World Series by Renault na F1 2012

Robert Wickens
Robert Wickens, da Carlin, defende as cores da Marussia na World Series by Renault

Aos poucos a World Series by Renault vai se tornando um caminho alternativo e bastante viável para a F1 para quem quer ficar longe da GP2. Antes de a temporada da World Series começar, escrevi um post aqui no blog falando que a presença de equipes da F1 era maior no campeonato menor do que na própria categoria de acesso, que você pode lembrar clicando aqui.

Depois, a World Series anunciou que o carro de 2012 terá a asa móvel, além de atualizações aerodinâmicas, que logo caíram no gosto da crítica internacional. Mas o grande motivo de a categoria poder dar o golpe fatal na GP2 no final da atual temporada é uma improvável combinação de negociações envolvendo a chegada de jovens talentos à F1.

Não é nenhuma novidade que o grid da World Series by Renault em 2012 tenha se tornado mais forte que o da GP2, principalmente pela presença de Daniel Ricciardo, Alexander Rossi, Jean-Eric Vergne e Robert Wickens. Também não é coincidência que esses quatro garotos ocupem as três primeiras colocações na tabela de pontos, além do sexto posto de Rossi, que sofreu uma desclassificação na última etapa e por isso desabou.

O que pode acontecer em 2012 é esse quarteto avançar à F1, enquanto a GP2 quando muito poderia levar Romain Grosjean ao campeonato principal.

A presença de Daniel Ricciardo na F1 é praticamente uma certeza. O australiano, que está fazendo um estágio na Hispania, deve ser piloto da Toro Rosso na próxima temporada. Com o bom trabalho feito nas duas categorias, o campeão da F3 Inglesa de 2009 é o que tem maiores chances de continuar na F1.

Com a ida de Ricciardo para a Toro Rosso, abre uma vaga na Hispania. Não seria tão absurdo imaginar que a Red Bull possa manter a parceria com o time espanhol e empresar Jean-Eric Vergne para o próximo ano. O francês, vice-líder da World Series by Renault, pode aparecer na F1 ainda em 2011 pilotando pela Toro Rosso em algumas sextas-feiras, mas a chance de ser titular na equipe satélite é muito baixa, por isso a sugestão do empréstimo para a HRT. Do quarteto, é o que tem menor chance de chegar à F1 em 2012.

Robert Wickens é o terceiro nome. Com uma mão na taça da World Series by Renault, o canadense é constantemente especulado pela imprensa do país a uma vaga na F1, especialmente na Virgin, já que ele é piloto em desenvolvimento da Marussia. O problema, então, é de ordem estritamente financeira. Assim, farei uma demonstração matemática – um tanto imprecisa –, mas que revela a situação de Wickens.

A Marussia já tem um orçamento definido para gastar na F1 (que vou chamar de X) e outro para patrocinar e apoiar Wickens (Y). Se o canadense for para a F1, a empresa continuaria gastando X, já que o investimento na categoria estava pré-estabelecido. O piloto, portanto, teria que arrumar um patrocinador para arcar com Y dos seus custos. Por outro lado, o atual titular Jérôme D’Ambrosio já leva dinheiro Y para a equipe. A Marussia, por sua vez, continua gastando o orçamento X, mas é reembolsada em parte pelo dinheiro que chega do belga, X – Y, portanto. Se Wickens conseguir um investidor, não é improvável que entre na categoria principal, embora fizesse mais sentido em 2013.

Alexander Rossi
Alexander Rossi pode aproveitar a ligação com a Lotus e aparecer na F1 em 2012

O último nome é o de Alexander Rossi, que faz parte do programa de jovens pilotos da Lotus. O garoto é o único americano com super-licença válida para a F1 e tem como trunfo o retorno do GP dos Estados Unidos em 2012. O piloto, assim, precisaria de patrocínio – mesmo mal de Wickens – além de torcer para a possível aposentadoria de Jarno Trulli e contar com o fraco desempenho de Karun Chandhok como piloto de testes e de Luiz Razia e Davide Valsecchi na GP2.

Como Trulli deve mesmo parar, o que resolveria a briga com os 234 mil pilotos reservas da Lotus seria a própria questão de patrocínio. Se Rossi descolar uma boa grana, não duvido que ele corra. Apesar disso, assim como Wickens, o considero um nome forte para 2013, fazendo apenas treinos livres no próximo ano.

Se o quarteto chegar à F1 no próximo ano, não restariam muitas vagas na categoria. Uma na Renault se Robert Kubica não voltar, outra na Williams, mais uma na Toro Rosso, além de Hispania e Force India. Como é improvável que a satélite da Red Bull mude os dois pilotos e que o time de Vijay Mallya selecione alguém de fora do próprio plantel, restariam Renault, Williams e Hispania.

