Os pilotos cada vez mais são os mesmos.

Ok, ainda há alguns jovens talentos no certame. Vou apresentá-los aqui nos primeiros parágrafos e depois eu meto o pau na categoria no restante.

Para começar, não dá para falar na Nationwide em 2012 sem citar a participação integral de Danica Patrick, essa que é a verdade. Finalmente a americana escolheu participar apenas dos campeonatos de turismo, deixando a Indy para trás. É uma decisão sensata. Nos monopostos, Danica já estava com a carreira estagnada, agora chegou o momento de ela tentar algo novo, mesmo que os resultados devem continuar iguais os de antes: nulos.

Danica Patrick
Não dá para ignorar a presença de Danica Patrick na Nationwide em 2012. Ela será o centro das atrações

No entanto, a expectativa em relação a piloto para esse primeiro ano completo é bastante grande. Pelo que ela demonstrou nas etapas em que participou em 2011, não é absurdo pensar em título. Quando ela deixou a Nationwide para se dedicar exclusivamente à Indy, estava no top-5 da classificação geral, então, a tendência é que ela tenha melhorado em relação ao ano passado. No entanto, essa é uma previsão muito otimista. Terminar o ano entre os cinco primeiros pode ser considerado de bom tamanho para a nova centro das atenções.

Em 2012, Danica terá Cole Whitt como companheiro na equipe de Dale Earnhardt Jr. O piloto mais popular da categoria pode receber todas as críticas do mundo pela falta de vitórias na Sprint Cup, mas ele comanda uma das equipes mais sérias que tem na divisão de acesso. Nos últimos anos, Dale Jr. foi um dos poucos pilotos a darem espaço para jovens talentos. Foi ele, por exemplo, quem descobriu Brad Keselowski praticamente do nada.

No ano passado, Jr. teve Aric Almirola no segundo carro e o piloto de origem cubana conseguiu subir para a Sprint na atual temporada. Para substituí-lo, Earnhardt Jr. aproveitou a extensa rede de contatos que tem para saber quem ele poderia contratar. As indicações foram de forma quase unânime em Cole Whitt, tirado à força do programa da Red Bull. Agora, a JR Motorsport tem um novo garoto para apostar. Dale Jr. já mostrou que ele é um chefe rígido. Demite mesmo, se for necessário. Mas caso o jovem consiga prevalecer na categoria, então estará em um bom caminho para seguir os passos de Keselowski e de Almirola, que chegaram à divisão principal.

O outro novato de destaque na Nationwide em 2012 é Austin Dillon, neto de Richard Childress e atual campeão da Truck Series. O piloto, que corre com o histórico número 3 – usado por Dale Earnhardt Sr. – foi tão bem na truck, que chega à divisão intermediária considerado um dos favoritos, mesmo ainda sendo apenas um novato.

Além de Dillon, os outros nomes na briga pelo título são do atual campeão Ricky Stenhouse Jr., Trevor Bayne (que ainda não está confirmado de forma integral, mas vai pilotar o carro 60, que tinha Carl Edwards), Elliott Sadler, Brian Scott, Justin Allgaier e Michael Annett. O restante, ou é novato, ou vai fazer figuaração.

Além de Dillon, há outros nomes interessantes na briga pelo título. Ricky Stenhouse Jr., o atual campeão, é certamente o favorito. Também na equipe de Jack Roush, Trevor Bayne (que ainda não está confirmado de forma integral, mas vai pilotar o carro 60, que foi de Carl Edwards desde a última era glacial) tem boas chances de terminar com o título, afinal ele é um dos pilotos mais experientes na divisão e terminou 2011 em alta com a vitória no Texas.

Brian Scott, que compete para Joe Gibbs, corre por fora, mas o piloto pode ser beneficiado pelo fato de que Kyle Busch não vai disputar etapas pela equipe (correrá somente pelo próprio time).  Justin Allgaier, da Turner, é outro que venceu no certame em 2011 e pode entrar na briga pela taça caso acabe com o problema da inconsistência que o acompanhou nos últimos anos.

Sam Hornish Jr.
Sam Hornish Jr. venceu pela primeira em 2011 e pode ser considerado um dos favoritos ao título

O último que merece algum destaque é Sam Hornish Jr., que volta a correr de forma integral pela Penske. Com a vitória em Phoenix, no final do ano passado, o americano tem boas chances de título e seria muito interessante se isso acontecer, afinal não é possível que ele tenha desaprendido a correr em ovais desde que deixou a Indy.

Elliott Sadler, Blake Koch, Tayler Malsam e Michael Annett (este agora na equipe de Richard Petty) são os últimos nomes de interesse nesse campeonato. O restante, ou é novato, ou vai fazer figuração.

