Monster Kyle Busch
O novo carro dos irmãos Busch na Nationwide. Um monstro incontrolável. Assim como a categoria

O anúncio já era esperado, mas o conteúdo foi surpreendente. Com o patrocínio da Monster – que aparentemente deixa Ricky Camichael – Kyle Busch e Kurt Busch vão dividir um carro na Nationwide em 2012, pela equipe do irmão mais novo.

Nenhum dos dois vai disputar o campeonato da Nationwide, ambos vão somar pontos na Sprint Cup, mas mesmo assim é um retrocesso tremendo para a categoria.

Desde que a Nascar passou a obrigar os competidores a escolherem apenas uma divisão para pontuar, o interesse dos pilotos da Sprint pela Nationwide começou a diminuir gradativamente. Quem acompanhou a divisão de acesso nos últimos anos cansou de ver Kyle Busch, Carl Edwards e Brad Keselowski, entre outros, dominarem todas as corridas.

Em 2012, Carl Edwards já anunciou que não vai participar do campeonato. Keselowski vai dividir o carro da Penske com o jovem Parker Kligerman, já Kyle Busch tomou um chamado do chefe Joe Gibbs depois da confusão na corrida do Texas da Truck Series e foi obrigado a participar de poucas provas.

Então qual foi a solução encontrada por Kyle Busch? Contratar o irmão para disputar as demais etapas.

Kurt Busch, o mais velho, está naquele período decadente da carreira. Foi demitido da Penske, já havia saído brigado da Roush e arrumou uma vaga na Phoenix, onde deve ser um candidato à vitória apenas nos circuitos mistos e nos superspeedways. Pouco para quem foi campeão em 2004 e nunca mais se encontrou.

Agora o piloto tem a chance de voltar a ser rei e disputar novamente a primeira colocação. Mas dessa vez é contra um bando de jovens pilotos, que ainda estão em fase de aprendizado. Ou seja, ao invés daquelas poucas corridas legais de 2011, quando pela falta de pilotos da Sprint, os garotos da Nationwide divertiam o público em boas disputas, até mesmo pelos erros que cometiam, dessa vez vamos ter que aguentar Kurt Busch.

Kyle Kurt Busch Nationwide
Imagina se Fernando Alonso fosse correr na GP2 por conta da seca de títulos? É isso que Kurt Busch está fazendo

Nada contra o piloto, aliás. Entretanto, o americano acaba passando a imagem de estar sendo um pouco medroso nesse passo atrás. Não é novidade que o objetivo de Kurt Busch é arrumar uma vaga em uma grande equipe da Sprint em 2013. As maiores chances estão em dois times: Michael Waltrip e Joe Gibbs, que tem pilotos no último ano de contrato (Martin Truex Jr e Joey Logano, respectivamente).

Assim, para ser o escolhido de Joe Gibbs, Kurt precisa mostrar que pode voltar a vencer e ser um piloto de ponta. Algo que desde 2005 ele não é e, aliás, só tem piorado com o passar dos anos. Então, qual seria o melhor jeito de fazer isso? Brigar pela vitória em todas as oportunidades possíveis pela Phoenix Racing. Foi isso que Brad Keselowski fez três anos atrás, quando descolou a vaga na Penske. Vale lembrar que, na época, ele era piloto da Hendrick, mas o time já tinha avisado que ele não deveria ter chances na Sprint.

Você pode até argumentar que Keselowski também seguiu na Nationwide mesmo depois de ter estreado na Cup. Mas aí fazia sentido, ele ainda estava aprendendo a correr. O tempo extra na pista, se não era necessário, era muito bem-vindo. Não é esse o caso de Kurt Busch. Como ele sabe que o equipamento da Phoenix é muito limitado, competir para o irmão mais novo é um jeito de estar nas primeiras colocações sempre. O detalhe é que ele vai estar correndo contra gente que praticamente estava no kart na época do primeiro título da Sprint, além do Morgan Shepherd. Desse jeito é fácil mostrar trabalho.

E quem sai perdendo é mais uma vez a Nationwide. Para 2012, o campeão Ricky Stenhouse Jr, Trevor Bayne e Steve Wallace estão sem patrocinadores. Enquanto isso, a Monster, que aumenta a participação terá um ex-campeão da Cup em seu carro. Afinal, quem disse que o mundo é justo?

Por fim, eu acho que a patrocinadora está certa. Vai garantir uma exposição que nunca teve antes na Nascar, ainda mais com a saída da Red Bull da categoria. Se as regras permitem esse tipo de coisa, eles não teriam motivo para hesitar.

Assim, cada vez mais a Truck Series vai ganhando espaço contra a chatíssima Nationwide. E olha que ainda tem gente que defende a participação dos pilotos da Sprint na divisão menor falando que eles trazem audiência e patrocinador. Por favor, né? Quem quer ver uma corrida com Kurt Busch dominando contra um bando de garoto? Aí tem aquele vazios cada vez maiores nas arquibancadas e todo mundo continua falando em audiência.

Quanto aos patrocinadores, você pode até dizer “ah, mas sem os Busch a Monster não teria ido para a Nationwide”. Pergunta pro Ricky Carmichael se ele negaria a oportunidade de correr na categoria com o patrocínio do energético. Então, como as regras permitem, mais uma vez o investidor prefere um piloto estabelecido a um novato.