3 caras novas na GP3

Richie Stanaway
Com o apoio da Gravity, Richie Stanaway é a nova aposta da Lotus ART

Faltando apenas duas etapas – Spa-Francorchamps e Monza – para o final da temporada 2011 da GP3, de forma curiosa o mercado de pilotos da categoria ficou agitado. Nas quatro semanas das férias de verão, três equipes mudaram pilotos já de olho no próximo ano. Um número relativamente alto se levar em conta que o campeonato já está acabando.

O curioso é que as alterações não aconteceram nos times que estão na parte de trás da tabela e que pudessem estar buscando novas maneiras de reagir antes do fim do ano. Duas das três novas contratações aconteceram em equipes que estão entre as três primeiras na pontuação: na Lotus ART e na RSC Mücke.

Na equipe francesa, o brasileiro Pedro Nunes decidiu deixar o time reclamando do tratamento que recebia ao longo do ano. O piloto disse que demorou a receber um novo engenheiro e que por problemas internos não conseguia ter um rendimento similar ao dos companheiros Valtteri Bottas (líder) e James Calado (5º). Nunes justificou a saída lembrando que conquistara um pódio correndo na F3 Inglesa – em uma corrida com o grid invertido – e falando que procura um time que possa lhe dar equipamento para repetir essas atuações.

Sem dúvida seria uma boa justificativa caso ele não estivesse deixando a Lotus ART. É claro que em uma equipe de três carros, é impossível os pilotos receberem tratamento idêntico, mas é complicado afirmar que em um time como a Hitech na F3 Inglesa, por exemplo, se possa ter mais oportunidades do que correndo na Lotus ART.

Para o lugar do brasileiro, o time surpreendeu e trouxe Richie Stanaway, que lidera a F3 Alemã. O neozelandês de apenas 19 anos de idade faz carreira na Alemanha, onde é o atual campeão da ADAC Masters e lidera a F3 com uma vantagem de 25 pontos para o segundo colocado (o vencedor soma 10 por corrida). Como não há choque de calendário entre as duas categorias, Stanaway pode conquistar o título da F3 como novato, enquanto se prepara para entrar na GP3 no ano que vem.

O neozelandês ainda tem outro trunfo. Desde o início do ano ele assinou com a Gravity para gerir a carreira. Ou seja, está trabalhando com uma empresa que pode levá-lo à F1. Aliás, justamente por ser piloto da Gravity que a contratação de Stanaway pela Lotus ART surpreende. A empresa tem um histórico recente de trabalhar com a Status na GP3, mas o piloto acabou seguindo justamente para a rival francesa, que mantém a tendência em só contar com campeões, literalmente.

Daniel Mancinelli é bom piloto, mas ficará marcado pelo carro com estampa de bolinha
Daniel Mancinelli é bom piloto, mas ficará marcado pelo carro com estampa de bolinha

A mudança na RSC Mücke, por outro lado não tem o mesmo impacto. O novato Luciano Bacheta, que chegou a ser especulado no DTM no início do ano, deixou a categoria para correr na F2 e será substituído por Daniel Mancinelli, vindo da F3 Italiana. O piloto surpreendeu no ano passado ao disputar o título do certame contra Cesar Ramos, Andrea Caldarelli e Stéphane Richelmi, mesmo sendo um novato

Em 2011, porém, decepcionou ao estar longe da briga pelo título mesmo tendo vencido a corrida de abertura. Nesse caso, é importante lembrar que Mancinelli trocou o relativamente rico Team Ghinzani pela módica RP, onde não conseguiu repetir o rendimento da temporada passada.

A última mudança na GP3 acontece na Jenzer, que ocupa apenas a oitava colocação entre as equipes, mas que terminou 2010 em terceiro. O time suíço não conseguiu se acertar no atual campeonato e ainda viu Nico Müller, favorito absoluto na pré-temporada, ficar longe da briga pelo título.

A alteração, porém, ocorreu na saída de Vittorio Ghirelli, que passa a se dedicar somente à F-Renault. Uma decisão curiosa para o então segundo piloto mais jovem do grid. No lugar do italiano entra Alex Fontana, atual líder da F3 Espanhola, que assim como Stanaway não terá choque de datas entre as duas categorias.

Fontana, que disputa o título na Espanha contra os brasileiros Fabio Gamberini e Victor Corrêa, não deixa de ser uma surpresa. Embora a Jenzer tenha um histórico de contar com pilotos suíços, Alex não era especulado na vaga. O favorito, na realidade, é Patric Niederhauser, que compete na F-Abarth e deve mudar de categoria no ano que vem.

As três mudanças além de agitarem o mercado da GP3 nesse final de 2011 mostram uma tendência das equipes em apostar em pilotos que já tenham histórico na F3. Mas não qualquer experiência, os times estão buscando os líderes de campeonatos europeus para se reforçarem na GP3. Além disso, é curioso que mercados menos badalados como a F3 da Espanha e da Alemanha tenham sido alvo dessa busca por novos atletas.

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