Jean-Eric Vergne
A World Series by Renault voltou a ser a casa da Red Bull em 2011

Como já é tradição aqui no World of Motorsport, chegou a hora de relembrar os melhores momentos de 2011. Para isso, nada melhor que começar com retrospectiva da temporada da World Series by Renault, que tirou Robert Wickens da fama de eterno vice-campeão que o perseguia.

Wickens, na realidade, não foi o único piloto que se destacou este ano. A WSbR foi dominada por quatro garotos que ganharam a alcunha de ‘Quarteto Fantástico’. Além do canadense, o grupo também teve Jean-Éric Vergne, Daniel Ricciardo e Alexander Rossi. Os quatro, aliás, só não terminaram nas quatro primeiras colocações do campeonato, pois Ricciardo já estava pilotando pela Hispania na F1 e a agenda não permitiu disputar a última rodada do certame.

Apesar de o quarteto ter ficado em evidência tanto tempo, a pré-temporada foi marcada pela expectativa da montagem dos planteis. A Carlin, que conquistara o título de 2010, resolveu apostar em pilotos experientes, trazendo Wickens e Vergne para substituir o então campeão Mikhail Aleshin.

Rival do time de Trevor Carlin na F3 Inglesa, a Fortec resolveu investir pesado para 2011. Trouxe Rossi e o brasileiro Cesar Ramos – campeão da F3 Italiana – para as vagas de Sten Pentus e Jon Lancaster. Por fim, Daniel Ricciardo deixou a Tech1 para correr pela ISR, que havia disputado o título da última temporada com Esteban Guerrieri.

Ricciardo teria Dean Stoneman – campeão da F2 – como companheiro, mas o inglês foi diagnosticado com um câncer nos testículos pouco antes da primeira etapa e acabou substituído por Nathanaël Berthon. A Tech1, por sua vez, promoveu dois novatos da F-Renault, Kevin Korjus e Arthur Pic, enquanto André Negrão subiu para a Draco. O último destaque ficaria com a venda da tradicionalíssima Epsilon Euskadi, que se tornou Epic, e passou a inscrever carros para Albert Costa e Pentus.

Jake Rosenzweig
Jake Rosenzweig trocou a Carlin pela Mofaz em 2011. Não importa na verdade, esse é meu carro favorito da temporada

Após uma pré-temporada com bom desempenho dos pilotos brasileiros, a World Series by Renault iniciou 2011 no dia 16 de abril no Motorland Aragón, em Alcañiz. Robert Wickens confirmou o favoritismo e marcou a pole-position, mas foi Daniil Move, da P1, quem assumiu a liderança da prova. O russo manteve a ponta até ser pressionado por Rossi, que conseguiu uma senhora ultrapassagem no rival.

Sabe aquele lance no GP da Hungria do ano passado, quando Michael Schumacher espremeu Rubens Barrichello no pit-wall? Então. Move fez o mesmo com Rossi, mas o americano foi persistente e conseguiu a ultrapassagem. Após a prova, o piloto da Fortec disse que contava com as equipes tirarem as placas de sinalização do pit-wall para que ele finalizasse a ultrapassagem sem ser atingido. Wickens e Nelson Pantiaciti completaram o pódio.

Na segunda corrida do final de semana, Cesar Ramos conseguiu a pole-position. A primeira de um piloto brasileiro desde Fábio Carbone, se não me falha a memória. Apesar disso, o gaúcho largou mal e foi ultrapassado por Korjus e Costa. O estoniano manteve a ponta e conquistou a primeira vitória da carreira na categoria e bateu o recorde que pertencia a Charles Pic de piloto mais jovem a ganhar uma corrida. Rossi e Costa completaram o pódio, com Ramos sendo o quarto.

Alexander Rossi
Alexander Rossi conquistou a vitória em Aragón

Em Motorland, os meninos da Red Bull não tiveram um bom final de semana. Ricciardo sequer participou da rodada – sendo substituído por Lewis Williamson – por estar na F1 em um treino livre pela Toro Rosso. Jean-Éric Vergne, por sua vez, não foi liberado pelos rubro-taurinos para participar dos treinos. Chegou direto para correr, praticamente, e não conseguiu top-5, mesmo terminando as duas provas nos pontos.

