2012 F3 Brazil Open: Fechado para balanço

F3 Brazil Open 2012
O F3 Brazil Open tem o mérito de reunir alguns dos principais jovens pilotos brasileiros em uma mesma competição

O F3 Brazil Open foi realizado neste penúltimo final de semana de janeiro, em Interlagos, como parte das comemorações do aniversário da cidade de São Paulo. Assim como aconteceu em 2011, Lucas Foresti dominou todas as quatro corridas para garantir o bicampeonato do evento.

Antes de falar sobre o resultado do Brazil Open, acho legal comentar do campeonato em si. Reclamar da falta de categorias de acesso para jovens pilotos no Brasil já se tornou um lugar comum. Só que o Open não tem esse objetivo de revelar novos talentos. No entanto, o campeonato é praticamente a única oportunidade que temos para ver os jovens pilotos brasileiros, que vão passar o ano na Europa, competindo no Brasil.

Já se reclama tanto que não há campeonatos de acesso por aqui, que essas iniciativas de atrair os jovens talentos, ainda que seja apenas por um final de semana, podem ser elogiadas. Afinal, Lucas Foresti, André Negrão, Pipo Dirani e Yann Cunha estão entre os principais jovens brasileiros que correm no exterior.

Então o Open acaba funcionando como uma apresentação e também uma despedida que esses garotos têm em relação ao público brasileiro, antes de passarmos o ano torcendo por vitórias e títulos deles.

É claro que o Brazil Open não consegue reunir todos os brasileiros importantes. Levando em conta os que estão apenas nas categorias de acesso da Europa, certamente os nomes de Cesar Ramos, Felipe Nasr, Luiz Razia e Pietro Fantin são as ausências mais sentidas, mas creio que nenhum deles tenha interesse de participar do torneio. O que não tira o mérito da disputa.

Outra coisa que geralmente é alvo de críticas é o tamanho do grid. Nesse final de semana, 11 pilotos estiveram presentes nas quatro corridas. Um número baixo, se compararmos aos inscritos da F3 Inglesa ou mesmo da GP3. No entanto, para um torneio de verão (inverno europeu) está competitivo. A efeito de comparação, a USF2000 teve apenas seis pilotos na edição de 2011 do festival de inverno. O equivalente da F-Abarth, em 2010, também mal alcançou uma dezena de participantes.

Vinícius Alvarenga e Raphael Raucci
Vinícius Alvarenga e Raphael Raucci foram alguns dos poucos novos nomes no Open de 2012

Mesmo assim, 11 pilotos ainda é pouco e é um reflexo do estado da F3 Sudamericana. Em 2011, poucas etapas tiveram mais que seis competidores reais na pista, então esse é um problema que a categoria tem que lidar e que não fica restrito apenas ao campeonato principal, disputado ao longo do ano.

Aliás, uma das principais críticas ao Open de 2012 é consequência do tamanho do grid: a falta de pilotos novatos. No ano passado, João Jardim, Bruno Bonifácio e Guilherme Silva – esse já tinha disputado uma única rodada da F3 Sudam – tiveram o primeiro contato com um carro da F3 no Open. Depois, Jardim foi correr na F-Renault e na Star Mazda, enquanto os outros dois continuaram no campeonato, com o mineiro também correndo na F-Futuro.

Dessa vez, os estreantes foram Raphael Raucci, Victor Franzoni e o venezuelano Roberto La Rocca. Franzoni, no entanto, já está confirmado para o próximo campeonato da F-Renault Eurocup e La Rocca vai continuar na F2000 americana. Assim, por enquanto Raucci é o único rastro de renovação para a F3 Sudam em 2012.

Uma renovação, aliás, bastante necessária lembrando que a Cesário, no último ano, por exemplo, teve uma média de idade superior a 25 anos na dupla de pilotos – formada por Fabiano Machado e Ronaldo Freitas.

Quanto ao resultado na pista, acho que seguiu à risca o que se esperava de cada piloto. Foresti era favorito ao bicampeonato e venceu com certa facilidade, principalmente após Victor Guerin e Pipo Derani terem se enroscado algumas vezes. A segunda colocação de André Negrão mostra que o paulista é habilidoso, mas ainda precisa se desenvolver. Nesse sentido, realmente faltou um duelo entre Foresti e Negrão, mas que deve acontecer na World Series by Renault neste ano.

No restante, Guerin e Derani confirmaram que ainda não estouraram, enquanto é difícil falar alguma coisa de Roberto La Rocca. Como o venezuelano ainda compete em uma categoria equivalente à F-Ford, ele não só teve que se adaptar ao autódromo de Interlagos como também aos carros de maior potência.

Por fim, acho que o Brazil Open correspondeu à expectativa em possibilitar um contato entre torcida – embora eu tenha dúvidas quanto à presença de público relevante em Interlagos – e pilotos que correm no exterior, mas o certame deixou a desejar no quesito surgimento de novos talentos. O que é ruim para a F3, que tem andado tão capenga.

P.S.: vale um dado curioso. Com as quatro vitórias em Interlagos, Lucas Foresti já tem 16 triunfos na carreira, independente da categoria. É o piloto brasileiro, com 21 anos ou menos, com mais vitórias na carreira

Um comentário sobre “2012 F3 Brazil Open: Fechado para balanço

  1. Felipe, tudo bem??
    Sempre leio as matérias aqui, apesar de nunca ter mandado algum comentário..
    Vc sabe qual o preço de um Fórmula 3??

    Curtir

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