O legado de Senna e Berger no automobilismo

Ayrton Senna e Gerhard Berger
Ayrton Senna e Gerhard Berger eram brothers na F1 no início da década de 1990

No início da década de 1990, a McLaren era a equipe dominante na F1. O time tinha conquistado os dois últimos títulos da década anterior e, com saída de Alain Prost para a Ferrari, tinha também resolvido a briga interna entre os pilotos.

Entre 1990 e 1992, a equipe inscreveu carros para Ayrton Senna e Gerhard Berger, que ao longo desses três anos conquistaram dois títulos, 19 vitórias e 23 pole-position. Pode não ter sido o domínio exercido na época de Prost/Senna, mas esses anos ficaram marcados para os brasileiros devido ao bicampeonato de Ayrton (que já havia vencido em 1988).

Como todos sabem, Senna morreu dois anos mais tarde, em um acidente em Imola, enquanto Berger continuou na categoria por mais alguma temporadas, abandonando a carreira em 1997. Quase 15 anos depois da aposentadoria do piloto austríaco, o legado dos dois no automobilismo continua. De forma curiosa, o sobrinho de cada um, o filho da irmã, resolveu seguir carreira no esporte a motor.

Do lado brasileiro, Bruno Senna dispensa maiores apresentações. Por conta da morte do tio, o piloto ficou sem correr até 2004, quando disputou a F-BMW UK. Depois, passou por F3, GP2 e chegou à F1, onde competiu por Hispania e Renault e agora briga pela segunda vaga na Williams.

Berger também tem um sobrinho. Menos conhecido que Bruno Senna, Lucas Auer, de 17 anos, fez a transição do kart para os monopostos em 2011, quando conquistou o título da JK Racing Series, antiga F-BMW do Pacífico.

Bruno Senna
Bruno Senna sempre usou o sobrenome para dar prosseguimento à carreira. Mas também correspondeu relativamente bem às expectativas

É curioso ver como uma dupla que faz parte da história da F1 conseguiu coincidentemente ter sucesso com um mesmo membro da família. Apesar disso, também é interessante ver a diferença entre Bruno e Lucas. O brasileiro, por exemplo, seguiu carreira nos mercados mais tradicionais, competindo praticamente apenas por equipes inglesas – além da Hispania. Auer foi disputar um campeonato cuja maior parte das provas são realizadas em Sepang, com os adversários sendo garotos malaios.

Bruno aproveitou o sobrenome Senna para angariar patrocínio. Mas o próprio piloto já afirmou que não poderia ter sido diferente, afinal, para alguém da família do tricampeão, seria estranho correr com outro nome. Poderia até mesmo ser considerado uma forma de fugir da responsabilidade de suceder Ayrton. E o sobrinho tem sucedido o lendário tricampeão relativamente bem até agora.

Lucas Auer
Lucas Auer foi fazer carreira na Ásia. Mas o garoto até que lembra um pouco o tio Berger, não acha?

Lucas poderia correr com o nome de Lucas Berger – a mãe dele é irmã de Gerhard –, mas é inegável que o sucesso do austríaco na F1 foi muito, muito menor que o do companheiro brasileiro. Ao invés de aproveitar o nome do tio, o garoto optou por criar a própria história no automobilismo. Além disso, Lucas Auer também sempre pôde contar com a presença do tio não só para conselhos como em reuniões para negociar patrocínios e contratos. Algo que, obviamente, Bruno não teve em relaçã a Ayrton. Então, ter o sobrenome Senna deve ter feito a diferença nessas horas.

Quanto ao desempenho até agora, os dois podem ser considerado bons pilotos, embora não tão bons quanto os tios. A principal diferença é que Bruno começou a se destacar com carros maiores. Foi muito bem na GP2, quando ficou com o vice-campeonato, e conseguiu fazer algumas boas provas na F1 pela Renault.

Lucas conseguiu sucesso logo de cara na JK Racing Series, mas por ter corrido apenas contra asiáticos desconhecidos, ainda há dúvidas quanto ao real potencial do garoto. Afinal, por que o sobrinho de Berger teria ido fazer a carreira na Ásia, sendo que o tio poderia arrumar times de ponta na Europa? Seria essa uma forma de se desenvolver como piloto – já que a F1 tem meio calendário por aquelas terras orientais – ou um jeito de rechear o currículo de títulos, mas com dificuldade mais baixa que os certames europeus?

Independentemente das respostas – que só saberemos no futuro – Lucas Auer dificilmente reeditará com Bruno Senna a dupla dos tios na F1. Quando o brasileiro deixar a categoria, o austríaco ainda não deverá ter chegado (isso se chegar).

Mesmo assim, é curioso ver o legado deixado por Ayrton Senna e Berger. Principalmente se comparado com os herdeiros dos contemporâneos Alain Prost (Nicolas) e Nigel Mansell (Leo e Greg), que passaram muito, mas muito longe da F1.

4 comentários sobre “O legado de Senna e Berger no automobilismo

  1. Creio que Lucas Auer nunca poderia correr com o nome do tio, pois não tem Berger no seu nome, ao contrário do que acontece com o sobrinho de Ayrton. O nome completo de um é Lucas Auer, enquanto o nome do outro é Bruno Senna Lalli.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s