Toyota Racing Series 2012

Josh Hill
Josh Hill (filho de Damon Hill) é uma das atrações do TRS 2012. Reconheceu o capacete?

Demorou pouco mais de dez dias, mas a temporada 2012 do automobilismo começou. Neste final de semana tem início a Toyota Racing Series (TRS), categoria neozelandesa que é um meio termo entre a F-Renault e a F3.

Em primeiro lugar, você pode estar se perguntando por que uma categoria da distante Nova Zelândia merece destaque no cenário internacional do automobilismo. Então, o importante da TRS é justamente por ser o campeonato que abre o calendário da FIA e do esporte a motor em todos os anos.

Para 2012, a Toyota Racing Series tem algumas mudanças em relação aos anos anteriores. Dessa vez, o torneio terá cinco rodadas triplas em semanas consecutivas, acabando com a divisão do certame entre nacional e internacional.

Isto é, até 2011, os pilotos dos outros países corriam quatro rodadas, mas ficavam de fora da última, já que propositalmente havia conflito de data com o início da preparação dos campeonatos europeus. Assim, a divisão internacional acabava com quatro etapas, mas havia mais uma rodada para os pilotos da casa, que acabavam melhorando a pontuação. É por isso que ao pegar a tabela de anos anteriores, os atletas de fora sempre ficam com uma rodada sem correr.

Esse ano a organização da Toyota Racing Series resolveu acabar com isso. As cinco rodadas acontecem de forma consecutiva e não existe mais proteção aos pilotos da casa. Talvez por isso o número de inscritos bateu todos os recordes: 20 jovens confirmados sendo apenas cinco neozelandeses.

Apesar do domínio dos pilotos de fora, os favoritos são justamente os nascidos na ‘Austrália B’. Mitch Evans, protegido de Mark Webber e que foi a grande revelação da GP3 no último ano, é o atual bicampeão do certame e, correndo pela equipe do próprio pai, teria tudo para levantar a taça pela terceira vez seguida, mas como o garoto só deve disputar duas rodadas as chances de título são nulas. O principal nome da Nova Zelândia, então, passa a ser o de Nicky Cassidy, que será companheiro de equipe de Evans.

Os demais integrantes da equipe são uma atração à parte. Para começar, tem o brasileiro Bruno Bonifácio, um dos poucos pilotos revelados por aqui no ano passado. Bruno foi campeão da F3 Sudam na categoria Light, onde literalmente não teve adversários, então essa é a primeira competição para valer da carreira. Justamente pela falta de experiência, não dá para esperar grandes resultados.

Lucas Auer, o sobrinho do Berger e protagonista do post de ontem – que você pode clicar aqui para relembrar – é o quarto piloto confirmado. O porto-riquenho Felix Serralles, companheiro de Pipo Derano na Fortec na F3 Inglesa, é o quinto membro, enquanto Hannes Van Asseldonk encerra o sexteto. O holandês disputou a F3 Alemã em 2011 e não foi bem. Mas na F3 Internacional, aquele campeonato da FIA que reúne as principais provas do mundo, ele teve grande destaque e quase brigou pela vitória em Macau.

Chris van der Drift
Chris van der Drift foi revelado pelo Toyota Racing Series. Ele voltou para conferir de perto o que acontece na categoria neste final de semana

Apesar desse alto garbo dos pilotos citados até aqui, o principal nome da competição é Raffaele Marciello, da Ferrari. Em 2011, Daniil Kyvat, da Red Bull, participou do campeonato, agora é a vez da equipe de Maranelo mandar um garoto para o certame. E você aí achando que a categoria neozelandesa não prestava… francamente, hein.

Marciello será companheiro de equipe de Nathanael Berthon, que deve competir na GP2, e de Jordan King, um inglês muito rápido (ídolo do Leandro Verde), que estreou nos monopostos em 2011, mas tem uma tendência de queimar a carreira ao pular etapas no desenvolvimento.

Para finalizar a lista, Josh Hill, filho de Damon Hill, retorna para o segundo ano na TRS e deve ser beneficiado pela experiência. O piloto será companheiro de equipe do francês Victor Sendin, que acabou de fazer a transição do kart e do malaio Melvin Moh, protegido da Petrona$, digo, Petronas.

Por fim, Michela Cerruti, da GP3, e Chris Vlok, único neozelandês estreante em 2011, fecham a lista de notáveis. Os demais pilotos e o calendário completo, que começa neste final de semana em Teretonga,  você pode ver clicando aqui.

Acho a Toyota Racing Series um campeonato bastante interessante. Como fã do automobilismo, é legal ver competições de alto nível logo no início do ano, além de acompanhar como esses pilotos internacionais se sairão contra os locais.

Se eu fosse piloto, certamente faria de tudo para correr na TRS ao menos uma vez na carreira. Acho que é uma experiência deveras importante para quem está fazendo a transição para a Europa. Primeiro, serve como intercâmbio para os garotos, que podem usar essas cinco semanas para aprender a língua inglesa e também os termos do automobilismo. E, segundo, quebra a ansiedade de pilotar.

Depois de 15 corridas e um título em jogo, quando esses meninos forem para os torneios europeus não vão ter mais aquele frio na barriga na hora de correr, porque já disputaram um campeonato para valer no ano. E essa também é uma boa experiência para poder mexer no carro e testar coisas novas, embora eu não saiba o quanto o regulamento permita de ajustes.

Minha aposta será num embate entre Nicky Cassidy e Hannes Van Asseldonk pelo título, mas acho que o neozelandês será campeão pela experiência que tem.

P.S.: para acessar o site oficial da categoria basta clicar aqui. Eu linkei com a página de resultados de propósito para você pode se divertir

3 comentários sobre “Toyota Racing Series 2012

  1. Caro Giacomelli,

    Esta série é sucessora da antiga Taça da Tasmânia? Lembro-me de que, quando era garoto (final dos anos 60), a temporada internacional começava com essa competição, que reunia corridas na Nova Zelândia, Austrália e, claro, Tasmânia. E Teretonga Park era uma das etapas. Warwick Farm era outra.
    Mas o interessante é que Lotus e BRM, por exemplo, enviavam pilotos do naipe de Jim Clark, Graham Hill e Jackie Stewart.
    Era uma avant-premiére da Fórmula 1.

    Curtir

  2. Aliás, ele terminou sua primeira corrida de Fórmula 2 em terceiro. Em Spa. E ainda correu com um carro totalmente branco com um único emblema da Hugo Boss na lateral. Como não torcer a favor?

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s