Bom, para terminar de apresentar os novatos, ainda há a presença de Johanna Long, que vai competir de igual para igual com Danica Patrick no campeonato feminino. A pilota menos famosa, no entanto, só vai disputar 20 das 33 etapas ao longo do ano pela equipe MB, a única localizada no estado de Indiana (lar da Indy) e não na Carolina do Norte. (Curioso né? Deveria ser Danica e não Johanna nesse time, vendo por esse lado.

Jason Bowles, campeão da Nascar West em 2009, também é outro que garantiu vaga em tempo integral e vai competir pelo Novato do Ano, assim como o desconhecido Joey Gase, que alguns anos atrás ganhou uma bolsa depois de se destacar naquele programa Richard Petty Driver Experience, onde você pode pilotar um carro da Nascar em alguns ovais nos Estados Unidos.

P.S.: no fim, eu até acabei esquecendo de dizer que Nelsinho Piquet vai participar de algumas etapas da categoria em 2012, mais para o final do ano. Dependendo do resultado na Truck Series, ele poderá fazer a transição de certames em 2013. Miguel Paludo também pode estar em algumas corridas, mas isso ainda não é certo.

Agora com os principais pilotos devidamente apresentados, chegou a esperada hora de criticar a Nationwide.

Kyle Busch Nationwide
Cerca de 60% das pouco mais de 100 vitórias na carreira de Kyle Busch foram conquistadas na Nationwide

Acostumada a ter grid cheios de jovens promissores, a Nationwide se tornou nos últimos anos a divisão mais chata da Nascar. Ao invés de garotos querendo aparecer, pouco a pouco a categoria passou a ser invadida pelos pilotos da divisão principal – recebendo a alcunha de Sprint B – o que fez com que as provas de sábado, se tornassem uma preliminar malfeita das corridas dos domingos.

Nos últimos anos, Carl Edwards, Brad Keselowski Kasey Kahne, Brian Vickers, Clint Bowyer, Joey Logano e Kevin Harvick se tornaram nomes dominantes na categoria em detrimento dos jovens talentos. E o que falar de Kyle Busch? Ele se tornou o piloto mais vitorioso da história da categoria de acesso, mas que colecionou vexames pela falta de competitividade nos momentos decisivos da Sprint Cup, além de ser marcado por um comportamento no mínimo controverso.

No entanto, desde 2011, a situação da Nationwide começou a melhorar. A Nascar instituiu uma regra que obriga os pilotos a escolherem apenas uma divisão para somarem pontos. Assim, mesmo que disputem a temporada completa, os pilotos da Sprint Cup passaram a uma posição de coadjuvantes, embora ainda continuem dominando as provas.

Com os pilotos da Sprint não pontuando, a consequência foi um aumento dos participantes exclusivos da Nationwide. É verdade que nem todo mundo confirmado na categoria é jovem talento. Um dos nomes presentes em 2011 foi o de Elliott Sadler, que tem uma longa história na Cup. Pilotos como Aric Almirola e Reed Sorenson também participaram do campeonato, mas mesmo experientes eles ainda são jovens que buscam se firmar na divisão principal.

Para Almirola, por exemplo, deu certo. O piloto foi chamado pela Richard Petty para substituir AJ Allmendinger – que foi para Penske – na Sprint. É claro que a experiência do piloto na divisão principal contou, mas o quarto lugar na temporada 2011 da Nationwide foi um resultado para ser levado em conta.

Para 2012, Sadler mais uma vez foi confirmado pela equipe de Richard Childress para a disputa da Nationwide. Teoricamente, ele seria o vovô da categoria, mas com gente como Morgan Shepherd e Mike Wallace competindo é sacanagem chamá-lo assim.

Carl Edwards
Carl Edwards participou da Nationwide de forma integral desde 2004. Finalmente largou o osso

Apesar disso, a categoria parece muito mais interessante para o próximo ano. Em primeiro lugar, pela primeira vez nos últimos anos não haverá pilotos da Sprint Cup competindo de forma integral. O que, no entanto, não significa muita coisa. Nas etapas em que as duas principais categorias da Nascar dividirem uma mesma em um final de semana, a tendência é que boa parte do grid da categoria de acesso continue sendo formada por gente da principal.

Por exemplo, Joey Logano e Brad Keselowski devem disputar 2/3 da temporada. Kevin Harvick, Kyle Busch e Kurt Busch vão estar presentes em meio campeonato, com os irmãos dividindo um mesmo carro de forma integral. Kasey Kahne estará em pouco mais de 1/3 do calendário e até mesmo gente como David Ragan deve dar as caras em algum momento.