Com a oportunidade de treinar em Spa-Francorchamps, o rendimento do francês melhorou. Wickens venceu a primeira corrida na Bélgica e JEV foi o segundo. Os dois se inverteram na segunda prova, com a Carlin dominando o final de semana com duas dobradinhas. Costa e Chris van der Drift conseguiram um pódio cada. Os brasileiros não pontuaram.

Enquanto JEV aproveitou a etapa belga para entrar na briga pelo título, Ricciardo foi bastante criticado. O australiano terminou em décimo e em nono, muito longe de alguém que era considerado o favorito absoluto ao título. Em Monza, a fase do piloto não melhorou. Ricciardo foi punido após o treino classificatório sendo obrigado a largar em último. Vitória de Korjus após nova pole de Cesar Ramos.

A segunda corrida da rodada italiana só terminou meses depois. JEV venceu, enquanto Ricciardo conquistou a segunda colocação. Apesar disso, o francês foi punido em 10s por cortar uma chicane, dando a vitória para o companheiro de Red Bull Junior Team. A Carlin recorreu, e a decisão saiu só no segundo semestre do ano devolvendo os pontos a Vergne.

Daniel Ricciardo
A largada em Mônaco até pareceu F1. Carros com as corres da Red Bull, da Marussia e da Renault nas primeiras posições

O bom desempenho em Monza motivou Ricciardo. Em Mônaco, o piloto da ISR se aproveitou do tempo extra de pista – ao também ter testado pela Toro Rosso – para conseguir a pole-position com facilidade. Ricciardo largou na frente e dominou a corrida de ponta a ponta, apesar de ter sido pressionado por Wickens durante toda a prova. Com Brendon Hartley terminando na terceira colocação, o pódio foi formado por três pilotos que já fizeram parte do Red Bull Junior Team em algum momento.

Quem não andou bem em Mônaco foram Vergne e Rossi. Enquanto o francês foi apenas o 12º, o americano abandonou. A sorte de ambos não melhorou muito em Nürburgring. Vergne voltou a não conseguir terminar uma prova, terminando a outra em quarto. Rossi sequer completou uma volta na pista alemã.

O fraco desempenho do francês não podia ter vindo em uma etapa pior. O líder da temporada após a corrida alemã ganharia um treino com um carro antigo da Renault e o piloto era um dos que estava na briga, ao lado do companheiro de equipe, Robert Wickens. O canadense se aproveitou dos problemas do companheiro para conquistar duas pole-position, vencer uma prova e terminar a outra em segundo.

Aliás, foi justamente em Nurburgring que Kevin Korjus venceu pela terceira vez na temporada. O estoniano de apenas 19 anos fez uma prova história ao receber a bandeira quadriculada na frente mesmo largando em último. É claro que ele contou com a entrada do safety-car após um acidente entre Jake Rosenzweig e Anton Nebylitsiy e foi beneficiado por já ter ido aos boxes, mas é uma tática justa. Cesar Ramos e André Negrão conseguiram bons resultados no geral.

Robert Wickens e Jean-Éric Vergne
A briga pelo título ficou entre Robert Wickens e Jean-Éric Vergne

Com a luta pelo título praticamente restrita aos garotos da Carlin, JEV se recuperou em Hungaroring ao conquistar duas vitórias e vendo Wickens terminando uma na quinta colocação e a outra em sétimo. O canadense deu o troco em Silverstone ao vencer as duas, enquanto o companheiro-rival acumulou apenas um quarto lugar.

A temporada nesse momento entrou em uma fase dramática para Cesar Ramos. Apesar de ter conseguido duas pole-position, o brasileiro começou a sofrer para conseguir o orçamento necessário para competir, chegando a correr o risco de ser obrigado a ceder a vaga a outro piloto. Um investidor apareceu e Ramos pode continuar.

No dia 17 de setembro a World Series chegou ao circuito de Paul Ricard para a penúltima etapa da temporada. Correndo em casa, JEV mostrou que estava recuperado ao cravar a pole-position para a primeira corrida. O piloto novamente venceu com facilidade, mas não conseguiu descontar pontos importantes para o campeonato, já que o canadense terminou logo em seguida.

