Onde Nelsinho Piquet vai correr em 2012

Nelsinho Piquet
Depois de um ano correndo para Kevin Harvick, Nelsinho Piquet está sem emprego na Nascar

Nelsinho Piquet está momentaneamente sem emprego na Nascar. Kevin Harvick, para quem o brasileiro corria na Truck Series, anunciou que não vai mais inscrever a própria equipe em 2012, assim, o ex-piloto da F1 não tem lugar garantido no grid da próxima temporada.

A decisão de Harvick vinha se arrastando nas últimas semanas. O americano já havia declarado que a KHI, em 2012, seria muito diferente do que foi ao longo deste ano, quando alinhava dois carros de forma integral na Nationwide e três na Truck Series. Apesar disso, o piloto ainda fazia mistério sobre como seria a equipe.

Na quinta-feira, dia 8, Harvick firmou uma parceria com Richard Childress, patrão na Sprint Cup, para que os dois carros da Nationwide passassem a ser operados em uma fusão entre as duas equipes. Dessa forma, tanto Elliott Sadler, quanto os pilotos do carro 33 – e possivelmente Austin Dillon – vão ser inscritos pela própria RCR. E isso será tudo o que representará a KHI. A antiga sede do time – assim como os equipamentos – será vendida e os funcionários serão remanejados.

O curioso nessa história toda é que a motivação de Harvick não é necessariamente um problema financeiro. Pelo contrário, a equipe chegou até mesmo a alinhar quatro carros na segunda corrida de Daytona da Nationwide, enquanto os Trucks vivem boa fase tendo vencido as últimas quatro corridas. Todos devidamente patrocinados.

A justificativa para o fim da KHI é uma mudança nos negócios da equipe. Na realidade, aqui pesam dois fatores. O primeiro e mais importante é que Harvick quer conquistar o título da Sprint Cup. Em 2010 ele chegou perto ao terminar em terceiro, perdendo somente na decisão em Homestead-Miami. Agora, sem a equipe, o foco será levantar a taça nos próximos anos.

Apesar disso, não há uma relação tão grande entre ser dono de equipe e não poder ser campeão. Em 2010 mesmo, Harvick operava a KHI normalmente enquanto lutava pelo título.

Só que o estresse de comandar um time deve estar pesando cada vez mais. Alguns anos atrás, antes da crise econômica, bastava assinar com um grande patrocinador no início do ano que não era mais preciso correr atrás de novos investidores durante a temporada, podendo focar apenas na pista. Agora, a maioria das equipes não tem mais um grande patrocinador, mas, sim, empresas que investem pequenas quantias para que o esquema de pintura apareça em uma prova ou duas.

Como são três trucks mais dois carros na Nationwide – além da Sprint Cup – Harvick teria que lidar com dezenas de investidores. E nisso entra desde procurar esses parceiros, participar de reuniões, montar contrato, pilotar (claro), receber os convidados Vips em todas as corridas, participar de eventos, além de cuidar da equipe. Agora multiplique isso pelas dezenas de parceiros comerciais e veja se é possível manter o foco e a preparação na pista.

Nelsinho Piquet
Nelsinho Piquet é um dos três trucks inscritos pela equipe de Kevin Harvick

Outro aspecto que levou Kevin Harvick a fechar a equipe foi o modelo de negócio implantado. A KHI operava como uma equipe da Sprint, tendo staff e infraestrutura de ponta para trabalhar nos carros. O custo com remunerações e investimento em novos equipamentos era elevado e pouco compatível com o gasto dos times adversários. Assim, passou a fazer mais sentido fechar a equipe do que continuar batendo em cachorro morto e provocando o desgaste mental já citado.

De qualquer forma, A KHI não vai fazer muita falta na categoria. Se estivéssemos vivendo os últimos anos da última década, quando as divisões de acesso tinham cada vez menos times de fora da Sprint Cup, a debandada seria mais um problema para alastrar a crise, mas agora a situação econômica é um pouco melhor e equipes menores começam a aparecer, enquanto as médias estão se expandindo.

