Valtteri Bottas
Valtteri Bottas venceu duas corridas na GP3 a avançou à posição de favorito em 2011

No final do mês passado, escrevi um texto ressaltando o equilíbrio da GP3 em 2011 e dizendo que nenhum piloto tinha se destacado o suficiente para ser considerado um favorito ao título. Desde então, Valtteri Bottas conquistou duas vitórias, subiu ao pódio nas quatro últimas corridas e, além de desmentir tudo o que eu tinha escrito, se colocou como um forte candidato a levantar a taça no final do ano.

Com os dois triunfos, o finlandês soma 41 pontos contra 34 de Alexander Sims, 32 de Nigel Melker e 31 de Lewis Williamson e James Calado. Mitch Evans e Adrian Quaife-Hobbs têm 28 e não podem ser considerados fora da briga ainda, embora a etapa de Spa-Francorchamps seja decisiva para eles.

Entre todos eles, Bottas é um dos mais experientes. O protegido de Mika Hakkinen venceu as F-Renault europeia e Norte-europeia em 2008 ao derrotar um tal de Daniel Ricciardo e acumular 18 vitórias ao longo das campanhas. Depois, o piloto foi bicampeão do Masters de F3, em Zandvoort (que aliás vai ser disputado esse final de semana), mas acumulou dois frustrantes terceiros lugares na F3 Euro Series, mesmo correndo pela dominante ART Grand Prix.

Bottas, aliás, foi contratado pela equipe francesa logo após a conquista da F-Renault e formou junto com Esteban Gutierrez, Jules Bianchi e Adrien Tambay um dos planteis mais fortes da história das categorias de acesso da F1. Só que enquanto Gutierrez e Bianchi já estão na GP2 (e Tambay não deu certo), o finlandês está no terceiro ano em campeonatos do nível da F3 e da GP3. No entanto, a experência acumulada até agora parece estar sendo decisiva para a possível conquista.

Esse, aliás, parece ser o caminho para se dar bem na GP3. Em apenas dois anos, a categoria premiou aqueles pilotos que já tinham prévia experiência na F3. Em 2010, por exemplo, Esteban Gutierrez foi campeão ao vencer cinco etapas. O vice-campeão, Robert Wickens, é um piloto muito mais rodado, que, embora tenha feito carreira na World Series by Renault não deixou de participar da F3 pela Carlin tanto na Inglaterra como no certame europeu

Dos dez primeiros do campeonato no final do ano, Roberto Merhi, James Jakes e Stefano Coletti também já tinham experiência na F3. Somando a Gutierrez e a Wickens, chegamos a 50% dos ponteiros, portanto. O curioso, aqui, é que Merhi, Jakes e Coletti não disputaram toda a temporada da GP3 em 2010. Cada um ficou de fora em ao menos uma rodada ao menos. Porém, na hora de somar pontos, fizeram valer a experiência e conseguiram superar um monte de novatos.

Roberto Merhi
Antes de dominar a F3 Euro Series este ano, Roberto Merhi foi o sexto colocado na GP3 de 2010, mesmo sem disputar todas as provas

Em 2011, a situação não é nada diferente. Além de Bottas, Alexander Sims também já está no terceiro ano em F3 ou GP3. Melker esse ano se divide entre ambos os campeonatos – e chegou a liderar os dois nas primeiras rodadas -, Adrian Quaife-Hobbs fez meia temporada da F3 Euro Series em 2010 e Mitch Evans veio da distante F3 Australiana. Mas talvez nenhum caso seja mais emblemático que os de Andrea Caldarelli e James Calado.

O italiano disputou apenas as duas primeiras rodadas da temporada 2011 da GP3 antes de ir correr no Japão ao receber uma proposta da F-Nippon. Caldarelli foi piloto em desenvolvimento da Toyota na F1, mas perdeu o posto quando a montadora saiu da categoria. No entanto, alguém lá do outro lado do mundo ainda lembrou-se dele. Mesmo tendo feito apenas quatro corridas neste ano, o piloto ainda ocupa a nona colocação do campeonato por ter pontuado em todas as vezes em que foi à pista. Não é por acaso. O garoto acumula um vasto histórico entre F3 Euro Series e F3 Italiana.

Calado, por outro lado, só disputou uma única temporada da F3 Inglesa pela Carlin, em 2010. Quando todo mundo esperava que ele pulasse para a World Series by Renault como fizera Jean-Eric Vergne, o inglês surpreendeu a todos ao assinar com a ART Grand Prix para disputar a GP3. A tática parece ter dado certo, Calado pontuou em sete das últimas oito corridas e só não está melhor classificado, pois bateu com Evans na primeira corrida da Hungria ao cometer um erro bobo largando na primeira fila.

Esse domínio dos pilotos da F3 não é por acaso. Como a GP3 tem tão pouco tempo de pista – apenas dois curtos treinos livres -, quem já conhece os circuitos e tem alguma noção de como ajustar o carro sai na frente.

Com os campeonatos F3 tão difusos no mundo, e as vagas na GP2 cada vez menores, a GP3 aparece como uma alternativa para os pilotos que querem ficar mais próximos das equipes da F1 e também da categoria de acesso direta. Não seria, portanto, uma má ideia para gente como Felipe Nasr, Lucas Foresti, Pipo Derani, Gabriel Dias e Adriano Buzaid usar o que aprendera ao longo da carreira para fazer sucesso nessa categoria e tentar escalar o ladder rumo à F1.