Brad Keselowski
A comemoração com a bandeira americana já virou marca de Brad Keselowski. Lembra alguém?

O esporte é capaz de produzir histórias e mais histórias de superação. Aliás, às vezes isso chega até mesmo a ser um clichê. No automobilismo não é diferente. Por se tratar de um esporte, também é comum falar o tempo todo daqueles que se recuperaram de maus bocados e atingiram a glória.

Na realidade, porém, não são todos os pilotos que conseguem dar a volta por cima. Aqueles que conseguem costumam colocar esse episódio como uma das grandes conquistas da carreira. Mas, por outro lado, falo hoje de um piloto que se acostumou sair sempre por cima dos problemas: Brad Keselowski.

Fazendo uma rápida retrospectiva, o piloto da Penske sofreu um grave acidente na quarta-feira, dia 3, quando testava em Road Atlanta para a prova de Watkins Glen da Nascar. Além de o Dodge ter ficado completamente destruído, Keselowski teve lesões no pé e no tornozelo, que incharam e ficaram do tamanho de bola de basquete.

Na quinta-feira, o piloto foi liberado pelos médicos para correr no domingo, mas, por conta da recuperação, a Penske vetou Keselowski de participar da corrida da Nationwide, em Iowa. Além de disputar a prova ser um esforço a mais, o piloto ainda teria que fazer o translado de uma cidade para a outra.

Em Pocono, recuperado do inchaço do tamanho de um globo terrestre, Keselowski bateu no treino livre da sexta-feira, mas conseguiu um bom acerto para o carro e ainda contou com uma estratégia acertada ao apostar que a chuva não iria cancelar a prova para avançar posições durante a corrida. No final, o piloto da Penske superou Kyle Busch, venceu pela segunda vez na temporada, subiu para o 18º posto na tabela de classificação e agora está virtualmente classificado para o Chase. Que semana hein?

Mas tudo o que você leu até aqui é clichê e deve estar em qualquer site especializado sobre a Nascar ou sobre automobilismo. Keselowski, porém, não se recuperou só da batida. A vitória serviu, também, para que o piloto pudesse calar os críticos após o final de semana de Indianápolis.

Brad Keselowski e Kyle Busch
Brad Keselowski precisou ultrapassar Kyle Busch para vencer em Pocono

Na última semana, Keselowski havia sido bastante recriminado por conta de dois momentos distintos. O primeiro aconteceu na Nationwide, quando foi bastante agressivo ao ultrapassar Ricky Stenhouse Jr na briga pela vitória faltando apenas duas voltas para o final (que pese aqui o piloto da Ford brigar pelo título, enquanto o da Dodge não tinha nada a perder), e o segundo foi ao dizer que só não conseguiu um TOP 3 Indy em devido à tática de combustível (terminou em nono, atrás de uma série de pilotos que também haviam parado).

Entre os críticos de Keselowski estava o ex-piloto da Nascar Jimmy Spencer, sendo que ambos chegaram até mesmo a bater boca virtualmente. A vitória em Pocono, portanto, além de ter servido como uma recuperação à batida também serviu para dar a volta após as críticas.

Você acha que parou por aí? Não. Este segundo triunfo em 2011 colocou Keselowski em uma posição bastante cômoda para se garantir no Chase, já que ele soma duas vitórias, 3 TOP 5 e 6 TOP 10. Um retrospecto muito melhor que a de 2010, quando só obteve 2 TOP 10 ao longo do ano inteiro. Antes de começar a atual temporada, a Penske foi bastante criticada ao dar o tradicional carro número 2, apelidado de Blue Deuce, para Keselowski, em um momento em que Sam Hornish ficara sem patrocinador e Kurt Busch passou a defender as cores da Shell. Desnecessário dizer da recuperação do piloto de 27 anos que está muito próximo de encerrar um jejum de quatro anos sem dois carros de Roger Penske na fase final do campeonato.

Se eu quisesse me estender no assunto, ainda poderia citar o duelo entre Brad Keselowski, Kasey Kahne e Mark Martin pela vaga no Chase, lembrando que o garoto foi chutado da Hendrick dois anos atrás, pois o time não queria lhe dar um dos carros da equipe.

Ou então eu poderia ir ainda mais distante e lembrar como Brad Keselowski conseguiu um contrato de apenas três corridas – e acabou ficando por quase quatro anos – na equipe de Dale Earnhardt Jr na Nationwide. Na época, aliás, o atual piloto da Penske havia falido um pequeno time da categoria depois de bater uma série de carros, mas conseguira recuperar a imagem ao marcar a pole-position e quase vencer uma etapa da Truck Series em que fora inscrito de última hora.

Considero Brad Keselowski uma espécie de Mark Webber da Nascar. A carreira de ambos teve milhões e milhões de motivos para não dar certo. Ambos contrariaram as previsões e tiveram (ou estão tendo) momentos de glória. O australiano, porém, não conseguiu converter a quase inesperada oportunidade de título da F1 em 2010, será que o americano terá melhor chance neste ano?

De qualquer forma, a Nascar chega neste final de semana para a tradicional corrida de dia dos pais (no Brasil) em Watkins Glen. É uma corrida bastante especial para mim, pois faz cinco anos exatos que eu comecei a acompanhar para valer a categoria. Obviamente, era um dia dos pais e o meu colocou na corrida enquanto estávamos no almoço de família. Acho que ele não faz ideia de que monstro criou.

Voltando ao que interessa, Tony Stewart, Jeff Gordon e Juan Pablo Montoya são os favoritos para a corrida, mas os irmaõs Busch, Carl Edwards e Kevin Harvick costumam ter bom desempenho também.