Fabio Leimer
Poucos podem se dar ao luxo de gastar US$ 16 milhões para chegar à F1, como Fabio Leimer

Certamente você já ouviu que quando um pai pergunta sobre como fazer o filho chegar à F1 a resposta é começar pelo kart, que é a escola de todo piloto.  Não é esse o conselho que eu dou. Eu rebato o pai e questiono se ele está preparado para o mundo do automobilismo.

Normalmente a resposta é não. O automobilismo é um esporte muito diferente de qualquer outro porque é extremamente caro. Os milhares se tornam milhões e os reais viram euro em uma velocidade tão absurda quanto a dos carros. A maioria de nós jamais terá na vida dinheiro suficiente para financiar uma carreira, mesmo que fique meses sem comer e ignore qualquer conta que precise ser paga, como, água, luz, telefone ou internet.

Uma reportagem do site Motorsport.com – que você pode clicar aqui para ler – publicada nesta quinta-feira revelou que o suíço Fabio Leimer, que testou pela Sauber no treino dos novatos da F1 em Abu Dhabi, gastou até o momento US$ 16 milhões na carreira.

E olha que o garoto ainda está na GP2, que de custar mais uns US$ 2 milhões em 2012. Na hora de pular para a F1 esse número deve aumentar ainda mais.

É claro que nem Leimer nem ninguém precisam tirar tanto dinheiro assim do próprio bolso. A ideia é que equipes, montadoras, patrocinadores e investidores auxiliem a pagar todo esse custo ao longo da carreira de um atleta.

Leimer, por exemplo, é bancado pelo suíço Rainer Gantenbein, presidente da Domest AG, uma gigante na área de crédito na região dos Alpes. Ao contrário de muitos pais de pilotos, Ganterbein não tem muito pudor na hora de gastar dinheiro. O cara revelou sem nenhum rodeio a quantia que já pagou para a carreira de Fabio e, quando perguntando sobre as chances de o pupilo chegar à F1, afirmou algo como “se a Virgin pedir US$ 5 milhões, é isso o que eu vou pagar”.

Fabio não é um piloto ruim. Conquistou a extinta F-Master (que deu origem à GP3) em 2009 e conseguiu fazer boas corridas na GP2 pela Rapax neste ano. É verdade que o piloto decepcionou ao tomar o carro com que Pastor Maldonado foi campeão e só terminar o ano em 14º, tendo vencido apenas na segunda corrida de Barcelona.

Leimer depois compensou o ano abaixo do esperado ao dominar todos os treinos da pós-temporada, além de conquistar a vitória na GP2 Finals, em Abu Dhabi, já correndo pela Racing Engineering.

Vendo o quanto o garoto de 22 anos já gastou, eu acho que ele está mais do que certo. Ele é um dos poucos privilegiados cuja única preocupação é apenas correr, pois tem alguém disposto a gastar mundos e fundos para mantê-lo no esporte. E Leimer não é o único nessa situação. Ele é apenas o que teve a sorte de ver o manager falando em custos abertamente.