Gabriel Casagrande
Gabriel Casagrande é um dos cinco brasileiros já confirmados nas F-Renault em 2012

Se há uma categoria que valorizou absurdamente nos últimos anos foi a F-Renault. A categoria criada pela montadora francesa em 1991 viveu anos difíceis no final da última década – quando sofreu com a concorrência da F-BMW –, mas tem crescido desde o final do certame rival.

Nos últimos anos, a categoria atraiu as principais equipes das categorias de acesso europeias, como a ART Grand Prix, a Tech 1, a Fortec e a Josef Kauffmann. Com os grandes times, chegaram também as principais promessas. Em 2012, a Red Bull já confirmou três pilotos no campeonato, enquanto a McLaren terá dois.

Mas não é só lá na Europa que a F-Renault está tão visada. No novo campeonato, a categoria deve bater o recorde de participantes brasileiros. Até agora são cinco pilotos anunciados nascidos por aqui: Felipe Fraga, Victor Franzoni, Gustavo Lima, João Câmara e Gabriel Casagrande.

Entre o quinteto, Franzoni é o que tem maior experiência. O paulista disputou a F-Futuro em 2011, conseguiu duas vitórias e chamou a atenção pelo arrojo e pelas várias ultrapassagens ao longo do ano. Tanta velocidade também significou muitos acidentes. E por conta dessa inconstância, o mais jovem piloto a vencer uma corrida no Brasil ficou longe da disputa pelo título.

Franzoni acertou com a Cram Competition, para a disputa da F-Renault Eurocup, onde irá substituir o compatriota Henrique Martins no campeonato. Apesar de fazer parte de uma das equipes mais modestas do campeonato, o garoto está tendo bons resultados nos treinos da pré-temporada e conta com a experiência como principal trunfo na Europa. O piloto deve competir na F-Renault ALPS (Itália + Suíça), mas ainda não está certo se tomará parte de todas as etapas.

Victor Franzoni F-Renault
Victor Franzoni é o novo representante da dinastia brasileira na Cram, que já revelou Felipe Massa

Os outros quatro brasileiros estão fazendo a transição do kart para os carros de fórmula. Entre eles, todas as atenções estão voltadas para o badalado Felipe Fraga, que conta com a mesmos empresários que cuidaram da carreira de Rubens Barrichello e Tony Kanaan. Erradicado no Tocantins, Fraga passou 2011 testando pela F3 Sudamericana, mas acabou optando pela F-Renault. Pela Tech 1, o garoto deve competir na F-Renault Eurocup e na F-Renault ALPS.

Ao contrário dos compatriotas, Gustavo Lima vai tomar parte apenas da F-Renault ALPS. O brasiliense de apenas 16 anos foi contratado pela Koiranen e terá como companheiros de equipe Stefan Wackenbauer e Daniil Kyvat, que fazem parte do Red Bull Junior Team. Sem dúvida, será uma referência muito grande para o brasileiro.

Gabriel Casagrande, também de 16 anos, vai competir na F-Renault UK pela equipe de Mark Burdett. É um time modesto, que revelou Fábio Gamberini alguns anos atrás. É uma estreia complicada, sem dúvida, mas bastante interessante para alguém que pensa em seguir carreira na Inglaterra. Vale lembrar que o paranaense tem Ricardo Zonta e Enrique Bernoldi como coach e foi vice-campeão da Seletiva Petrobras de Kart no ano passado.

João Câmara é o último brasileiro confirmado. O goiano vai correr na F-Renault NEC (Norte-Europeia) pela Van Amersfoort. O primeiro contato dele com o novo time, no entanto, não foi dos melhores. João terminou o torneio de inverno da F-Renault UK na última colocação entre 22 participantes, mas sendo um dos mais inexperientes do grid. A efeito de comparação, Wackenbauer, da Red Bull, foi o 20º. Então, o problema de adaptação foi generalizado.

Um detalhe curioso é que entre os cinco pilotos desse post não há repetição de estados. Franzoni é paulista, Fraga nasceu no Pará, mas vive em Tocantins, Gustavo Lima é do DF, João Câmara é goiano e Casagrande é paranaense.

Como ainda estamos em fevereiro, a tendência é que o número de pilotos brasileiros cresça ainda mais. Guilherme Silva, por exemplo, atual campeão da F-Futuro, ganhou uma bolsa para correr em um campeonato internacional em 2012, mas ainda não anunciou planos. John Louis passou duas temporadas na F-Futuro e não seria interessante para a carreira caso ele repita o certame. Guilherme Salas e Luir Miranda surgiram bem em 2011 e podem continuar no campeonato da Fiat.

Apesar desse boom de pilotos brasileiros em campeonatos internacionais, há uma importante consequência que precisa ser mencionada.

Quem acompanha o kartismo, sabe que os grids estão em crescimento, mas ainda são pequenos em comparação há alguns anos atrás. Ou seja, se os brasileiros estão optando por sair do kart e ir direto à Europa, em algum lugar vai faltar gente. Dessa forma, justamente a F-Futuro e a F3 Sudamericana devem ser as categorias mais ameaçadas. Não é absurdo pensar, então, que esses dois campeonatos novamente devem ter grids reduzidos – ao menos do que depender de brasileiros – na próxima temporada.