Assim, Romain Grosjean brigaria por uma vaga na Renault, enquanto meio mundo ficaria de olho no lugar da Williams. Levando em conta que o mercado da F1 se mexa da improvável forma que expliquei acima, a GP2, quando muito, poderia emplacar três pilotos na categoria diante de quatro da World Series by Renault. Seria o golpe derradeiro e uma grande mudança nos paradigmas das categorias de acesso.

6 comentários sobre “World Series by Renault na F1 2012

  1. A WSeries é organizada pelo pai do Algueruari, entenderam? Já sabem quem sai da Toro Rosso o ano que vem… Se é q vai sair alguém mesmo.

    Por isso também os pilotos da RedBull estão lá, certamente há negociatas.

    Depois tem o custo, o carro da W Series é muito bom dizem, e uma temporada custa metade da GP2 que virou terra de “sangue-suga”, equipes que pedem milhões e fazem falsas promessas.

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    1. Não tenho dúvidas das negociatas da Red Bull, mas você comete um erro histórico.
      Paul Edwards, piloto americano bancado pela Red Bull, correu na World Series (então by Nissan) em 2002 e 2003. O pequeno Jaime Victor Alguersuari tinha 11 anos na época. A entrada da empresa na categoria espanhola, portanto, nada teve a ver com o futuro piloto da Toro Rosso.

      Você até pode imaginar uma teoria de que as negociações para que a Red Bull bancasse o Alguersuari foram facilitadas pela participação da empresa na categoria do pai do garoto, mas aqui eu acho que é mais questão de indicação e networking a algum esquema obscuro.

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      1. Tem mais coisa Felipe… O Pai do Alguersuari é dono de um grupo de entretenimento e comunicação na Europa, e de publicações de motociclismo e motocross também no qual a RB tem bastante atuação.

        Fora isso a verdade é que o Jaime teve sim uma carreira bastante consistente com ótimos resultados pela idade nos monopostos. Nem todos do programa mostraram isso. É a combinação, sem dúvidas também acho que só pelo papai não fica, tem q evoluir e mostrar resultado, mas por enquanto não dá pra afirmar que o Buemi é superior, estão no mesmo nível em minha opinião.

        Abraço

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  2. Eu acho que o Grosjean tem grandes chances de estar na F1, e dos outros quatro, quando muito o Ricciardo permanece na categoria. Questão de pontos de vista. O fato é que ambos os grids (GP2 e WS) estão um tanto desfalcados.

    Talvez o fato de a F1 ter se renovado de forma muito brusca entre 2007 e 2010, com uma geração muito jovem, esteja trancando a fila e fazendo todos visualizarem grids menos promissores nas categorias de base.

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    1. Eu discordo quando você diz renovado de forma brusca. Tirando o Grosjean, na primeira passagem, e o Alguersuari, quando muito o campeão da GP2 conseguiu ir para a categoria. De resto foram dois ou três por ano em média. E destes ou apadrinhados pela Red Bull ou endinheirados na maioria. A exceção foi 2010, com o aumento do grid, o que foi natural para termos mais novatos.
      No restante, eu concordo plenamente que o único com chances reais é o Ricciardo. Veja que eu disse que é uma combinação improvável nas negociações, mas que existe a possibilidade e todos foram especulados em algum momento.

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  3. Acho um pouco cedo para contestar a superioridade da GP2 perante a World Series.

    Vale lembrar que boa parte da boa impressão que temos sobre o grid da WSbR advém da participação dos pilotos da Red Bull. Por alguma razão, talvez financeira, os rubrotaurinos largaram a GP2 no fim de 2008 e migraram para a prima mais pobre. De lá para cá, emplacaram Alguersuari, Ricciardo e Vergne, que melhoram a cara de qualquer grid no automobilismo.

    Tanto Wickens como Rossi só estão na World Series por falta de opção. O canadense conversou por um bom tempo com a iSport, mas a equipe inglesa preferiu Bird e Ericsson. O Rossi quase assinou com a Ocean, mas faltou dinheiro. Imagino que, caso a Fórmula 1 não venha, a GP2 será o destino de ambos no ano que vem. No caso do Wickens, pesa também o fato da Manor não ter conseguido entrar na GP2. Se tivesse, não creio que o apoio da Marussia Virgin tivesse sido direcionado para a WSbR.

    Há alguns nomes que vieram da estrita conexão entre a World Series e a Fórmula Renault 2.0, que dividem o mesmo espaço. Albert Costa e Kevin Korjus, por exemplo. Para eles, correr na WS é uma opção em relação à GP3 ou à Fórmula 3.

    No fim, a opção de todos eles é a GP2. Vale lembrar que três dos últimos quatro campeões (Parente, Van der Garde e Aleshin) foram para lá depois de terem sido campeões da WS.

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