Cacá Bueno WTCC
O WTCC 2012 parece ser mais empolgante do que o passeio da Chevrolet na atual temporada

O WTCC se tornou um campeonato decadente nos últimos anos. Criado em 2005 pela FIA para fazer frente ao BTCC, mas em caráter mundial, o certame conseguiu atrair algumas equipes europeias de grande porte, além de pilotos nível ‘A’, como Andy Priaulx, Alain Menu, Alessandro Zanardi e Augusto Farfus.

Ok, deixando esse trocadilho para trás, o campeonato começou com BMW, Alfa Romeo, Ford, SEAT e Chevrolet, além de participações esporádicas de Toyota, Honda e Peugeot em grids que passavam dos 30 carros. Depois, até mesmo a Lada entrou no certame.

Uma realidade bastante diferente da enfrentada em 2011.  Em relação às montadoras, apenas a Chevrolet segue de forma oficial, com a SEAT e a BMW oferecendo ajuda técnica às equipes. Quem também apareceu foi a Volvo, que deve entrar para valer a partir da próxima temporada. Reflexo da crise no WTCC é o número de competidores, algumas etapas sequer contam com 20 inscritos, sendo boa parte de qualidade discutível.

A saída da BMW, que passou a se dedicar ao DTM e às corridas de endurance, parecia dar o tom da nova realidade do WTCC: um campeonato de ordem mundial muito caro em contrapartida ao pouco retorno que ele daria às marcas. A BMW mesmo optou por se dedicar ao forte mercado alemão.

No entanto, a condenação ao WTCC não chegou. A Chevrolet seguiu investindo pesado e venceu 14 das 16 corridas até aqui da atual temporada. A Volvo, como dito acima, estuda entrar de forma integral na temporada 2012. A montadora sueca não só disputa este ano do torneio para realizar testes como também faz história nas competições de carro de turismo disputadas no norte-europeu.

Volvo
A Volvo entrou no WTCC em 2011 para testar, mas ambiciona voos maiores na próxima temporada

Para 2012, a Volvo está investindo pesado para trazer Gabriele Tarquini, campeão do WTCC em 2009. Os suecos acreditam que para emplacar no novo campeonato eles precisam de um piloto capaz de ganhar corridas ao invés de apostar somente em jovens promessas vindas das terras nórdicas.

Além da Volvo, quem também deve destinar mais recursos ao WTCC é a Ford. A fábrica americana ainda não anunciou o retorno ao campeonato, mas como quem não quer nada já mandou construir um carro nas especificações do torneio sem qualquer compromisso. A responsável pela fabricação foi a Arena, um dos partidos políticos brasileiros na época da ditadura a principal equipe da Ford no BTCC, de propriedade da família Chilton.

Mais importante que a equipe, porém, é a especulação envolvendo os pilotos. Enquanto a Volvo quer Tarquini para liderar a montadora, dizem que os americanos vão anunciar Tanner Foust como representante. Foust, para quem não conhece, é um dos principais pilotos dos campeonatos americanos de Drift, além de competir no rallycross americano e nos X Games. Ele também é um dos apresentadores do programa Top Gear, nos EUA.

Ao contrário de Tarquini, Foust não chegaria com a expectativa de ser campeão logo de cara, mas seria um nome muito mais empolgante e de maior valor dos que aqueles que atualmente competem no WTCC. Afinal, a Ford vai chegar a um campeonato que tem a eterna rival Chevrolet como montadora dominante, como a derrota nas pistas não seria bom para a imagem de empresa, o jeito parece ser apelar também para o marketing.

Tanner Foust WTCC
Tanner Foust é especulado como o principal nome da Ford no retorno ao WTCC

A Lada parece seguir a tática da Ford. De acordo com o excelente blog do grande jornalista Flavio Gomes (também conhecido como ‘chefe’, no meu caso), a empresa russa resolveu montar carros nas regras do WTCC para, por enquanto, correr em campeonatos locais. Não seria uma surpresa, portanto, caso eles decidissem retornar ao torneio mundial. Ainda mais com todo o destaque por patrocinarem Vitaly Petrov na F1.

A última montadora que pode retornar é a Honda, mas essa em caráter não-oficial. Os japoneses já estão presentes em campeonatos como o europeu e o inglês, mas com um envolvimento semelhante ao de BMW e SEAT. Dão certo auxílio e só. De qualquer forma, um 2012 com Ford, Chevrolet, SEAT, Lada, BMW, Honda e Volvo parece um campeonato bastante promissor.

Apesar desse provável fortalecimento do WTCC, o Brasil deve continuar com uma participação bastante discreta. A exemplo de 2011, o espaço brasileiro deve ser resumir à etapa de Curitiba, além de eventuais aparições de Cacá Bueno. O filho de Galvão deve correr apenas no Brasil, podendo participar de um ou outro round ao longo do ano. Augusto Farfus se concentrará apenas no DTM.

Fora isso, para aparecer algum piloto brasileiro no WTCC, as circunstâncias deverão ser as mesmas em relação ao Daniel Oliveira no WRC, um desconhecido para quem não acompanha o rali. Isso que o WTCC não é tão caro assim, visto que entre os independentes há pilotos do Marrocos, Turquia e China, que não são lá potências do automobilismo. Acho que nessas horas falta tanto dinheiro como interesse por aqui.