André Negrão
A Draco contou com André Negrão em 2011, e o piloto deve seguir na equipe

Falar que a temporada 2012 da World Series by Renault está repleta de novidades já é algo batido. Neste ano, a categoria estreia um novo carro, similar ao usado pela GP2 até 2010, mas com a presença da asa móvel. Outro fato inédito é a disputa de duas corridas em Mônaco – ao invés de apenas uma –, além de uma etapa na Rússia.

Quanto às equipes, duas alterações já são conhecidas: a Dams e a Arden entram no campeonato, após a saída da Epic (que agora é tratada como reserva) e da malaia Mofaz.

Só que uma terceira modificação na escalação dos times pode acontecer. A Draco pode ser comandada por brasileiros na nova temporada. A revista italiana ‘Italiaracing’ publicou na edição X, que foi ao ar nesta última semana de janeiro, a entrada de Guto Negrão como um dos novos investidores do time italiano.

A notícia chega algumas semanas depois de Nadia Morini, chefa da equipe ao longo de 22 anos, ter anunciado que vai deixar as atividades de pista para se concentrar no marketing do time e no trabalho de prospecção de jovens. Adriano Morini, marido de Nadia e cabeça da Draco, já havia se aposentado no final de 2010.

Desde o final do ano passado, a equipe italiana anunciou que passaria por mudanças estruturais profundas. Além da saída dos Morini, um novo parceiro ainda vai ser anunciado – que pode ser Guto Negrão – e o equipamento contará com um novo esquema de pintura. Apesar disso, os demais funcionários da equipe devem manter as respectivas funções.

Em 2011, André Negrão, filho de Guto, foi um dos pilotos da Draco, conseguindo bons resultados na categoria. Apesar de ter somado apenas 20 pontos, terminando em 20º, o piloto superou com extrema facilidade o companheiro de equipe, Stéphane Richelmi, que já fechou com a GP2 para o próximo ano. O paulista também foi um dos novatos melhores classificados.

Marco Campos F3000
A Draco criou um time na F3000 apenas para dar prosseguimento à carreira de Marco Campos. O "real deal" da equipe

Caso a revista esteja certa e Guto Negrão realmente seja o novo investidor da Draco, acredito que a equipe passe a operar de forma semelhante à P1 ou à Carlin, na própria categoria. Nos últimos anos, esses times foram vendidos para pais de pilotos, mas puderam manter toda a estrutura intacta.

A família de Walter Grubmüller é dona da P1, mas o time não passou a se chamar Grubmüller Motorsport ou algo do tipo. O mesmo ocorreu com a Carlin. Trevor Carlin vendeu uma boa fatia da equipe ao pai de Max Chilton, dono da asseguradora AON (patrocinadora do Manchester United e da McLaren), mas o time não só manteve o nome do antigo dono como a estrutura é praticamente a mesma. Trevor, aliás, ainda exerce a função de chefe.

Por isso, mesmo que a família Negrão entre na categoria, não acredito em uma Negrão Racing ou algo semelhante. Deve ser apenas a chegada de um investidor.

Dito isso, seria meio lógico pensarmos que, caso Negrão assuma a Draco, a equipe italiana se torne uma das principais portas de entrada da Europa aos pilotos brasileiros, certo? Errado. Ela não pode virar isso, pois já é! Ao longo dos 22 anos, a lista dos pilotos que nasceram por aqui e correram pelo time italiano é bem extensa.

Além de André Negrão, a Draco já contou com nomes como Rubens Barrichello, Felipe Massa, Augusto Farfus, Ricardo Zonta, Bruno Junqueira, Gualter Salles, Djalma Fogaça, Rodrigo Sperafico, Leonardo Nienkotter, Wagner Ebrahim, Ricardo Teodosio, Luiz Fernando Uva, Alberto Jacobsen, Paulo Garcia, Eduardo Merhy Neto, Alexandre de Andrade, Sergio Paese e Marco Campos. Sendo que este último foi considerado pelos próprios Morini como o mais habilidoso dessa lista toda, mas que morreu em um acidente na etapa de Magny-Cours da F3000 em 1995.

Levando em conta essa lista, talvez a equipe se tornar brasileira seja apenas uma formalização. O único detalhe triste é o pouco caso que o time faz com essa história ligada aos pilotos nascidos por aqui. No site oficial da Draco, apenas os mais famosos têm a grafia do nome correta. No restante, tem coisa como Riccardo Zonta, Eduar Mery Neto, Leonardo Neikotten, Djgialma (!) Foçaca (!!) e o mais bizarro de todos: Brown Junqueira.

Outro detalhe curioso, é que o novo logo da Draco é o tucano do PSDB. Vai ver que o Serra também é um dos acionistas do time. (Não to falando sério, óbvio).

Abaixo o logo:

Draco tucano