A promissora geração 2011 do automobilismo brasileiro

F-Futuro grid
Mesmo com grids vazios, as categorias de base brasileiras conseguiram revelar alguns bons pilotos

Este domingo, dia 30, marcou o final da temporada 2011 das categorias de base no Brasil. Tanto a F-Futuro quanto a F3 Sudamericana tiveram as etapas derradeiras e conheceram os respectivos campeões.

Ok, na F3 ninguém sabe se essa foi a última etapa, pois sumiram com a rodada de Londrina. Devido aos problemas no asfalto de lá, que se soltava durante a etapa da Stock Car, cancelaram a etapa, mas não houve, até o momento, o anúncio de que ela será ou não substituída. De qualquer forma, Fabiano Machado e Bruno Bonifácio já haviam conquistado o título da divisão principal e da Light, respectivamente, por antecipação.

Correndo sozinho, Bruno foi campeão da divisão Light com tamanha antecdência, que se mandou para a Itália onde foi correr de F-Abarth pela equipe Prema. Em quatro rodadas, teve um sexto lugar como melhor resultado, mas teve como ponto fraco o desempenho na primeira corrida do final de semana, ao acumular dois abandonos e uma 14ª colocação. Como a segunda prova conta com a regra do grid invertido, o piloto teve sempre o resultado do final de semana comprometido.

Fabiano, por sua vez, se tornou o maior nome da história recente da F3 Sudamericana. O paulista venceu 16 das 23 corridas realizadas no ano para garantir o título. Embora ele não tenha competido sozinho, literalmente falando, enfrentou poucas dificuldades para garantir o título, já que os principais adversários não fizeram a temporada completa da categoria. Por conta da taça, Machado vai testar pela World Series by Renault no já tradicional treino dos campeões e planeja ficar pela Europa no próximo ano.

Fabiano Machado
Fabiano Machado venceu com facilidade a temporada 2011 da F3 e bateu uma série de recordes da categoria

Ao contrário de Bruno, que deixou o Brasil aos 17 anos de idade, Fabiano tem 25. Não o conheço e não sei que planos ele tem para a carreira, mas se visa a F1 ou a Indy a idade é um fator que vai pesar na hora da decisão da equipe, caso ele não tenha nenhum outro recurso $$. Por isso mesmo, acho que pode ser interessante ele pensar em caminhos alternativos na carreira, como correr de F2 ou AutoGP, que embora não contem com pilotos do primeiro escalão, são disputadas por carros mais potentes que o F3 e garantem como prêmio treinos na F1 e na GP2.

Ainda sobre a F3 Sudamericana, como você pode suspeitar, a categoria sofreu o ano todo com o problema de poucos carros no grid. Em Brasília, na etapa realizada neste final de semana, não foi diferente. A organização do campeonato anunciou extensivamente a estreia do piloto Felipe Fraga no certame. Fraga, para quem não conhece, é um dos principais kartistas brasileiros e que começa a fazer a transição para os monopostos. Quando o garoto viu que só iam ter seis carros na disputa e mesmo assim sendo necessário um budget elevado, ele foi embora e deixou os organizadores da F3 naquela situação constrangedora em que precisaram desmentir o divulgado por um problema estrutural da própria categoria.

Saindo da F3 e indo para a F-Futuro, Guilherme Silva garantiu o título do campeonato da Fiat ao vencer a última corrida realizada Velopark e contar com o abandono de Jonathan Louis. O piloto mineiro já foi assunto aqui do World of Motorsport em outras oportunidades e foi o grande nome do automobilismo de base no Brasil em 2011. Guilherme começou o ano correndo tanto na F3 quanto na F-Futuro e chegou a ser o líder de ambas até as categorias elas terem conflito de datas.

Mesmo assim, o garoto tentou voar de uma cidade para outra no meio de um final de semana para tentar perder o menor número de provas possível. O resultado dessa experiência foi péssimo, pois ele perdeu a ponta dos dois campeonatos, só recuperando a liderança da F-Futuro justamente nessa última etapa quando se sagrou campeão. O título da categoria, aliás, veio quando Guilherme passou a focar somente neste campeonato, deixando a F3 para quando não tivesse concorrência na agenda. Deu certo e ele foi campeão.

Guilherme Silva
Guilherme Silva estreou na F3 Inglesa na etapa de Silverstone, participando como convidado. Conseguiu o 14º lugar como melhor resultado

Como prêmio, o garoto ganhou uma bolsa para disputar um campeonato europeu de base. Não sei exatamente o que os organizadores consideraram um campeonato de base. Para mim, a GP2 é um desses certames, mas não creio que ele tenha ganhado € 2 milhões – que é o preço da GP2 – pelo título. Ao contrário de Fabiano Machado, Guilherme Silva tem idade para disputar os campeonatos de base na ordem certa. Isto é, para o próximo ano ele poderia competir na F3/GP3, por exemplo, pois já demonstrou estar preparado para isso. Além de ser bastante jovem, o garoto ainda conta com o apoio da equipe inglesa Hitech, para quem correu na F3 daqui.

Ainda na F-Futuro, outro piloto que merece destaque é Victor Franzoni. Acho que quem acompanha o automobilismo de base no Brasil sabe que fazia muito tempo que não surgia um piloto arrojado igual o paulista. Mesmo tendo apenas 16 anos, Franzoni demonstrou ser um piloto extremamente brigador por posições e com capacidade de fazer voltas rápidas dentro de uma corrida. Por isso mesmo, acumulou também uma série de erros e acidentes.

No restante, Luir Miranda e Guilherme Salas, ambos da F-Futuro, foram gratas surpresa, principalmente o carioca, que viu o equipamento deixá-lo na mão, quando era favorito. O importante agora é esses dois – assim como os demais garotos da categoria – não deixarem a carreira estagnar. Seja voltando para a F-Futuro no ano que vem ou dando um passo maior,o ideal é que eles continuem em atividade. Não pode acontecer igual ao ano passado em que apenas três garotos – Nicolas Costa, João Jardim e John Louis – deram prosseguimento à carreira. Os demais tiveram problemas orçamentários e/ou sumiram.

No geral, o ano de 2011 foi marcado por grids curtos tanto na F3 Sudamericana quanto na F-Futuro. Apesar disso, as categorias conseguiram cumprir o papel de revelar bons pilotos. Prova disso são os bons resultados de Bonifácio, Silva e Franzoni competindo de igual para igual com os adversários nos certames europeus. É claro que é cedo para falar se essa geração é melhor do que a dos anos anteriores,  mas pode ser o início da renovação dos pilotos brasileiros pelo mundo.

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3 comentários sobre “A promissora geração 2011 do automobilismo brasileiro

  1. O Vini Alvarenga tinha esquema de patrocinio com o Vitor Guerin (piloto que atualmente corre na europa), mas eles só dariam continuidade com o apoio se ele fosse campeao e como nao foi eles pararam de ajuda-lo. Desde 2007/2008 nao ha uma safra de pilotos bons, os resultados desses meninos com os anteriores em categorias onde corriam juntos foram muito diferentes (pegando como base a shifter kart, o paulista light de kart e treinos de monoposto).

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  2. ano passado vi a prova da fórmula futuro aqui em Brasília e um piloto me chamou a atenção, o Vini Alvarenga, pelo estilo agressivo. Mas esse ano o moleque sumiu. Felipe, você tem alguma notícia do cara?

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