A decadência da GP3 em 2012

Grid da GP3
O grid da GP3 em 2012 pode ficar assim: cada vez menor e com vários espaços vazios

A GP3 perdeu. Depois de apenas dois anos, a categoria que prometia substituir a F3 na escalada rumo à F1 já mostra sinais de esgotamento.

Na última terça-feira, o dono da categoria, Bruno Michel, anunciou que em 2012 as equipes não são mais obrigadas a alinhar três carros por etapa. A partir de agora, cada time poderá optar por apenas dois carros com o acréscimo do terceiro, se desejarem. Como consequência, o grid de 30 carros deve ter pouco mais de 20 este ano.

Na realidade, não dá para determinar um único motivo para essa decadência da GP3. A crise econômica global certamente é um dos agravantes da situação, mas não é a único problema. Por pior que seja a crise, sempre existe a possibilidade de recorrer a pilotos pagantes dispostos a chegar à F1. Mas o problema é que a GP3 tem pouco a oferecer para esses garotos endinheirados.

A temporada 2012 da categoria será composta de apenas 16 corridas, em oito rodadas duplas, ao longo de quatro meses. Além disso, em cada etapa há um pequeno treino livre e outro classificatório. No resto do ano, há mais alguns treinos coletivos e só.

Com tão pouco tempo de pista, o fator econômico poderia pesar. É verdade que a categoria não é considerada cara, mas o custo/benefício não é tão válido assim, principalmente quando comparado ao da concorrente F3.

Felipe Guimarães
Em 2012, a GP3 não vai ter mais a Addax, que foi substituída pela Trident

As F3 se tornaram muito mais interessante para os atletas nesses últimos anos. Para começar, os carros são mais modernos que os da GP3, pois possuem uma aerodinâmica melhor. Depois, os campeonatos são mais bem estruturados, a maioria deles é composta por rodadas triplas, ao lado de dois treinos livres e um classificatório. É quase o dobro do tempo de pista.

E por fim, há a possibilidade de competir com um mesmo carro em diversos certames da F3. Uma equipe da F3 Euro Series, por exemplo, pode disputar etapas da F3 Inglesa, como a de Spa-Francorchamps, e usar o mesmo carro para participar da prova de Macau, sempre com ajustes mínimos. Por outro lado, se você compete na GP3, bem, você compete na GP3 e é isso.

Outro problema da categoria de Bruno Michel é o mesmo que matou a F3 Euro Series: é muito caro competir e perder para a ART. Uma vaga pode não ser tão cara, mas operar uma estrutura de três pilotos, além de cuidar da logística de cada etapa necessita de recursos. Com isso, as próprias equipes também passaram a perder o interesse no certame se apenas o segundo lugar está em jogo

Para 2012, por exemplo, a Addax não vai mais participar da GP3. A estrutura da equipe foi vendida para a Trident, que assume a vaga. Aliás, essa estrutura engessada do campeonato, onde não é possível uma equipe entrar na disputa sem tirar a vaga de outra, também contribui para a diminuição de pilotos.

Ao contrário da F3, que raramente mantém as mesmas equipes um ano após o outro, a GP3 não permite que novos times entrem. Então, essas vagas livres para 2012 vão ficar desocupadas, pois a participação só é liberada aos dez times originais.

O último motivo que levou à decadência da GP3 é o regulamento sem sentido criado desde o início. Até 2011, em cada etapa havia a participação de 30 pilotos, mas apenas o oito primeiros pontuavam. Para piorar, no domingo, a corrida curta só premiava os seis melhores, então, no final das contas, era impossível que alguém pudesse se recuperar de um resultado ruim no treino classificatório.

Agora imagina o número de bandeiras amarelas que tem na classificação por conta de 30 carros – com muitos pagantes – indo à pista simultaneamente entre um treino e outro da F1. Terrível não?

Aos poucos, os pilotos viram que as condições oferecidas pela GP3 estavam longe das ideais. Ao mesmo tempo, perceberam que a vantagem de permanecer no paddock da F1 não compensava os problemas enfrentados, afinal, os campeões das F3, da World Series e de Macau recebiam a mesma atenção.

Um comentário sobre “A decadência da GP3 em 2012

  1. Nunca imaginei que um F3 era mais moderno que o GP3, na minha opinião leiga, o GP3 parecia muito mais atual.
    Acho que outro problema para a categoria é a concorrência da World Series também, que tem carros mais rápidos e um público muito mais significativo.
    O engraçado da história toda é que a categoria surgiu para bater de frente com a F2 (uma senhora pataquada da FIA, diga-se) e daqui a algum tempo, nenhuma das duas vai existir…

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