O que aconteceu com os competidores da Indy Lights em 2010?

Jean-Karl Vernay
O título de Jean-Karl Vernay na Indy Lights é o que ninguém vai lembrar da tempora 2010 da categoria

As participações de Martin Plowman e Pippa Mann na Indy nos últimos dois finais de semana, em Mid-Ohio e New Hampshire, comprovaram o sucesso do programa ‘Road to Indy’ criado para reconstruir as categorias de acesso americanas em torno do campeonato principal e, principalmente, fazer com que esses torneios voltassem a revelar jovens promissores que não acabassem na GrandAM ou na ALMS.

Em 2010, doze pilotos participaram de forma integral da Indy Lights, perdendo uma ou outra corrida no máximo. Destes, apenas dois – Stefan Wilson e Gustavo Yacaman – retornaram ao campeonato na atual temporada. Então, pegando os dez restantes, cinco avançaram à Indy – 50% – uma média impressionante.

Quase um ano após o título de Jean-Karl Vernay, o World of Motorsport aproveita o sucesso da categoria na promoção de atletas para relembrar os 12 pilotos que competiram na Indy Lights na temporada passada e verificar onde cada um está após ter participado do campeonato em um ano em que sofrera uma virada decisiva.

12) Rodrigo Barbosa – 241 pontos: a participação do brasileiro não pode ser lembrada como uma das mais brilhantes na história do automobilismo mundial. Pelo contrário, apesar de mostrar uma tremenda evolução em relação a 2009 e correndo por uma organizada equipe PDM, Rodrigo foi constantemente o último colocado nas corridas, herdando colocações quando os adversários abandonaram. Esse método, aliás, rendeu ao piloto um inesperado prêmio no final do ano por ser aquele que mais ganhou posições durante toda a temporada.

O segredo era que além de o brasileiro ultrapassar todo mundo, pois largava sempre em último, ele ainda contava com um terrível marasmo nas demais posições. Ao final do campeonato, Rodrigo disse que voltaria ao Brasil e manifestou vontade de correr na Copa Montana, mas até o momento não deu as caras em nenhuma competição. Creio que ele será lembrado por todos apenas pelo fato de ter nascido no dia 30 de setembro de 1988 na cidade de São Paulo. Curiosamente, nesse mesmo dia e nessa mesma cidade, eu também nasci. Hoje, praticamente 23 anos depois, acho que a mãe dele tem mais motivos para se orgulhar que a minha.

11) Stefan Wilson – 278 pontos: o irmão mais novo de Justin Wilson é um dos dois pilotos a permanecer na Indy Lights em 2011. Ele trocou a equipe de Bryan Herta pela Andretti em uma decisão que vem se mostrando acertada. O inglês conquistou a primeira vitória da carreira, em julho, na etapa de Toronto, e ocupa a terceira colocação do campeonato com 325 pontos, 71 a menos que o líder Josef Newgarden. O legal de Stefan é que em 2010 ele foi patrocinado pela rede de restaurante Outback, que serve uma excelente costela. Mesmo com esse farto investimento, ele perdeu duas corridas no final da temporada.

Rodrigo Barbosa
Meio sem graça, Rodrigo Barbosa ganhou o prêmio (de US$ 5 mil) por maior número de ultrapassagens. Ele disse que nem sabia ter sido premiado. Aliás, já repararam que ele é a cara do Lucas do São Paulo?

10) Gustavo Yacaman – 293 pontos: assim como Wilson, o colombiano é o segundo piloto a permanecer na Indy Lights em 2011. Gustavo trocou a novata Cape Motorsport w/ Wayne Taylor pela Team Moore e vem tendo um resultado melhor. Mesmo competindo pelo terceiro ano seguido no certame, o piloto ainda não conseguiu uma vitória, mas obteve o melhor resultado da carreira ao terminar em segundo na última etapa, em Trois-Rivières. O legal de Gustavo é o patrocínio da Crepes e Waffles. Ou seja, ele e Wilson são a prova de que se você precisar de investidor para correr na Indy Lights vá a um restaurante.

9) Phillip Major – 299 pontos: depois de rodar a Europa sem conseguir grandes resultados, o canadense tomou parte da temporada 2010 da Indy Lights pela equipe de Sam Schmidt. Conquistou um terceiro lugar na etapa de Chicagoland e cravou a melhor volta em Iowa. Foi só. Depois disso não apareceu mais.

8) Sebastian Saavedra – 303 pontos: no final da temporada 2010, o colombiano deixou a equipe de Bryan Herta às vésperas da antepenúltima etapa do campeonato. O piloto reclamou da estrutura do time e disse que o dirigente não respeitou o acordo de participar de algumas etapas da Indy com um carro competitivo. Saavedra, então, rumou para a categoria principal onde compete pela fraquíssima Conquest e vem conseguindo resultados discretos. Bryan Herta, por sua vez, venceu as 500 Milhas de Indianápolis com Dan Wheldon.

7) Dan Clarke – 304 pontos: depois de participar da ChampCar com algum destaque e ter um desempenho razoável na F3 Inglesa, o britânico apareceu de forma surpreendente na última temporada da Indy Lights correndo pela tradicional equipe Walker. Sim, aqueeeela Walker. Salvo dois segundos lugares em Toronto e em Mid-Ohio, o piloto não empolgou e terminou o ano sem ter onde correr.

De forma ainda mais surpreendente, Dan foi convidado a participar de forma integral da Nascar canadense em 2011, mas o acordo não deu certo. Ele correu em algumas provas de turismo e vai estrear na Nationwide nesse final de semana, em Watkins Glen, pela fraca equipe Means.

