Todo mundo sabia que um dia a carreira de Rubens Barrichello na F1 ia acabar. Ao menos que ele se proponha a correr pela fraca HRT, o brasileiro não deve fazer parte do grid da categoria na abertura do campeonato, em 15 de março, na Austrália.

Prefiro fazer uma análise fria do que aconteceu, de quem não era um insider, mas que trabalha com a F1 nesses últimos anos. Barrichello conquistou o vice-campeonato terceiro lugar de 2009 pela Brawn GP e optou correr pela Williams no ano seguinte. Esse foi o maior erro. Era óbvio que o piloto não sabia o que podia acontecer, mas a decisão foi desastrosa.

Barrichello foi seduzido por um projeto de liderar um time aos grandes resultados, por isso mesmo falava em vitória. A Williams seria a principal equipe da Cosworth e contaria com uma das melhoras duplas da F1, com o brasileiro e com Nico Hülkenberg. Talvez pelo imaginário que a equipe inglesa criou ao longo da década de 1990, talvez pela vontade de estar onde Ayrton Senna correu, ou talvez por algum outro motivo pessoal, o piloto optou por ir trabalhar em Grove.

Na época, ele tinha proposta da McLaren e também poderia seguir na Brawn – que viraria Mercedes – mas acabou escolhendo a Williams. É óbvio que ele não podia prever a crise interna e a péssima administração de Grove – onde o talento foi substituído por dinheiro –, mas foi essa decisão que acabou custando a F1.

Se tivesse ido para McLaren ou Mercedes, dificilmente teria sido chutado em um 17 de janeiro. Saberia anteriormente que o contrato não seria renovado. As equipes grandes geralmente avisam os pilotos antes, até porque elas têm pressa para fechar contratos e desenvolver o carro do próximo ano. Assim, Barrichello ainda teria tempo para negociar com Lotus, Caterham, Sauber, ou alguma equipe desse nível.

Claro que tudo até aqui é um paliativo e também, um exercício de imaginação de como o brasileiro poderia ter prolongado a carreira na F1 por mais alguns anos, mas acabara aceitando se tornar o capitão de um Titanic inglês.

Pois bem, essa é a análise que eu me propus a fazer.

Longe da F1, Barrichello agora tem bastante tempo livre pela frente. Ele pode levar os filhos na escola, lavar a louça, arrumar a cama, pilotar no simulador, jogar basquete com o Tony Kanaan, cozinhar e ir ao supermercado todas as tardes. Ou ele pode aceitar a minha sugestão e ir correr no STCC.

STCC
O STCC é a principal categoria da Escandinávia e uma das maiores do mundo. Vai, os carros são bem legais!

Ok, primeiro você pode estar se perguntando o que é esse tal de STCC. É o campeonato de carros de turismo criado na Escandinávia, com provas na Dinamarca e na Suécia. Apesar de parecer distante e pouco atrativo, é o terceiro campeonato mais importante do mundo na modalidade, ficando atrás apenas do WTCC e do BTCC.

O certame surgiu em 2011, como união dos torneios da Dinamarca e da Suécia, e atraiu grandes nomes do esporte, como Colin Turkington, James Thompson e Fabrizio Giovanardi, todos antigos campeões do BTCC, e Gabriele Tarquini, campeão do WTCC, além de ídolos locais. Quem também apareceu na competição foi Alx Danielsson, o campeão mais obscuro da história da World Series by Renault.

Bom, e por que Barrichello deveria optar por correr no STCC e não no DTM, por exemplo? Fácil, porque ele ficaria longe da mídia e do paddock para poder trabalhar com calma para voltar à F1, caso seja essa a vontade. Não estou falando para que o brasileiro compita a temporada toda. Ele pode fazer duas ou três rodadas como convidado, testar o carro e, enfim, se divertir contra alguns dos melhores pilotos da modalidade.

Longe do epicentro europeu do automobilismo, ele poderia continuar indo às corridas da F1, fazer um teste ou outro para Pirelli e tentar negociar com alguma equipe menor um retorno em 2013, ou mesmo na segunda metade de 2012. O STCC serviria para que ele continuasse em atividade. No DTM, dificilmente Rubens conseguiria uma vaga que permitisse essa flexibilidade na agenda. Além disso, é muito difícil que um piloto experiente que se dedique ao turismo alemão consiga retornar à F1.

Scirocco
O brasileiro já competiu em um mod do STCC em um campeonato virtual

Além disso, o STCC não é uma novidade total para o brasileiro. Ele foi campeão da categoria em 2011. Quero dizer, ele foi o vencedor de um campeonato virtual que usava os carros do STCC como mod. Claro que há uma diferença muito grande entre real e videogame, mas ele não seria um completo desconhecido ao certame. Um último fato curioso sobre o torneio escandinavo é que Barrichello poderia correr contra Jordi Gené e Rickard Rydell, antigos rivais na época da F3 Inglesa.

Concluindo, não estou dizendo que o brasileiro deva desistir da F1. Apenas estou apresentando uma sugestão para que ele possa se manter na ativa, enquanto tenta buscar uma chance novamente na categoria máxima. Por isso mesmo, Barrichello no STCC, já!