Apesar de ter sido uma equipe das divisões de acesso, a KHI falhou em dar oportunidades a jovens pilotos. Até onde recordo, apenas cinco novatos competiram pelo time com chances de mostrar potencial nas últimas temporadas: Burney Lamar, Cale Gale, Kertus Davis, Ricky Carmichael e Nelsinho Piquet.

O primeiro era sem dúvida o mais promissor, mas estreou justamente no momento em que os custos da Nationwide se elevaram infinitamente por conta da presença massiva de pilotos da Sprint. Os dois seguintes não tiveram nenhum sucesso, enquanto os dois últimos chegaram ao time já sendo consolidados nos esportes que disputavam antes.

Nelsinho Piquet e Kevin Harvick
Kevin Harvick sugerindo a Nelsinho Piquet virar DJ caso a carreira não dê certo. Opa, não é isso...

Por falar em Piquet, agora, sem emprego, o brasileiro volta a bater na porta das diversas equipes para ter onde correr no próximo ano. A opção mais óbvia seria tentar um acordo com Richard Childress, mas com Ty Dillon e Joey Coulter certos para competir nos trucks em 2012, o ex-piloto da Renault só teria chance em um terceiro carro, que, evidentemente, dependeria de patrocinador. Outra opção viável é uma ida para a Turner, que além de ter um truck livre, ainda deve perder James Buescher e Carmichael, que seguirão no time, mas devem subir para a Nationwide.

Fora da Chevrolet, o brasileiro teria a equipe de Kyle Busch e a Billy Ballew como boas opções. Embora correr na primeira possa ser considerado virar a casaca, o ambiente seria similar ao encontrado na KHI – até porque foi Rick Ren quem construiu ambas. A segunda, embora esteja afastada da categoria, poderia retornar com um piloto que trouxesse patrocinador, e o equipamento da BBM é de qualidade visto que Aric Almirola disputou o título de 2010 com ele.

As outras equipes da categoria – salvo a Thorsport que renovou com Matt Crafton e Johnny Sauter e, portanto, não deve trazer mais ninguém – seriam opções piores e podem ser consideradas um passo atrás na carreira do brasileiro. Também improvável, um avanço à Nationwide não está descartado.

O último cenário – e este levantado pelo próprio piloto – é a possibilidade de Nelsão comprar o espólio da KHI e inscrever o carro do filho nos Estados Unidos. Isso não seria algo bizarro nem anormal na categoria, pelo contrário. Austin Dillon, por exemplo, compete na equipe do avô, Justin Allgaier venceu a ARCA com o time do pai e Dale Sr criou a DEI para que Dale Jr pudesse correr.

No caso de Piquet criar a versão americana da Piquet Sports, o grande impedimento seria ter um staff com know-how na categoria. Não adiantaria colocar mecânicos e engenheiros sem experiência ou de segundo escalão. Se quiser brigar por resultados, é necessário que o time tenha experiência na categoria.

Acho essa história bastante curiosa, na verdade. Como a Truck Series não tem muitas equipes de ponta, eles podem até se darem bem nessa empreitada. Na F3 Inglesa, por exemplo, Nelsão criou a equipe e eles ganharam da Carlin.

Lembrando que até o final do ano Nelsinho segue competindo normalmente pela KHI, onde ocupa a 12ª posição no campeonato da Truck Series.

3 comentários sobre “Onde Nelsinho Piquet vai correr em 2012

  1. o nelsinho, tem que voltar a f1 com apoio de todos e do brasil

    que sabe criticar os nossos pilotos, e compactuar com as falcatruas

    dos gringos.

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  2. Se continuar na truck, imagino na RCR, a questao do 3o truck nao eh problema, visto que como neste anor quem esta levando os patrocinios eh o proprio nelsonho e nao a equipe

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  3. Belo post!

    Complicada a situação, mas ele se vura sun

    Piquet tem grana e bons olhos pra patrocínio, e vai fechar sim com uma outra equipe.

    Alguma possibilidade de Nationwide já ano que vem?

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