O título da GP2 está em boas mãos com Romain Grosjean

Romain Grosjean
Romain Grosjean é dono de uma das histórias recentes de maior superação no automobilismo

Quando eu criei este blog no início de 2010, uma das seções que havia planejado era contar a história de eternas promessas do automobilismo, que, badaladas nas categorias de acesso, não conseguiram fazer muita coisa nos campeonatos principais. Essa seção era para se chamar ‘Grosjeans’, ou algo semelhante, mas jamais saiu do papel.

Na verdade, é até bom que essa seção não tenha dado certo, pois Romain Grosjean teria me deixado em uma situação pouco confortável nesse momento. O francês, que seria mote para uma série aqui do blog, acaba de conquistar a GP2 de forma inegável, com três corridas de antecipação.

No entanto, entre a ideia de criar a tal seção e o título da categoria de acesso da F1, a carreira de Grosjean sofreu uma reviravolta impressionante. No final de 2009, o francês havia chegado à F1 com um currículo de respeito: desde a estreia no automobilismo, em 2003, o piloto só não havia conquistado títulos em duas temporadas. O francês começou correndo de F-Renault na Suíça antes de passar para a mesma modalidade na França. Daí foi para a F3 Euro Series, levantando a taça em todos esses certames.

Em 2008, Romain assinou com a ART e era favorito absoluto para o título da GP2. O francês, no entanto, decepcionou. É bem verdade que ele teve o melhor desempenho na pista, mas uma série de acidentes (com e sem culpa) o deixou fora da briga pelo título. O piloto não só terminou atrás do campeão, Giorgio Pantano, como também de Bruno Senna e de Lucas Di Grassi, que havia participado de três rodadas a menos.

No ano seguinte, o francês foi contratado pela Campos para substituir justamente Di Grassi, mas o desempenho foi similar ao do ano anterior. Enquanto era o carro mais rápido na pista, se envolvia em uma série de acidentes, como o de Mônaco, quando foi empurrado para fora por Andreas Zuber. Ao deixar a categoria para substituir Nelsinho Piquet na F1, Grosjean nem mais era o líder na tabela de pontos.

Aliás, a partir daí, a carreira do piloto chegou ao declínio. Ao chegar à F1, Grosjean chamou a atenção negativamente. Na pista, ele ia mal e fora dela apresentava aquele visual mal cuidado com uma enorme juba na cara. A feiúra e o mau desempenho não angariaram a simpatia de ninguém, e o piloto foi chutado da Renault sem piedade na reestruturação da equipe em 2010 após o escândalo do Cingapuragate.

Grosjean, coitado, que nem havia participado da confusão cingapuriana se viu no ostracismo da F1. Como o piloto nasceu na Suíça (mas defende as cores da França) ele resolveu aceitar um convite da equipe Matech, time que historicamente prefere trabalhar com suíços, para defender as cores da Ford no então remodelado campeonato de GT1 de 2010.

Grosjean jamais havia pilotado um carro de turismo na vida. Que chance ele poderia ter após ser escorraçado da F1? Bom, ele venceu a etapa inaugural do certame ao lado do alemão Thomas Mutsch e seguiu na ponta da tabela da classificação até uma rodada antes de deixar a categoria. Até aí, tudo bem. São inúmeros os casos de gente rejeitada pela F1 que teve sucesso correndo no FIA GT ou na Le Mans Series.

Romain Grosjean GP2
Romain Grosjean disputou campeonatos como a AutoGP e o GT1 antes de dar uma guinada na carreira e conquistar o título da GP2, que escapara em duas oportunidades

Só que esse desempenho chamou a atenção da equipe Dams, que buscava alguns talentos para o novo campeonato da AutoGP. Com experiência de F1 e GP2, o francês fechou um acordo para participar apenas da etapa de Spa-Francorchamps, mas com a opção de renovar para Magny-Cours, onde correria em casa. Nessas quatro corridas em rodadas duplas, o antigo piloto da Renault venceu duas e terminou outra em segundo. Esse resultado foi o suficiente para catapultá-lo para a parte de cima da tabela de pontos.