Dan Clarke
Dan Clarke largou a carreira de piloto e virou pintor de casas. Que coisa, eu tava precisando de uma reforma aqui em casa, vou contratá-lo

6) Adrian Campos Jr – 307 pontos: com o pai em um momento conturbado ao sair da F1 às pressas e dando a equipe a Ramon Carabante, que passou a chamar o time de Hispania, Adrian Campos Jr correu em 2010 na Indy Lights pelo Team Moore. Depois de terminar o ano na sexta colocação, como segundo melhor novato e tendo o quarto lugar no Kentucky como melhor exibição, o espanhol resolveu voltar à Europa, onde compete na AutoGP pela equipe Campos (!!) do próprio pai.

Na nova categoria, não teve sorte. Sofreu um forte acidente na etapa de estreia, em Monza, e só voltou quatro corridas depois, quando bateu de novo. Sem maiores lesões nessa segunda pancada, ‘Adrianinho’ conquistou um quinto lugar em Oschersleben e é o 16º no campeonato.

5) Pippa Mann – 313 pontos: a inglesa surpreendeu ao dominar as últimas etapas da temporada 2010 da Indy Lights nos ovais. A pilota perdeu a corrida de Chicagoland para James Hinchcliffe no photochart, enquanto não encontrou adversários no Kentucky. Sem um grande patrocinador, ela não conseguiu fazer o pulo para a Indy, mas fechou com a Rahal Letterman para disputar três provas em ovais – New Hampshire, Kentucky e Las Vegas. Pela Conquest, a inglesa correu a Indy 500, largou em 32ª e finalizou em 20ª.

4) Charlie Kimball – 388 pontos: apesar de um currículo razoavelmente bom na Europa, o americano não fez uma grande temporada em 2010 na Indy Lights ao ficar longe da batalha pelo título. Apesar disso, conseguiu uma vaga na Chip Ganassi, na Indy, onde corre na equipe satélite ao lado de Graham Rahal. Embora tudo que eu falei até agora seja importante, Kimball eternamente será lembrado por ser diabético e ter o patrocínio de uma empresa que monitora o nível de insulina do sangue enquanto ele compete.

3) Martin Plowman – 392 pontos: o caminho de Plowman não é tão diferente do tomado por Pippa Mann. Sem grandes destaques na Europa e sem um patrocinador polpudo, o inglês ficou de fora da Indy no início da temporada 2011. Apesar disso, conseguiu fechar com a AFS – equipe pela qual correu na Lights – para substituir Rapha Matos e participar das etapas de Mid-Ohio, Sonoma e Baltimore. Na estreia, terminou em 18º.

James Hinchcliffe x Pippa Mann
A ultrapassagem por fora de James Hinchcliffe em Pippa Mann, a poucos metros da linha de chegada em Chicagoland, foi o grande momento da temporada 2010 da Indy Lights

2) James Hinchcliffe – 471 pontos: o canadense fez uma excelente temporada 2010 da Indy Lights correndo pelo Team Moore. Se não conseguiu fazer frente a Jean-Karl Vernay nos mistos, se mostrou um piloto preparado para correr tantos nos autódromos quanto nos ovais, vencendo em ambas as situações. O bom resultado – além de um patrocinador – colocou Hinchcliffe na Newman/Haas em 2011, se tornando apenas o quarto novato na história da equipe. Antes dele, o time apostou em Nigel Mansell, Sébastien Bourdais e Graham Rahal como estreantes. Só gente pequena.

Na Indy, o canadense ocupa a 17ª colocação na temporada, com 185 pontos e uma corrida a menos. Conquistou um quarto lugar em Long Beach, na segunda corrida da carreira, e liderou em Mid-Ohio antes de ter problemas e finalizar em 20º.

1) Jean-Karl Vernay – 494 pontos: o francês vai ser lembrado por ser extremamente dominante nos mistos, mas péssimos nos ovais. Quase um Will Power. Além dessa irregularidade, o piloto achou que a Lucas Oil ia patrociná-lo em 2011 e tentou fechar um acordo com a Conquest na Indy, sem sucesso. O grande equívoco foi que a empresa disse ao piloto ter ficado satisfeita com a conquista, o que, na visão de Vernay, abriu possibilidade de renovação. A Lucas Oil, porém, é a principal patrocinadora da Sam Schmidt faz anos e tem uma bolsa para a Indy Lights somente, onde permanece nesse ano com Esteban Guerrieri.

Longe da Indy, Vernay participou de duas corridas da World Series by Renault em Spa-Francorchamps, conquistando dois 15º lugares e se tornou piloto reserva da Peugeot na Le Mans Series. Não seria surpresa, portanto, se ele aparecesse em Le Sarthe nos próximos anos.

3 comentários sobre “O que aconteceu com os competidores da Indy Lights em 2010?

  1. O Vernay está praticamento acertado com a Peugeot para substituir o Pedro Lamy num futuro muito próximo, mais conhecido como 2012. Ao que tudo indica uma renovação no quadro de pilotos da equipe vai acontecer e a batata do Lamy foi a primeira a assar, tanto que ele pouco pilotou em Le Mans esse ano, o que causou uma exagerada comoção na imprensa lusitana.

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  2. Falando em renovação na indy , qual os motivos de a categoria não atair mais pilotos com formação na Europa que estão parado ou com poucas oportunidades ?São tantos pilotos na GP 2 ou na World series que possuem talento mas nunca chegarão na F 1 .Outra pergunta quanto custa por média uma temporada na indy light numa equipe de ponta ?

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