Se até 2011, Carl Edwards estava presente em todas as corridas, a decisão do piloto em deixar a categoria de acesso não adiantou para dar esse ânimo às disputas entre jovens promissores. Afinal, mesmo quando Nationwide e Sprint estejam em circuitos diferentes em um mesmo final de semana, ao menos Kurt Busch (mais em fim de carreira impossível) será nome certo nas duas categorias.

Talvez você esteja se perguntando por que a Nascar permite esse tipo de ‘invasão’. Certamente por ela ter interesse nisso. Muita gente defende a presença dos pilotos da Cup dizendo que eles atraem audiência e patrocínios para a categoria. É mentira. Todas as corridas da Nationwide contam com as arquibancadas praticamente vazias com um ou outro gato pingado assistindo. Se fosse uma disputa na pista apenas entre garotos, o resultado não seria muito diferente. Audiência da televisão também não é o ponto forte. A categoria tem mais telespectadores que a Truck Series, mas apresenta um crescimento inferior, porém. Muita gente que acompanha a Nationwide já a assistia antes da presença dos pilotos da Cup, então não são eles que necessariamente atraem a atenção.

Kyle Busch Kurt Busch Nationwide Monster
Com a nova equipe, os irmaõs Busch seguem de forma integral na Nationwde. Pergunto, para quê? Será que eles não cansam de se queimar?

Quanto à questão do patrocínio, é verdade que eles conseguem atrair as empresas top do mercado. Mas isso pouco importa. Se gente como Ricky Stenhouse Jr, Trevor Bayne, Steve Wallace e tantos outros vivem constantemente o drama da falta de investidor é justamente culpa dos atletas da divisão principal. Como eles atraem as grandes empresas, as equipes não têm dó na hora de desperdiçar investir o dinheiro, e o equipamento delas acaba sendo muito superior. Assim, o único jeito das revelações terem um carro à altura seria torrar a mesma grana.

Ou seja, sem os pilotos da Sprint, todo mundo gastaria pouco, mas gastaria mais ou menos por igual. Se hoje precisa de X dólares para operar da mesma forma com que se corre na Cup, então os times poderiam gastar 60% de X no futuro, se não tivessem esse custo por conta das grandes estrelas. E se a fonte das grandes empresas secar, a Nationwide continuaria existindo firme e forte.

O automobilismo jamais vai acabar por falta de interesse de empresas patrocinadoras. Sempre teve gente disposta a inscrever equipes com orçamentos apertados e fazendo milagres para terminar o campeonato. O problema é que esse tipo de gente foi passado a ser visto com desprezo por quem nada na grana. Quando a crise econômica chegou, as grandes equipes perderam esse dinheiro fácil e, para não ficarem longe das vitórias, acabaram demitindo os jovens pilotos ao invés de diminuir a agenda dos pilotos da Cup em campeonatos sem importância. O outro cara que se esforçava para manter dois carros correndo com o budget contado segue na categoria da mesma forma. E esses, sim, dão oportunidades aos jovens talentos.

A Nationwide, portanto, se tornou esse circo armado onde a competitividade é apenas um rascunho do que deveria ser uma categoria de acesso. Faz três anos praticamente que não tem um novato de verdade na Sprint Cup e parece que ninguém nas grandes equipes percebeu que a causa disso foi a morte da categoria de acesso. Enquanto Kyle Busch domina um sábado sim e o outro também, Joe Gibbs falhou em desenvolver Joey Logano, mas também não pôde substituir o piloto, pois não havia ninguém preparado. Jack Roush, que cansou de inscrever carros do próprio bolso na divisão de acesso, viu a crise chegar na divisão principal e tem cortado carros a torto e a direito. O resultado é a bela audiência que dizem que a Nationwide tem. Francamente viu?

Indo à parte burocrática: clique aqui para ver a lista de pilotos confirmados. As especificações técnicas estão aqui e o calendário de provas pode ser encontrado aqui.

P.S.2: Clique aqui para ver o guia da Nascar Camping World Truck Series. O guia da Nascar Sprint Cup 2012 está aqui.

P.S.3: O jogo do Ho-Pin Tung na F1 pode ser encontrado aqui. Dica: antes de clicar, desligue o som se você estiver no trabalho.

2 comentários sobre “Guia da Nascar Nationwide Series 2012

  1. porque as tvs brasileiras não transmitem os treinos da temporada de 2012 para o Brasil?} será que não há audiencia para tal?

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    1. Os da Sprint Cup estão sendo transmitidos, mas os da Nationwide não. Acho que na divisão menor nem nos Estados Unidos passam.

      De qualquer forma, acho que o problema é arrumar espaço na grade de programação.

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