A partir daí, a carreira de Grosjean retornou a uma espiral crescente. O bom desempenho cativou Eric Boullier, chefe da Renault controlada pela Gravity. O dirigente convenceu a DAMS, considerada time B da equipe da F1 na GP2, a dar-lhe uma chance na categoria de acesso. No entanto, o francês não foi bem na Alemanha, quando substituiu Jérôme D’Ambrosio, mas conquistou dois pódios até o final do ano, além de fazer boas exibições ao entrar no lugar do então lesionado Ho-Pin Tung.

O impressionante, no entanto, veio na AutoGP. Mesmo começando o certame apenas em Spa, e com duas rodadas de atraso, Grosjean foi campeão com uma etapa de antecipação. Isto é, ele só precisou de meio campeonato para somar mais pontos que qualquer outro adversário. O renascimento do piloto no GT1 e na AutoGP fizeram com que a DAMS lhe desse uma chance na GP2 em 2011.

Na realidade, a escolha pelo francês era óbvia. Além do bom desempenho e do talento conhecido por todos, as equipes buscaram pilotos experientes para a atual temporada da GP2 devido à mudança no carro da categoria.

Antes do campeonato principal, o francês garantiu o bicampeonato do patético certame asiático e ainda se viu ventilado na F1 após o acidente de Robert Kubica. Com ou sem chances na categoria máxima, Grosjean resolveu seguir no caminho certo dessa vez e optou (talvez sem outra escolha) a competir na GP2. A aposta deu certo. Grosjean venceu cinco vezes nas primeiras 15 corridas, somou 80 pontos e garantiu o título com quase o dobro de pontos do vice-líder Giedo van der Garde.

Com o título da GP2, Grosjean se tornou um exemplo de superação ao recorrer a algumas das mais obscuras categorias do automobilismo para retomar a carreira. É difícil falar em piloto que mais mereceu o título, mas certamente a taça da GP2 está em boas mãos.

Se a F1 tem como princípio ter os melhores pilotos, se a categoria não tiver Romain Grosjean em 2012 vai sair perdendo – assim como perde também por não ter Nico Hulkenberg, Bruno Senna, entre outros de forma integral. Pela história no automobilismo, o piloto francês mostrou que merece uma nova chance mesmo que seja para mostrar que o fraco desempenho na Renault em 2009 não fora uma exceção.

3 comentários sobre “O título da GP2 está em boas mãos com Romain Grosjean

  1. Caro Feli, vou repetir o seu texto, (sic) : O francês começou correndo de f- renault na suiça, antes de passar para a mesma modalidade na frança. Na suiça e na frança significam lugares, onde ele correu. Portanto voce disse sim que ele correu na suiça. Isso é que dá para se entender no texto

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  2. A Suiça proibiu qualquer tipo de competiçao de automóveis em 1955, logo após a tragédia da Mercedes-Benz nas 24 Horas de LeMans quando a 300 SLR do francês Pierre Levegh bateu e explodiu em cima da arquibancada, deixando 87 mortos e 111 feridos no pior acidente da história do automobilismo, que também causou o abandono da Mercedes-Benz por quase 40 anos, voltando apenas com Sauber nos protótipos. Logo, o que voce disse é impossível de ter acontecido, o franco-suiço ter corrido lá de F Renault

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    1. Caro Mefisto, perceba que eu nunca disse que o Grosjean correu na Suíça. Eu afirmei que ele competiu na versão suíça da F-Renault, que, pelo motivo que voce citou, não corre na Suíça.

      O campeonato é, sim, suíço, mas as provas acontecem em outros países. A categoria, desde 2009 passou a se chamar F-Lista Junior por conta da ligação com a BMW, por isso também é conhecida como F-BMW suíça;
      Aqui o link do campeonato que você desconhece: http://en.wikipedia.org/wiki/Formula_Lista_Junior
      Esse, aliás, não é o único certame organizado pela suíça, mas com competições fora dela. Existe a F-Renault, por exemplo: http://en.wikipedia.org/wiki/Formula_Renault_2.0_Middle_European_Championship

      Veja que certas coisas não são tão impossíveis assim.

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