Vergne voltou a largar na frente na segunda prova, mas o piloto não foi páreo para Alexander Rossi e Daniel Ricciardo. O quarteto fantástico voltou a mostrar a melhor forma com três representantes no pódio e Wickens só não completando a fila por conta de problemas durante a prova. Apesar disso, o canadense ainda marcou a melhor volta.

Robert Wickens e Jean-Éric Vergne chegaram a Barcelona para a rodada decisiva separados apenas por dois pontos. O clima para a decisão era tenso, com os pilotos decidindo não trabalhar na mesma garagem, mesmo sendo companheiros de equipe. Na manhã do sábado, Wickens deu um enorme passo para o título ao marcar a pole-position para a primeira prova. JEV não foi bem, largando apenas em nono.

Na corrida, enquanto o francês passou cada um dos rivais, Wickens disparou na frente. O canadense recebeu a bandeirada com uma vantagem de 21s para o companheiro de equipe e abriu uma diferença de nove pontos. A prova ainda foi marcada pelo forte acidente de Adrien Tambay, motivado por uma falha nos freios do carro do francês. Para azar do garoto, ele só competiu na rodada catalã devido a uma crise de labirintite de André Negrão. O desfecho da temporada, portanto, não foi o mais animador para nenhum dos dois.

Na corrida decisiva, pole-position para Albert Costa. Wickens largaria em segundo, enquanto Vergne, em quinto. No início da prova, o canadense tentou ganhar posições por fora, mas foi bloqueado pelos rivais. JEV mergulhou para ultrapassar o companheiro, mas ambos se tocaram duas vezes. O carro de Wickens teve a suspensão quebrada e se encaminhou à área de escape, mas também atingindo Nathanael Berthon.

Vergne seguiu na corrida, conquistando o título se as posições não se alterassem. Mas o carro da Carlin estava danificado e ele foi obrigado a ir aos boxes para fazer os reparos. No retorno à pista, o francês brigava para entrar na zona de pontos e pode sonhar com a taça até ser acertado por Fairuz Fauzy. Fim de prova para JEV e título de Wickens.

No final, com os dois carros da Carlin tendo abandonado, a vitória ficou com Albert Costa, a primeira do espanhol na categoria. Após a vitória, o piloto falou que essa pode ter sido a última corrida da carreira, já que sofreu com a falta de investidores em 2011.

No campeonato, Wickens levantou a taça depois dos vice-campeonatos da F2 e da GP3 em sequência. O piloto somou 241 pontos contra 233 de JEV. Alexander Rossi terminou o ano em terceiro, enquanto Costa foi o quarto. Daniel Ricciardo foi apenas o quinto, mas o australiano também não correu em Barcelona por conta do GP de Cingapura da F1, que aconteceu na mesma data.

Ao longo das 18 etapas de 2011, apenas quatro pole-position e quatro vitórias não foram obtidas pelo quarteto fantástico. Para 2012, JEV e Ricciardo serão a dupla da Toro Rosso na F1, enquanto Alex Rossi deve correr pela Air Asia na GP2. Wickens, mesmo com o título, ainda não anunciou planos, embora conte com apoio da Marussia.

Destaque de 2011 com três vitórias, Korjus deve voltar a competir na categoria. O estoniano terminou o ano na sexta colocação. Cesar Ramos, o 11º, também negocia para permanecer na World Series by Renault, enquanto a participação de André Negrão (20º) deve ser confirmada no início do próximo ano. O piloto deve seguir com a Draco.

Em 2012, nas vagas ocupadas pelo quarteto fantástico, a Carlin já confirmou que terá Kevin Magnussen e Will Stevens, enquanto a Fortec anunciou Carlos Huertas. A ISR ainda não falou em nenhum nome, mas deve ter Laurens Vanthoor, além do retorno de Dean Stoneman, enfim recuperado do câncer.  Yann Cunha, na Pons, é o único brasileiro confirmado até o momento, mas Lucas Foresti e Felipe Nasr também podem aparecer.